Foo Fighters tem “grandes planos” para um novo álbum

23 de janeiro de 2013 News Sem comentários
Foo Fighters tem “grandes planos” para um novo álbum

Dave Grohl revelou que o Foo Fighters possui “grandes planos” para um próximo álbum de estúdio.

Em entrevista para a MTV, o vocalista do Foo Fighters falou sobre o seu documentário Sound City e acabou falando sobre a sua banda que, desde o ano passado, deu uma pausa em suas atividades para descanso e foco em outros projetos.

“É engraçado.. eu nem considero como se fosse o Foo Fighters… somos a banda de apoio de Rick Springfield, somos a banda de apoio de John Fogerty. Não estamos lá tocando ‘Everlong’ todas as noites, estamos apenas esperando que nossos heróis subam ao palco e toquem”, disse Grohl.

Quando finalizou o assunto, Grohl acabou citando o próximo disco. “Nós temos um plano, sabemos exatamente o que está por vir, eu tenho músicas para o próximo disco e iremos começar a trabalhar no disco assim que terminarmos todas essas coisas. E temos planos realmente maravilhosos para o novo álbum, e estou muito empolgado”, finalizou.

O último disco de estúdio do Foo Fighters foi o elogiado Wasting Light, lançado em 2011.

Pintando os 7: Música de adolescente crescido

Pintando os 7: Música de adolescente crescido

Reunir músicas e bandas em uma lista parece fácil, mas é uma tarefa um pouco complicada e até difícil, se pensarmos em quantos álbuns, artistas e músicas merecem fazer parte de algum ranking.

Para minha estreia, decidi listar faixas que marcaram minha adolescência ( e acho que de muita gente), na época em que baixar música era fácil e gravar em cd’s era a moda.

Rock’n Roll predomina na lista. Entre as 7 faixas estão músicas que se tornaram sucesso imediato, caso de Cochise do Audioslave e Boom, do System of a Down. Algumas bandas são clássicas, como Faith no More e Foo Figthers. Muitas pessoas podem não conhecer o P.O.D e a Box Car Racer (projeto paralelo dos integrantes do Blink 182), mas essas bandas são nota mil perto de algumas outras eu tentaram fazer um som parecido há pouco tempo.

Sei lá, acho que essa lista é, simplesmente, de músicas para adolescentes crescidos.

Sem mais, aperte o play!

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1)      Faith no More – Easy

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2)      Papa Roach – She loves me not

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3)      Audioslave – Cochise

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4)      Box Car Racer – I feel so

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5)      P.O.D – Alive

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6)      Foo Fighters – All my life

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7)      System of a Down – Boom

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Foo Fighters garante que a banda não irá acabar

29 de agosto de 2012 News Sem comentários
Foo Fighters garante que a banda não irá acabar

Um burburinho envolvendo o Foo Fighters começou a tomar conta da internet desde o último fim de semana.

Durante a apresentação da banda no Reading Festival, o vocalista Dave Grohl se dirigiu ao público dizendo que aquele seria “o último show da banda durante um bom tempo”.

Isso foi o suficiente para movimentar os fãs e a imprensa de todo mundo através das redes sociais e a especulação sobre o fim da banda ou de um longo hiato começou a ser cogitada.

Felizmente, na noite da última terça-feira (28), o próprio Dave Grohl utilizou as redes sociais oficiais do Foo Fighters para desmentir o boato que se formava.

Em tradução livre, Dave pediu para os fãs mais exaltados e a imprensa pegar leve e que a declaração foi direcionada a Inglaterra.

Reading e Leeds Festival darão sanduíche e cerveja de graça

7 de agosto de 2012 News Sem comentários
Reading e Leeds Festival darão sanduíche e cerveja de graça

Os organizadores dos festivais de Reading e Leeds, na Inglaterra, farão um pacote com sanduíche e cerveja para todo o público que comparecer aos festivais.

O chefe executivo do festival, Melvin Benn, havia prometido anteriormente um hambúrguer e uma cerveja para cada pessoa, mas a organização refez o kit, que terá agora apenas a bebida alcoólica e um sanduíche feito com pão, ovo, calabresa e presunto.

Cada um dos presentes no evento receberá três cervejas e três sanduíches (um kit para cada dia). Tudo será entregue em uma sacola reciclável, que poderá ser usada para guardar as latas velhas ou ser trocada por mais cerveja grátis.

De acordo com matéria publicada pela NME, a ideia veio após o “fracasso” de público na edição 2011 do festival, que teve como headliners as bandas My Chemical Romance, Pulp e Strokes. ”É difícil para as crianças, para os estudantes e para as pessoas que não trabalham quando a grana está curta. Eu só queria dar algo em troca”, disse Melvin em março.

O lineup da edição 2012 do festival também parece ter sido reforçado. Nomes como Foo Fighters, The Cure, Kasabian, Paramore, The Black Keys, Florence + The Machine, Kaiser Chiefs, All Time Low, The Vaccines, At The Drive-In, Justice, Two Door Cinema Club, Foster The People, Passion Pit, Mastodon e Azealia Banks se intercalam entre as duas cidades entre os dias 24 e 26 de agosto.

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Confira o lineup completo da edição de Reading:

(Re)Descobrindo Sons: E abril? Como foi?

(Re)Descobrindo Sons: E abril? Como foi?

O mês de abril foi especial para muitas pessoas e das maneiras mais distintas. O principal motivo que tornou o quarto mês de 2012 inesquecível foi o Festival Lollapalooza, também conhecido como o show do Foo Fighters. Desde o Rock in Rio III, em 2001, o retorno de Dave Grohl e companhia era muito esperado no país. Toda a espera criou uma expectativa fora dos padrões e quem acompanha o que escrevo sobre cinema no Cinema de Buteco sabe o quanto a expectativa pode ser perigosa. De qualquer forma, não foi só de Foo Fighters e convidados que passei o mês. Houve momentos tão interessantes quanto, como um show inesquecível do mestre Bob Dylan, o retorno de Tupac em um Festival gringo, o Dinho Ouro-Preto destruindo várias músicas “clássicas” em um disco de “couves” e também uma bela homenagem das bandas alternativas para os fodões do Los Hermanos. A minha participação nas páginas laranjas nesta edição da coluna (Re) Descobrindo Sons será bem sucinta e objetiva, espero que meus sete leitores cativos (beijos para todos) não se sintam ofendidos por não perderem tanto tempo lendo sobre as minhas desventuras musicais. Prometo uma recompensa em breve.

