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10 anos de Lady Gaga: o começo de carreira

“No mês de Abril, a cultura pop comemora os 10 anos de carreira de um dos seus maiores ícones; Lady Gaga. Era abril de 2008 quando Gaga lançou “Just Dance”, parceria com Akon (creditado apenas no encarte) e Colby O’Donis como seu debut single. A música produzida por seu até então braço direito, RedOne, e presente em seu álbum de estreia The Fame, lançado em agosto do mesmo ano, não demorou muito pra cair no gosto popular e atingir o almejado #1 da parada Hot 100 da Billboard”

O parágrafo acima poderia ser a forma mais adequada de se iniciar um texto de caráter retrospectivo técnico, o que na minha opinião não é a melhor forma de enxergar e apreciar a carreira da mulher que mudou a forma de se fazer música pop no século XXI. Com isso em mente, preferi adotar uma perspectiva intimista com base em sua vida pessoal e criação artística para, a partir daí, produzir um material mais aprofundado nesse especial que você começa a acompanhar agora e vai até abril do ano que vem, quando Lady Gaga comemora 10 anos de carreira.

Antes de tudo é necessário afirmar que esse especial dividido em seis partes comemora o aniversário de carreira de Lady Gaga tendo como ponto inicial sua estreia através de uma grande gravadora – no caso o lançamento de seu debut-single “Just Dance”, lançado pelos selos conjuntos Interscope/KonLive/Cherrytree Records.

No entanto, Gaga já era uma figura no cenário musical americano bem antes disso, já tendo escrito para Britney Spears, Pussycat Dolls e Adam Lambert, além de ter cedido a voz em uma participação não creditada no álbum One World One Love de Michael Bolton. O ponto principal é que há muito mais de 9 anos Gaga já trabalhava arduamente no projeto de carreira que mudaria mais uma vez os parâmetros de excelência na música pop.

Ao chegar no mercado – em 2008, a indústria fonográfica não se espantou e nem creditou confiança na jovem, que era tida como um simples fenômeno midiático que não renderia mais que os já corriqueiros 15 minutos de fama. Quando “Just Dance” explodiu nas rádios de todo mundo e, consequentemente, nas pistas de dança, todos estavam certos que aquela loira exótica com um clipe de baixo orçamento tematizado de festa era mais uma One Hit Wonder. Uma cantora com só uma música de sucesso.

Quando seu aguardado álbum, o cercado de expectativas The Fame viu a luz do dia, todos se espantaram com a qualidade das produções e o potencial comercial das canções presentes no álbum. No mês seguinte ao lançamento do álbum, “Poker Face” foi enviada para as rádios como material de divulgação, servindo como segundo single do trabalho. O ritmo contagiante, os versos chicletes e a letra metafórica sobre bissexualidade fizeram da música um smash-hit.

A partir daquele ponto, Lady Gaga começou a ser vista como a promessa que poderia salvar o pop do monótono período de divas hiper-sexualizadas e sensuais que se estendia desde o fim dos anos 90, afinal, seus até então únicos dois singles lançados atingiram o #1 da parada da Billboard.

Fora isso, Gaga soube como usar a mídia a seu favor, gerando polêmica com suas confissões e sua excentricidade na forma de vestir e performar suas músicas. Com sucesso o álbum teve outros três singles: “LoveGame”, “Eh Eh” (não lançado mundialmente) e “Paparazzi”, que fez história ao ser performada no VMA em 2009 da forma mais teatral possível, utilizando um arranjo repleto de violinos e uma opulência dramática.

Naquele dia, Gaga arrebatou de vez o coração dos fãs de música pop e de inúmeros admiradores de arte, afinal, a última vez que alguém havia sido tão audacioso em incorporar elementos teatrais e performáticos na música pop comercial, tinha sido em 1990 quando Madonna performou “Vogue”, coincidentemente, na mesma premiação.

As várias coincidências entre Gaga e Madonna não foram poupadas e não demorou muito para que a mídia a nomeasse de “A nova Madonna”. Embora fosse uma grande inspiração para Gaga e para todas outras cantoras pop – sem exceção, essa foi uma comparação desrespeitosa com ambas as artistas e deliberadamente ridícula como a maioria do material produzido por tabloides americanos.

O que viria após o The Fame? É o que vamos abordar no próximo texto, em dezembro.