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10 anos de Lady Gaga: Raízes, vulnerabilidade e um chapéu rosa

Depois de muita espera, em setembro de 2016, Gaga deu início a divulgação de seu então novo álbum Joanne – cujo título foi anunciado posteriormente, através da épica canção disco-rock “Perfect Illusion”, produzida por Mark Ronson, Bloodpop e Kevin Parker, da banda Tame Impala.

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Falando de modo sintetizado, a produção do LP foi extremamente conturbada e pouco se sabe sobre o processo de alinhamento final das faixas feitas para o projeto. A produção do disco ficou por conta de Mark Ronson, enquanto Michael “Bloodpop’’ Turker assina como co-produtor em quase todas as faixas. Entre as participações adicionais se encontram Josh Homme, da banda Queens Of The Stone Age, Father John Misty, Emile Haynie, Jeff Bhasker, Hillary Lindsey, Florence Welch e Beck.

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Para a direção criativa e desenvolvimento imagético de Joanne, Gaga trabalhou conjuntamente com o estúdio Lobstereye, formado pelas diretoras de arte Andrea Gelardin e Ruth Hogben, com quem a cantora sempre expressou interesse em colaborar.

O álbum, que mistura folk, country e rock ao formato pop contemporâneo, é considerado pela crítica especializada como o álbum mais profundo de Lady Gaga e não é por acaso. Os arranjos de Ronson trazem a impressão de sonoridade acústica à música e vão de encontro a atmosfera pessoal que a cantora propõem com letras cruas e extremamente sensíveis sobre temas familiares, amorosos e sociais, entre outros.

Gaga, nascida Stefani Joanne Angelina Germanotta, deu ao álbum o nome Joanne, pois esse também era o nome de sua tia paterna que morreu aos 19 anos de lúpus, doença a qual a cantora já manifestou publicamente seu quadro de tendência genética. Embora não tenha conhecido sua tia, Gaga alega ter imensa conexão espiritual com ela e a escolha do nome deixa explicitada a intenção de um material extremamente íntimo.

“Joanne é Lady Gaga se você apagar toda a fama”
– Lady Gaga

Musicalmente falando, o álbum é arrebatador. É a definitiva assinatura intelectual de Lady Gaga na história da música, bem longe da pretensão vanguardista e passional de ARTPOP. Na simplicidade de pensamentos sobre temas que nunca irão envelhecer, Gaga conseguiu criar linhas melódicas incríveis, produções que causam arrepios e misturam toda história musical dos EUA com o formato radio-friendly que a colocou no topo.

É um dos poucos álbuns pós-2010 que foram feitos para serem escutados do começo ao fim, diferente dos álbuns lançados por vários de seus contemporâneos, que parecem mais compilações com tentativas de um smash hit. Sua estrutura hiper detalhada é referencial; letras autorais e distintas de qualquer outra coisa presente no cenário pop aquela época; escapes lúdicos nos pads de Bloodpop que outrora pareciam restritos a música eletrônica, a sonoridade espontânea das produções de Ronson e a ode visual à própria história do álbum, usando sua construção como propriedade imagética central.

Gaga criou na espontaneidade do ser vulnerável – pessoalmente, liricamente, musicalmente e visualmente – a força necessária para lidar com as mais diversas opiniões e reações acerca de um álbum feito para amantes da música, por amor á música, fruto dos casos e acasos de sua existência.

“As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade”
– Carlos Drummond de Andrade

Já próximo ao término de 2016, não havia forma de se manter intacto a presença de Lady Gaga; a cantora marcou presença na sexta temporada de American Horror Story e ganhou visibilidade mesmo que em um papel secundário; seu atual single, “Million Reasons”, fruto de um remanejamento comercial por A-YO, sutilmente ganhava destaque nas paradas mundiais; o chapéu rosa, um símbolo espontâneo do álbum, se tornou uma febre nas redes sociais; e um grande anúncio lançava expectativas ao ano vindouro, 2017:  Lady Gaga seria a atração do intervalo no Super Bowl LI.

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