Tive uma verdadeira overdose de Foo Fighters no começo do mês. Foi sem dó dos vizinhos. Colocava um disco atrás do outro com o volume estourado e de vez em quando mal dando para ouvir o som da caixinha, o que me faz relembrar que preciso comprar um home theater ou um rádio decente urgentemente. Meu sonho seria ser o exemplo de vizinho civilizado que acorda todo o bairro às 8h de um domingo com “Stacked Actors” ou “Bridge Burning”. Eu gostaria de morar perto de alguém assim, você não? A tensão crescia e como se não bastasse a tensão, ainda haviam os shows da América do Sul para serem assistidos pela internet. Ah, se eu pudesse voltar atrás… Com certeza teria evitado as três noites babando (uma combinação de saliva com cerveja) por conta do repertório. A apresentação no Chile foi histórica, arrisco dizer que talvez tenha sido a melhor da turnê sul-americana. O motivo? Era “inédito” e os chilenos estavam realmente empolgados. “Stacked Actors” com um trecho de “Feel a Good Hit For the Summer”, do Queens of the Stone Age, foi chocante. “Let it Die”, “Wheels”, “This is a Call” foram outros grandes momentos, mas nada superou o grito do público em “Arlandria”. O próprio Grohl pareceu realmente surpreso e disse que ninguém havia cantado daquela forma. Com um show sensacional daqueles, seria difícil acreditar que o Brasil faria feio.

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Mas apresentação dupla na Argentina me broxou. Aparentemente Grohl e cia haviam ensaiado não apenas as músicas, mas também as piadas. Sem nenhuma espontaneidade, o ex-baterista do Nirvana repetia as mesmas coisas ditas para os chilenos no show da Argentina. Mas com “Generator”, “Enough Space”, “Hey, Johnny Park!” e Grohl trocando de lugar com Taylor Hawkins durante “Cold Day in the Sun”, seria um erro prestar atenção apenas nisso. No Brasil seria diferente, claro que seria. Lembro que pouco antes de viajar para São Paulo, fiquei tão tenso que acabei exagerando um pouco no Absinto e liguei o meu baixo para fazer barulho. Com certeza meu “show” agradou muita gente aqui por perto. Então, finalmente naquele dia 7 de abril, eu e milhares de pessoas realizaríamos um grande sonho. Além daquela sensação de que tudo valeu a pena para chegar ali, acabei descobrindo que a internet e seus privilégios podiam ser um verdadeiro golpe cruel nas expectativas criadas. Pouco antes da banda subir ao palco e abrir o show com “All My Life” (o que me entristeceu seriamente, pois queria mesmo ouvir “Bridge Burning”) entendi o motivo que fez o Arctic Monkeys impedir a transmissão de seus shows via streaming. Enquanto lamentava que apenas o Pearl Jam e o Radiohead eram bandas capazes de surpreender o público na escolha do repertório, tentava observar o show pelo telão, quando era impossível usar uma trivela visual para desviar dos cabeçudos e conferir o palco. Ser baixinho é uma merda. Como se não bastasse sua namorada dizer que não pode andar de salto alto com você (doeu muito, viu?), ainda tem que pagar para ver o cabelo das pessoas. Grohl não fez cerimônias e nem disfarçou na hora de repetir a introdução de “Breakout” ao dedicar para os fãs antigos da banda (cara, fãs antigos? Sério?); na saída de palco para o bis (a brincadeira no telão foi muito engraçada no Chile e só); nas firulas; mas só faltou a enrolação na hora de tocar “These Days”, que foi limada do setlist. Ao meu redor, parecia que só eu havia assistido ao show do Chile e Argentina, já que todos estavam rindo de tudo. Senti que a ansiedade me sabotou. Meu “momento” foi quando tocaram “Generator” e a Força gritou que logo tocariam “Hey, Johnny Park!”, que além de ser uma das minhas favoritas, foi tocada colada com “Monkey Wrench”. Momento épico até mesmo para aqueles que estavam mais preocupados com uma boneca inflável promíscua que voava de mão em mão pelo público. O show acabou com “Everlong”. Pensei que poderia chorar, mas a ideia de que vi uma reprise de um programa muito amado estava me incomodando demais para me permitir viver aquele momento com toda a intensidade que imaginei que seria. Valeu a pena, claro, foi o show da minha vida, mas nunca mais irei cometer o erro de assistir uma apresentação pela internet antes de devorar o prato principal ao vivo. Mais do que nunca, Festival só vale a pena por conta da companhia dos amigos. Ter passado um tempo com aquelas pessoas que moram em outras cidades foi melhor que a maioria dos shows. Para quem quiser conferir o texto completo sobre o Lollapalooza, clique aqui.

Durante a viagem fui ouvindo muito Arctic Monkeys (o Suck and See é um disco incrível e que só melhora com o tempo), Cage the Elephant, Foster the People, Black Keys, Black Drawing Chalks e os malucos do Gogol Bordello. Como sou uma pessoa completamente avessa e contra os grandes Festivais, não deixei passar a oportunidade de ir assistir ao show solo da banda liderada por Eugene Hutz. Que maluquice foi aquela? O calor do Beco me fez lembrar da apresentação do Muse em 2008, quando voltei para casa com as calças molhadas (e não eram de urina, engraçadinhos). Todo mundo estava empolgado, cantando as músicas e se jogando completamente. O bom do Gogol Bordello é que você não precisa estar bêbado para apreciar a música ou se sentir um pouco alterado. O efeito maluco atinge todo mundo, independente de consumir alguma coisa ou não. O melhor de tudo foi reparar que Hutz usava a mesma roupa no Lollapalooza, dois dias depois. Nojento.

