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10 anos de Lady Gaga: do horror nasce a reinvenção

Após uma explosão em todo o mundo com os singles “Just Dance” e “Poker Face”, Lady Gaga mostrou logo de cara que veio para ficar, graças ao sucesso de The Fame.

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No mencionado momento de sua trajetória, Gaga já havia sequelado a música pop, mas era necessário seu firmamento como um ícone e é claro que, para Gaga atingir tal meta, não houve descanso durante essa época. A rotina da cantora se dividia entre shows, premiações, entrevistas e estúdio.

Seu próximo álbum era extremamente aguardado. Qualquer erro não passaria despercebido e a pressão era imensa, por parte da gravadora, da mídia, do público e de si mesma.

A proposta da gravadora foi relançar o álbum de estreia visando manter o desempenho nas paradas musicais. Para isso, Gaga designou um álbum temático – embora tecnicamente falando seja um EP – junto de produtores como DarkChild, Ron Fair, Teddy Riley, Fernando Garibay e obviamente seu braço direito, o supracitado RedOne. O álbum The Fame Monster consistia em uma extensão sonora de seu primeiro álbum, porém fortemente influenciado pelo cenário electropop da europa oriental e com temáticas não exploradas antes, tudo em uma perspectiva sombria, aspirando à estética sonora noventista e lírica oitentista, mescladas a obsessão visual pelo mundo da moda, pelo gótico e o industrial.  A artista explica a obra a partir de “Os Monstros”; uma maneira de explanar a partir de figuras metafóricas os tópicos abordados em cada canção;

  • Bad Romanceo medo do Monstro do Amor
  • Alejandroo medo do Monstro do Homem.
  • Monstero medo do Monstro do Sexo.
  • Speechlesso medo do Monstro da Morte.
  • Dance In The Dark o medo do Monstro de Si Mesmo.
  • Telephone o medo do Monstro das Responsabilidades.
  • So Happy I Could Die o medo do Monstro do Álcool.
  • Teetho medo do Monstro da Verdade.

O primeiro desses monstros a ver a luz do dia, foi Bad Romance”. O primeiro single do aguardado The Fame Monster abalou toda a estrutura do mercado fonográfico desde o vazamento de sua demo.

O seu lançamento como single reverberou efeitos magníficos na carreira de Lady Gaga, desde o estrondo causado pelo clipe icônico e o sucesso nas paradas e pistas globais até os diversos prêmios concedidos a canção, tendo sete estatuetas do VMA e até mesmo o Grammy. Da mesma forma, o tamanho sucesso fez surgir a incomoda frase que até hoje escutamos: “Será que ela é capaz de superar Bad Romance?”, uma pressão alimentada pela mídia até hoje.

A divulgação do álbum, que posteriormente ganharia o Grammy na categoria Best Pop Vocal Album em 2011, seguiu melhor do que o esperado;

  • “Telephone”, originalmente composta para Britney Spears e lançada como parceria com Beyoncé – época em que Beyoncé não fazia parceria com qualquer um –  entrou pra lista de hits de Lady Gaga, embora Gaga tenha declarado publicamente que não simpatiza com o produto final do clipe dirigido por Jonas Akerlund.
  • “Alejandro” não decepcionou e manteve a atmosfera absurda e polêmica, que até então era marca registrada nos trabalhos de Lady Gaga. Dirigido por Steven Klein, o vídeo teve três prévias divulgadas antes de seu lançamento oficial, uma através de uma entrevista concedida ao programa de TV de Larry King e as outras duas através de seu site oficial e do blog de Perez Hilton.

Para mim, a real potência do álbum está presente na forma com que os tópicos abordados fluem, no retrato célebre de tudo que é sombrio; seja na repetição quase neurótica da estética pop art somada a morbidez cinematográfica americana como em “Telephone”, ou na iconografia presente nos vídeos de “Bad Romance” e “Alejandro”, que possuem uma dimensão mística criada a partir de distorções e saturações conceituais, no resgate a ícones da ficção como Hitchcock e Kubrick, na celebração da apreciação doentia a queda e a morte de artistas e personalidades envoltas à fama como Marilyn Monroe, Judy Garland, Sylvia Plath, JonBenét Ramsey, Liberace, Lady Di, todos citados na monumental faixa synthpop “Dance In The Dark”, onde Gaga também faz menção a morte mais distinta e virtuosa de toda história: Jesus Cristo.

No VMA 2010, quando Gaga usou o controverso vestido de carne e ganhou 8 das 13 categorias as quais estava indicada, ela também anunciou – emocionada ao receber das mãos de Cher o principal prêmio da noite, o troféu de Vídeo do Ano – que seu novo álbum se chamaria Born This Way e ainda cantou um trecho da música título, gerando na noite de 12 de Setembro de 2010 alarde na imprensa mundial com seu anunciamento.

A história por trás da criação do álbum lendário, você confere na terceira parte do especial em janeiro, aqui no Audiograma.