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Como era de se imaginar, com tantos shows na bagagem e acompanhado apenas do meu leal iPod (agora é meu único player, já que o GoGear faleceu) fiquei realmente preso nas músicas das bandas que participariam do Lollapalooza. Como resistir? Eu não consegui. Bem que me aproximei disso na semana seguinte, quando o show de Bob Dylan se aproximava. Tive a companhia especial da minha amiga Ivne Souza, de Vitória, para comprovar que panela velha que faz música boa. Ou algo do tipo. Dylan é muito criticado por trocar os arranjos originais de suas canções e deixar várias músicas irreconhecíveis, fora as críticas para a sua voz castigada pelo tempo. Pessoalmente, conforme escrevi na minha análise do show, ele só mostrou que é o mestre do esculacho, o “muso inspirador” do sujeito que escreveu “Sou Foda”, o senhor ding dim ding dim do rock. Ter a oportunidade de ouvir “Everlong” e “Like a Rolling Stone” no mesmo mês foi demais para o meu coração e a cada verso do refrão, com os olhos fechados, tão incrédulo quanto o próprio cantor, me juntei aos gritos frenéticos do público que estavam abafando até a banda. Um momento histórico e quem não foi, bem, se fodeu mesmo. Sinto muito pela sinceridade agressiva.

Para a coluna não ficar apenas focada nos shows, preciso elogiar a iniciativa dos responsáveis pela coletânea Re-Tratos, uma homenagem de vários cantores da cena independente nacional para os cariocas do Los Hermanos. Independente deles serem uns oportunistas com a atual turnê, a verdade é que foram importantes em vários sentidos para muita gente, especialmente para as bandas novas. É impossível ouvir o Cícero ou os mineiros do Transmissor e não perceber o mínimo de influência das composições de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. Felizmente a homenagem ficou bonita e bem longe de ser apenas uma pagação de pau desnecessária. Dividida em dois volumes, vale ouvir com atenção as versões de “Conversa de Botas Batidas”, pelo Cícero; “O Velho e o Moço”, pelo Maglore; “Anna Julia”, pelo Velhas Virgens; e “Pois é”, pelo Transmissor. Seria exagero dizer que algumas músicas conseguiram ficar tão boas quanto as originais? O pecado ficou pela ousadia de tentar modificar “De Onde Vem a Calma”. Certas músicas não DEVEM ser tocadas em hipótese alguma e eu nem sou xiita com Los Hermanos.

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Gostaria de ter estômago para comentar sobre a tortura realizada pelo famigerado Dinho Ouro-Preto, que foi destemido e teve coragem de regravar “Time Is Running Out”, do Muse, em seu disco de covers. Se a cara de pau tivesse ficado por aí, tudo bem, uma terapia poderia me ajudar a superar o trauma, mas o cara ainda resolveu mexer com Leonard Cohen, Smiths, The Cure e uma porrada de músicas legais. Tenho certeza que a falta de respeito de Dinho influenciou diretamente na “ressurreição” do rapper Tupac no meio do Coachella, nos Estados Unidos. Para quem não sabe, o cara foi assassinado anos atrás numa emboscada digna de filmes do Vin Diesel (ou 50 Cent, para ficar mais no clima) e fez uma participação especial na apresentação do Snoop Dogg. Como? Não foi por conta de nenhum Pai de Santo do rap não, mas graças à uma avançada tecnologia que recriou o cantor em um holograma assustador. Fico pensando na reação do público que estava na grade. Como será que eles reagiram quando Tupac começou a surgir do chão? Sei que eu teria corrido atrás de um exorcista ou coisa parecida. O mês da (Re) Descobrindo Sons se encerra com esta. Até a próxima.

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Discos ouvidos:

Discografia completa do Foo Fighters
Super Taranta @Gogol Bordello
Suck and See @Arctic Monkeys
Brothers @Black Keys
El Camino @Black Keys
Best of @Al Green
Cage the Elephant @Cage the Elephant
Re-Tratos – Volume 1 @vários
Re-Tratos – Volume 2 @vários
Life is a Big Holiday for Us @Black Drawing Chalks
Lira @Lirinha
Sea Change @Beck
Torches @Foster the People
Thank You Happy Birthday @Cage the Elephant

TV Audiograma: Foo Fighters @ Lollapalooza Brasil

TV Audiograma: Foo Fighters @ Lollapalooza Brasil

70 mil pessoas puderam ver de perto o que é o Foo Fighters. Pela primeira vez em São Paulo, 11 anos depois de sua última visita e com um repertório de fazer inveja, Dave Grohl e companhia deram uma aula de como se fazer um show de rock para um grande público.

E com direito a cover de Pink Floyd, Grohl tocando bateria, participação de Joan Jett e duas horas e meia de música, gritos e sucessos.

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Além do Som: Qual a boa do Lollapalooza?

Além do Som: Qual a boa do Lollapalooza?

Demorou mais de 10 anos para o Foo Fighters voltar ao Brasil. A banda liderada por Dave Grohl foi a atração principal do Festival Lollapalooza, evento criado por Perry Farrel, vocalista do Jane’s Addiction, durante os anos 90. Ainda que tenha deixado muito a desejar em comparação com as edições de Chicago e Santiago, o Lollapalooza revelou um forte potencial para se tornar o maior Festival de música do país, batendo de frente com o Terra (ainda melhor), SWU e Rock in Rio. O grande problema foi que, assim como no clipe de “Everlong”, do Foo Fighters, o sonho não foi totalmente agradável e houve o risco dele se transformar em um grande pesadelo.

Uma das principais receitas de sobrevivência em um Festival em terras tupiniquins é chegar cedo, comprar todas as fichas de bebidas e evitar as intermináveis filas. Quem conferiu o evento em Chicago revelou que as filas não costumavam durar nem mesmo cinco minutos e que parte dos funcionários dos caixas eram voluntários. Aqui no Brasil, além de você perder um show inteiro para conseguir comprar a sua ficha e ser atendido, ainda corre o risco de lidar com a mesma cena acontecida durante o Rock in Rio IV, quando vários atendentes “fugiram” após o começo dos shows. O Lollapalooza não escapou deste, que é um dos principais problemas dos grandes eventos no país. A organização também errou no desenho da estrutura do festival: havia apenas um espaço para o público descansar e ele ficou lotado quando a chuva caiu durante o domingo; a Tenda do Perry ficava praticamente colada no palco Butantã e uma apresentação abafava a outra, tornando impossível assistir aos shows naquele lugar. Um erro grotesco, para se dizer o mínimo. Os organizadores só “perceberam” o deslize na hora da última apresentação do Lolla, quando atrasaram a apresentação do Racionais Mc’s para evitar o conflito sonoro. O público, principal interessado em conferir os shows, não foi avisado da alteração, embora naquela altura a maioria estivesse mais interessada em ir embora para casa e descansar após a maratona de dois dias. Ainda mais incômodo que as filas para os caixas, a primeira edição do Lollapalooza Brasil ignorou um dos únicos acertos do último Rock in Rio e manteve os banheiros químicos. O Festival criado por Roberto Medina ofereceu um grande mictório para evitar as longas filas e resolveu parcialmente o problema, pelo menos do lado masculino.

Mais grave ainda foi o caos para sair do evento. Boa parte das 70 mil pessoas que foram ao Lollapalooza precisava utilizar um transporte público para voltar para casa. Aliás, havia um grande incentivo por parte dos organizadores para que o público deixasse o carro em casa e optasse por usar o metrô (considerando que os shows estavam previstos para acabarem às 23h) ou ônibus. O resultado foi o completo despreparo das autoridades em lidar com a massa que se espremia e lutava para entrar no metrô. Se para encontrar um táxi livre era preciso andar até depois da Marginal Pinheiros, a situação não era nada fácil para quem esperava a PM liberar a estação Butantã. O caos não diminuiu nem mesmo no segundo dia, quando mesmo com 15 mil pessoas a menos, houve nova confusão, inclusive com relatos de violência por parte do público e também da polícia.

Como se não bastasse a tradicional reclamação das filas e estrutura, o Lolla também começou com o pé esquerdo quando a primeira atração internacional do evento subiu ao palco. Os malucos do Cage The Elephant fizeram um show visceral para o público com menos de 20 anos e que estava ocupado demais com os moshs e stage dives do vocalista Matt Schultz para prestar atenção na péssima qualidade do som da apresentação. O volume estava baixo demais e para uma banda com um vocalista que prefere fazer bagunça do que cantar, o resultado não foi positivo. Toda a pegada presente nos discos da banda foi apagada e ficou a impressão de que o som estava preso em algum lugar bem distante dali. Felizmente, Schultz usou tudo que aprendeu assistindo aos shows do Pixies e Nirvana e fez um show à parte, inclusive com direito a dois stage dives, sendo o último no final do show.

O Rappa subiu ao palco do Lollapalooza apenas para garantir a presença na edição norte-americana do show. Muita gente estava cantando os versos de “Rodo Cotidiano” e “Minha Alma”, mas o melhor momento do show foi quando Falcão e sua trupe deixaram o público ouvindo “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Quando o melhor momento do seu show é motivado por conta de uma música de outra banda, é melhor repensar o que você fez de errado. O Band of Horses fez uma das apresentações mais elogiadas do Festival (com direito até a um pocket show acústico surpresa), enquanto o Tv on the Radio dividiu opiniões, chegando a ser chamado até mesmo de “Infinity on the Radio” por alguns fãs mais ansiosos pelo show do Foo Fighters. Dave Navarro, guitarrista do Jane’s Addiction, deu as caras para tocar “Waiting Room“, do Fugazi. Engraçado notar que pela segunda vez no dia, o melhor momento do show de uma banda foi consequência de uma cover. Pelo menos a banda preferiu tocar a música, ao invés de imitar O Rappa e deixar o som mecânico fazer o trabalho “duro”. Joan Jett se apresentou no palco Butantã, enquanto a maioria do público se espremia para chegar o mais próximo possível do palco principal Cidade Jardim e assistir ao show do Foo Fighters, que assim como todos os outros shows, começou pontualmente às 20h30.

A primeira nota de “All My Life” foi o suficiente para ganhar o público, que gritava e se apertava cada vez mais. Foi assim durante as primeiras músicas, o que dificultava muito a visão do palco. Os “baixinhos” não tinham nem como recorrer aos telões, já que a produção também falhou ao deixa-los baixos demais. Sem muitas surpresas no repertório (“Generator”, “Hey Johnny Park”, “For All The Cows”), o Foo Fighters fez uma apresentação para realizar os sonhos de todos os fãs. Dave Grohl chegou até mesmo a tocar bateria em “Cold Day in the Sun”, tornando aquele momento ainda mais inesquecível, mas o grande problema do show foi o fato dele ser uma vítima da tecnologia e não ter conseguido fugir do óbvio. Grohl criou um personagem extremamente carismático, mas que repete as mesmas frases e interações com o público. Quem acompanhou a transmissão do show do Chile e das duas apresentações na Argentina não se surpreendeu nadinha com o repertório e nem mesmo achou graça nas piadas, mas valeu pela experiência de estar diante tudo aquilo e a certeza de que o Foo Fighters é uma das maiores bandas da atualidade, independente das críticas. A cantora Joan Jett subiu ao palco para tocar duas músicas (“Bad Reputation” e “I Love Rock n’ Roll” – após um belo discurso homenageando Perry Farrel por sua importância no mundo da música e de como o Lollapalooza é uma marca de respeito e orgulho para as bandas alternativas) e logo depois foi o momento de “Everlong” encerrar o show. Grohl prometeu retornar em breve. Só resta esperar.

O segundo dia começou ainda mais quente e com uma concentração bem maior de pessoas para conferir aos primeiros shows do dia, especialmente do punk cigano insano do Gogol Bordello. Eugene Hutz se apresentou com a mesma empolgação (e roupa) do show realizado na sexta-feira, no O Beco, em São Paulo, e deixou todo mundo se perguntando o motivo que fez a produção escalar a banda logo no começo do domingo, deixando artistas como Thievery Corporation e Manchester Orchestra (que encerrou o show no momento em que a chuva começava a apertar e as pessoas fugiam para a tenda coberta) em horários melhores. Um dos grandes conflitos do domingo foi decidir entre assistir ao rock n’ roll incendiário dos goianos do Black Drawing Chalks ou aos movimentos pélvicos do vocalista do Friendly Fires. O MGMT fez um show que agradou apenas aos seus leais fãs, embora “Time to Pretend” e “Kids” sejam (as únicas) músicas divertidas e que fizeram muito barulho. Já o Foster the People surpreendeu muito positivamente, tanto pelo público que cantava tão animado como os fãs do Foo Fighters quanto pela própria performance da banda. Se o disco de estreia da banda era “certinho” demais e desprovido de pegada, o show é exatamente o contrário e ainda que o som seja extremamente organizado, tudo é tão bem trabalhado que é apenas mais um motivo para se admirar e acompanhar a trajetória da banda.

O Jane’s Addiction começou o seu show com um trecho de uma canção do Pink Floyd e uma performance de um grupo de acrobatas. Ainda que tenha tocado para um público novo demais para lembrar do clipe de “Been Caught Stealing”, existiam aqueles curiosos em conhecer o som da banda que Dave Grohl chegou a comparar como o Led Zeppelin de sua geração. Ainda que saibam perfeitamente como construir arranjos e um show de rock para fã nenhum botar defeito, Farrel e sua bizarra semelhança com Dinho Ouro-Preto fizeram o básico e não inventaram demais na apresentação, que foi perdendo força na medida em que se aproximava a hora do Arctic Monkeys “encerrar” o Lollapalooza.

A banda liderada por Alex Turner tocou boa parte do disco Suck it and See, deixando de lado muitas canções dos discos anteriores. Os fãs não se importaram, especialmente por estarem diante uma banda bem mais madura do que a que havia se apresentado no Tim Festival de 2007. Turner está mais simpático e evoluiu muito como vocalista e guitarrista. Enquanto não deixava escancarada a influência de Josh Homme, do Queens of the Stone Age e produtor do disco Humbug, na sua forma de cantar e tocar guitarra, o líder do Arctic Monkeys se divertia fazendo caras e bocas para o público.

Não é exagero dizer que a apresentação rápida e rasteira (e sem enrolação) foi a melhor dessa primeira edição do Lollapalooza Brasil, que deixará os fãs na expectativa para a confirmação (ou não) do evento no ano que vem.

Mini-Resenha: Lollapalooza em fotos e vídeos, parte 1

Mini-Resenha: Lollapalooza em fotos e vídeos, parte 1

O Brasil virou celeiro dos grandes festivais. Ontem mais um deles aportou no país e, com Perry Farrell e tudo, o Lollapalooza chegou trazendo de tudo um pouco para o Jockey Club de São Paulo.

De Foo Fighters a Rappa, passando por Cage The Elephant, Marcelo Nova e Band Of Horses, vamos fazer um pequeno resumo (em fotos e vídeos) do que aconteceu em São Paulo ontem. Ok?

# Fotos

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# Vídeos

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Mini-Resenha: Foo Fighters

Mini-Resenha: Foo Fighters

O Lollapalooza Brasil é o evento responsável por realizar o sonho de fãs de todas as idades que cresceram ouvindo o som do Foo Fighters e que em 2001 eram novos demais para poder ir até o Rock in Rio.

Na verdade, em 2001 muitos nem conheciam a banda ainda, já que se passaram longos 10 anos desde a primeira e única visita da trupe liderada por Dave Grohl ao Brasil. Em turnê com o disco Wasting Light e carregando a responsabilidade de ser uma das maiores bandas de rock do mundo atualmente, o Foo Fighters promete compensar os brasileiros e fazer uma longa apresentação para fã nenhum botar defeito.

Os primeiros versos de “Everlong” resumem bem o que se passa pela cabeça da maioria das pessoas que irão se espremer para chegar o mais próximo possível do palco principal do Lolla no sábado.

Rock and Ghrol.

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“Everlong”

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“All My Life”

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“Bridge Burning”

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“Stacked Actors”

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“Best of You”

(Re)Descobrindo Sons: E o fevereiro?

(Re)Descobrindo Sons: E o fevereiro?

Algumas pessoas costumam apreciar o mês de fevereiro e tudo que ele representa, tipo o fim das férias e a época em que os bebês são fabricados como as gotas de cerveja que caem dos céus no carnaval. Creio que nunca apreciei o carnaval como parte dos brasileiros costuma fazer. É uma grande tijolada no saco assistir todas aquelas meninas pagando de loucas e depois dando a desculpa que “no carnaval é tudo liberado”. Gente mentirosa e hipócrita me dá preguiça. Sem falar no quanto as músicas são ruins e a quantidade de mamute pelado que fica se exibindo e querendo confusão.

Enquanto muitos se esbaldavam com bebidas, músicas ruins, putaria e possíveis encomendas da cegonha, fiquei curtindo o que havia de melhor para aproveitar do carnaval. Ironicamente, um ou outro item está incluso nesta lista (não se trata de encomendas, diga-se de passagem).

Para quem acompanhou a coluna do mês passado, sabe que eu estava ansioso para assistir ao show do Criolo no Circo Voador, no Rio. O cantor se apresentaria na noite do dia 4, uma noite depois de um show incrível do norte-americano Mayer Hawthorne (foto). Aliás, não posso deixar de comentar sobre a performance do jovem e simpático cantor, que fez um show animado e que divertiu até mesmo quem mal conhecia o seu trabalho.

A banda tinha coreografia para algumas canções e houve um momento em que Hawthorne começou a posar para fotografias, de uma forma completamente debochada, e pediu encarecidamente para as pessoas se preocuparem mais com o show do que com a droga da máquina ou do celular. Apaixonante. O efeito da apresentação me deixou tão entorpecido (embora eu possa dizer que o ar do Circo também tenha ajudado um pouco nessa questão) que esqueci de comprar meu ingresso para o show do Criolo.

Minha amiga Julia disse que não haveria problema algum e que a gente compraria tranquilamente no dia seguinte, mas bem, não foi bem assim. Depois de uma longa viagem da Lapa para Niterói, com direito a “Confortably Numb”, do Pink Floyd, e um grupo de amigos bêbados e totalmente desorientados (um deles deitou no meu colo, ligou a luz do celular e olhou encantado para a minha tatuagem do braço, começou a cantar músicas do grupo Revelação e conseguiu arrancar gargalhadas estridentes de todo mundo do ônibus. Coisas que só acontecem no Rio) fazendo piada com tudo, chegamos em casa e descobrimos que os ingressos estavam esgotados. Sim. Um show no Circo Voador com ingressos esgotados. Haviam mais de 3000 pessoas dentro do Circo naquela noite e eu só não vou dizer que as invejo completamente, pois não sei se gostaria de ter compartilhado o suor do local.

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O Cícero continuou fazendo a alegria das minhas manhãs cansativas entre a minha casa até o meu serviço, mas também passei a dividir a atenção do iPod com alguns livros, dentre eles uma segunda leitura do “clássico” Alta Fidelidade, de Nick Hornby. Além de ser uma obra que encaixaria perfeitamente como uma biografia da minha própria vida, o livro é recheado com belas dicas de canções espetaculares. Vale a pena assistir e ler.

Por conta da releitura, acabei ouvindo discos de Aretha Franklin, Al Green e Otis Redding, três grandes ícones da black music que eu nunca tinha dado o devido valor. Todo mundo conhece a Aretha Franklin, mas eu admito que nunca havia ouvido mais que cinco canções dela. Lamento isso quase o mesmo tanto que lamento meus últimos anos de vida.

Al Green foi uma feliz descoberta, “Tired of Being Alone” é o tipo de canção que teria mudado a minha vida se eu tivesse ouvido no momento certo. (Miles Davis certamente ganhou um concorrente na hora de usar a artilharia pesada.) Existem outras músicas safadas, como “Look What You Done For Me”, é o tipo de música tranquila e que faz o caminho do ônibus passar rapidamente e sem nos deixar perder o bom humor.

Já Otis Redding era um velho conhecido por conta de “(Sittin ‘On) The Dock of the Bay”, um velho clássico e que pode ter sido uma das primeiras músicas a usarem um solo de assobio, mas no ano passado ganhou destaque por sua música “Try a Little Tenderness” ter sido remixada por Kanye West e Jay-Z. Gosto do resultado das duas e estou mega curioso para ouvir uma terceira versão: Florence and the Machine irá incluir a música na gravação de seu disco acústico. Imperdível desde já.

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Depois de comprar os ingressos para o show do Bob Dylan (sério, BH?), foi inevitável deixar de ouvir “Like a Rolling Stone” ou “Things Have Changed” em um loop infinito. Teria feito isso mais vezes se não fosse o excelente trabalho de Leonard Cohen e o disco Old Ideas. O efeito da voz de Cohen é uma coisa difícil de descrever. Ele soa como um pastor da putaria, que se insinua e provoca os ouvintes para cair no mar de perdição e simplesmente se desligar na atmosfera envolvente do disco.

Pode ser um reflexo da minha idade, mas em tempos onde é cada vez mais difícil um artista novo conquistar a minha atenção por muito tempo, Cohen fez uma oração sonora que precisa ser ouvida todos os dias e sem a menor moderação, pois nunca é demais encontrar a paz com o velho senhor e poeta, que também lançou um livro. “Going Home”, faixa de abertura, é recheada por um belo coral feminino e um arranjo simples, mas que nos deixa babando. “I love to speak with Leonard / He`s a sportman and a shepherd / He`s a lazy bastard living in a suit”. E eu te pergunto, caro (a) leitor (a): como resistir ao charme safado do coroa? Fácil na minha lista de favoritos do ano. (Já).

Meu cartão de crédito (quase) respirou aliviado em fevereiro. Se não fosse pela companhia da Julia no feriado do carnaval, eu teria passado livre das compras compulsivas, mas (não sei como) conseguimos tempo para visitar o BH Shopping e aquele paraíso da perdição no quarto piso: a livraria Fnac. Juro que não tinha intenção de comprar mais que um livro sobre o cineasta Martin Scorsese e o DVD do filme (500) Dias Com Ela, mas aí a Julia me mostrou o disco El Camino, do Black Keys.

Promessa é dívida e eu tenho uma coisa de comprar alguns discos e tive um lapso. Não tem como se arrepender, para ser sincero. Dias depois fui participar da gravação do Podcast do Microfonia (vocês podem ouvir aqui, foi um programa sobre cantores que se aventuraram no cinema. O resultado ficou hilário) e conversei com a galera da banda mineira The Hells Kitchen Project. Fui seduzido com uma cópia do disco recém lançado e conversei com o baterista Leo Braca sobre o Black Keys. Ele me indicou o disco Brothers e bem, eu tenho uma nova banda preferida desde então.

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Fevereiro, mais do que o mês do fim das férias, ou do mês em que o ano começa de verdade, é mais conhecido como o mês da maior premiação do cinema. O Oscar 2012, como nos anos anteriores, foi um saco e completamente entediante. Claro que gostei de ver um filme mudo vencendo a categoria principal, mas como um cinéfilo que ainda não conseguiu ignorar os gostos e ideias do coração, fui frustrado por meus filmes favoritos terem sido completamente ignorados da cerimônia. A vida não é justa, mas pelo menos o George Clooney não levou o prêmio de Melhor Ator por Os Descendentes, que é um filme bem fraco.

Creio que o público das páginas laranjas vá se interessar bastante por uma produção chamada Drive, estrelada pelo galã da vez Ryan Gosling. A trilha sonora (que nem chegou a ser indicada) é incrível e tem a assinatura de ninguém menos que Cliff Martinez, ex-baterista da banda Red Hot Chili Peppers. Além do material que o musico criou, existem faixas marcantes que se transformaram parte do longa-metragem, criando uma relação em que um não viveria sem o outro. Por maior que seja meu amor por Trent Reznor (igualmente rejeitado pela Academia, mas que fez um esplendoroso trabalho para seu amigo David Fincher em Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres), se o Oscar não tivesse parado nas mãos do gênio responsável por O Artista, ele deveria ter sido entregue para Martinez.

Mas prefiro não misturar música com cinema por algum tempo, pois desde que comentei publicamente no Podcast do Cinema em Cena sobre eu preferir Molejo aos Beatles, passei a receber ameaças demais e precisarei sumir até a ira dos beatlemaníacos cessar (ou alguém ensina-los o que é ironia).

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Espero que tenham tido um mês musical inspirado, pois ainda acho que estou engatinhando na hora de selecionar o material que irei escutar e comentar aqui. Claro que tenho a desculpa e posso afirmar que 2012 só começa agora, mas ainda assim é muito pouco.

A expectativa para o show do Foo Fighters começou a ficar insuportável, com direito a arrepios só de imaginar a apresentação, insônia, tremedeiras e crises de mau humor. Espero que consiga lidar melhor com isso até o dia 7 de abril, mas até lá, quero que meus fieis leitores cuidem dos seus ouvidos e que me visitem novamente no mês que vem.

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Discos Comprados:
Showbiz @Muse (presente)
Origin of Symmetry @Muse (presente)
El Camino @Black Keys
A Hell of a Day @The Hells Kitchen Project (presente)

Discos Ouvidos:
Showbiz @Muse
Origin of Symmetry @Muse
El Camino @Black Keys
Brothers @Black Keys
A Hell of a Day @The Hells Kitchen Project
Old Ideas @Leonard Cohen
Whatever`s On Your Mind @Gomez
The Colour and The Shape @Foo Fighters
Wasting Light @Foo Fighters
The Very Best of Al Green @Al Green
The Very Best of Aretha Franklin @Aretha Franklin
Suck it and see @Arctic Monkeys
Sea Change @Beck
Lira @Lira
How do You Do @Mayer Hawthorne
The Very Best of Otis Redding @Otis Redding
The Very Best of Rolling Stones @Rolling Stones
Shapeshifting @Young Galaxy
O Pensamento é Um Imã @Vivendo do Ócio

(Re) Descobrindo Sons: Janeiro

(Re) Descobrindo Sons: Janeiro

Quais foram as músicas que vocês ouviram logo na entrada de 2012? Passei minha virada muito bem acompanhado e dividindo minha atenção entre as doses de absinto, as garrafas de Heineken, a televisão passando Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, e o Queens of the Stone Age quebrando o pau no som. Faziam anos desde a última vez que escutei um disco em um aparelho de som decente. A experiência foi sensacional. Geralmente sou meio apegado a certos detalhes e certamente, ter ouvido as minhas bandas favoritas durante a transição de um ano para o outro foi bem interessante. Gostei do momento de conciliar as melhores coisas da vida em uma única noite.

E quando você descobre que está no meio de colecionadores de todos os tipos? Se em 2010, quando eu iniciei a minha participação nas páginas laranjas do Audiograma, eu pensava que era um louco de gastar todo o meu salário com discos das bandas que eu mais gostava, hoje, dois anos depois, descubro que aquela compulsão era menos da metade do que posso observar no comportamento de outras pessoas tão próximas. Embora o papo aqui seja música, devo dizer que o Heitor Valadão, meu companheiro de redação no Cinema em Cena, possui uma coleção de Blu-rays com mais de 3000 títulos, incluindo aquelas edições raras e limitadas que os estúdios lançaram para agradar os fãs. O Renato Silveira, editor-chefe da página, é outro que tem uma coleção enorme. Pensava que não conhecia ninguém que tivesse uma paixão semelhante, mas que fosse voltada para a música. Ledo engano. Minha querida amiga Julia Goulart conseguiu encontrar a maioria dos lançamentos da banda Muse. Ela tem LPs, singles, caixas, livros, edições especiais dos discos de estúdio, enfim, ela tem (quase) tudo. Fiquei muito surpreso quando descobri – não que eu já não soubesse o quanto ela era doente com a banda, afinal ela foi em nada mais que nove shows da banda. Confesso que senti um alívio quando vi que o vício dela não se limitava à banda liderada por Matthew Bellamy. Haviam outros discos e edições especiais de outras bandas, como o The Suburbs, do Arcade Fire, em versão com as duas músicas extras e mais o curta-metragem dirigido por Spike Jonze. (vídeo MUITO interessante, por sinal)

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Falei isso tudo sobre as coleções alheias para dizer que eu não sou compulsivo e que, embora tenha edições especiais de alguns filmes, os discos mais raros da minha coleção são as edições importadas de So Real, de Jeff Buckley (uma coletânea e os leitores mais antigos sabem como me sinto à respeito dessas edições); Mer de Noms, de A Perfect Circle; e a tríade sagrada de Bob Dylan: Highway 61 Revisited, Bringing It All Back Home e The Freewheelin` Bob Dylan. E partindo para outros campos, a coisa mais rara e “espetacular” que está no meu armário é a edição de capa dura e numerada com os três volumes de O Senhor dos Anéis. Ou seja, sou um fraco. Acho que preciso endoidar um pouco nas minhas ideias e sair comprando coisas obscuras e montar uma coleção bizarra.

Em janeiro economizei um pouco nas compras de discos. Ok. Eu ando fazendo isso há tempos, mas prometo não ficar com menos de 12 novos títulos na coleção. Em compensação, finalmente, adquiri a minha cópia de Quando os Gigantes Caminhavam, de Mick Wall. Por enquanto estou finalizando a leitura de Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro, mas sei que não irá demorar muito para começar a devorar a biografia do Led Zeppelin. Esperei tempo demais para finalmente ter coragem de comprar o livro e na primeira oportunidade, não consegui deixar passar. Também resolvi retomar os velhos hábitos de frequentar shows de rock. Durante um final de semana inteiro, viajei de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e fui conhecer o famoso Teatro Odisseia, na Lapa, também conhecido como o paraíso das pessoas bizarras e lindas da cidade maravilhosa.

Seria um crime ignorar que foi graças à discotecagem de Tomás Tróia, da banda R.Sigma, que conheci uma das músicas mais surreais da MPB brasileira. Conheci o trabalho do Kassin através do Los Hermanos e da Orquestra Imperial, em meados de 2005. Sabia que ele havia lançado um disco muito elogiado em 2011, mas não fazia a menor ideia do teor das letras e das canções, logo quando ouvi as primeiras notas de “Calça de Ginástica” pensei que se tratava de uma nova canção do Cansei de Ser Sexy ou alguma banda de funk inteligente. Tentei me esforçar para lembrar outra música que tivesse versos tão bizarros, mas foi tudo em vão. Dificilmente alguém irá superar “quero transar com você no banheiro de paraplégicos usando calça de ginástica” e a situação fica ainda mais engraçada para quem sabe uma das versões da “origem” da música: parece que o Kassin era vizinho de um político e sempre o via saindo de casa usando uma calça de ginástica. Até que passou a ter sonhos eróticos com o tal político.

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A minha amiga Julia (aquela mesmo que coleciona qualquer coisa do Muse, incluindo o balão usado durante “Plug in Baby” na turnê passada) insistia para que eu ouvisse o disco de um tal de Cícero (foto). Minha primeira impressão com o nome era horrível. Um babaca com o mesmo nome havia dado em cima de uma ex-namorada (aquela que me atormentava em 2010) e já que sou meio “mimado”, acabei tomando raiva do nome. De qualquer maneira, disse que ouviria quando chegasse a hora. Muito me surpreendia saber que a Julia, completamente off do cenário alternativo nacional, insistia para eu conhecer um cara com pegada MPB, Bossa-nova e Los Hermanos. Aquilo tudo deveria ser o suficiente para que eu baixasse o excelente Canções de Apartamento e descobrisse o que é que o Cícero tinha, mas ao invés de partir para o download, esperei por uma apresentação ao vivo.

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Da mesma maneira que aconteceu em 2007, quando conheci o Móveis Coloniais de Acaju em uma apresentação incendiária no Circo Voador, observar aquele rapaz tímido, de olhos fechados, calmamente acomodado num banquinho e tocando seu violão foi algo muito impactante. O Cícero é um daqueles artistas raros e que por mais que existam pessoas para criticar negativamente e apontar semelhanças com os Los Hermanos, nada é o bastante para diminuir o talento do cantor. Poucas vezes ouvi algo que fosse tão sincero e triste na música brasileira. As letras do disco capturam exatamente a sensação de frieza que a solidão transmite. Cícero fala do amor como se fosse gente grande e toca na alma daqueles que apreciam a melancolia como se fosse algo doce. Prestem atenção no trabalho desse cara.

O Black Keys lançou um trabalho lindo no ano passado e virou o meu atual disco de cabeceira (ou disco para transportes coletivos e também para frequentar a academia). Além de “Lonely Boy”, existem várias outras canções animadas e que tem o estranho poder de modificar os rumos do seu dia. A tal magia da música, saca? Impossível não criar expectativa para conferir a banda ao vivo. Fãs de Led, como eu, com certeza compartilharão orgasmos com “Little Black Submarines”.

Imagem de Amostra do You Tube“Tighten Up” não está em El Camino, mas o clipe dela merece sua atenção.

No mês que vem terei a oportunidade de conferir os shows de Mayer Hawthorne e Criolo, ambos no Circo Voador. Deixarei para comentar sobre o Criolo após o show, mas preciso adiantar um dos temas da próxima edição da coluna e dizer que desde que descobri o clipe de “The Walk”, o norte-americano Hawthorne virou um dos meus ídolos do começo do ano. Sei lá quanto a vocês, mas eu adoro uma música safada, daquelas que você coloca para tocar quando está acompanhado de uma bela garota em sua casa para um jantar e sabe que a situação irá ficar muito quente. Ele é exatamente assim, além de ter um humor sensacional para lidar com relacionamentos, que costuma ser o tema central da maioria de suas canções. Escutem acompanhados.

Acho que já falei demais para o começo do ano, né? Bom 2012 para todo mundo e que todo mundo tenha muita música boa (e nova) para (re)descobrir. E vamos começar nossa contagem regressiva para o show do Foo Fighters?

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Discos Ouvidos:

- El Camino @Black Keys
- Canções de Apartamento @Cícero
- Efêmera @Tulipa Ruiz
- How Do You Do @Mayer Hawthorne
- I`m With You @Red Hot Chili Peppers
- Lira @Lirinha
- Live From Faraway Stables @Silverchair
- Lonely Avenue @Ben Folds e Nick Hornby
- Los Hermanos @Los Hermanos
- O Pensamento é um Imã @Vivendo do Ócio
- Nó na Orelha @Criolo
- Sea Change @Beck
- Tonight @Franz Ferdinand
- Thank You Happy Bityhday @Cage The Elephant

Foo Fighters planeja novo álbum para 2012

19 de dezembro de 2011 News Sem comentários
Foo Fighters planeja novo álbum para 2012

O Foo Fighters planeja entrar em estúdio em 2012 para gravar um novo álbum.

De acordo com a NME, o vocalista e guitarrista Dave Grohl divulgou a informação de que estaria reunindo novas ideias para novas músicas.

“Nós não acabamos. Temos mais shows para fazer, mais músicas para escrever, mais álbuns para gravar, muitos anos pela frente. Se, 17 anos atrás, alguém tivesse me dito que em 2012 eu estaria escrevendo músicas para o nosso oitavo álbum, bem…”, revelou Grohl.

A banda, que lançou Wasting Light – seu último álbum – em abril deste ano, concorre em seis categorias no Grammy, incluindo a de álbum do ano. Além disso, já tem passagem confirmada pelo Brasil no ano que vem. O Foo Fighters é headliner do Lollapalooza, que acontece em abril, na cidade de São Paulo.

Além do Som: Autotune way of life

Além do Som: Autotune way of life

De todas as premiações musicais, não existe dúvidas (pelo menos pra mim) de que o Grammy é aquela que é vista como a de maior reconhecimento e prestígio, seja pela crítica, pelos artistas e também por seus fãs. A mais recente das listas de indicados, liberada nesta semana, chamou a minha atenção para um “pequeno” detalhe, também conhecido como Foo Fighters (foto).

Em uma era onde Autotune, Pro-Tools e outros itens tecnológicos dominam boa parte da cena musical, é raro encontrar um artista que se utiliza dos velhos meios de gravação e edição para criar uma música ou álbum. Com o avanço da tecnologia, ficou cada vez mais fácil gravar um bom álbum ou atingir o sucesso. São inúmeros os exemplos na história recente da música que se encaixam em um desses pontos e, por isso, posso poupar as citações, certo?

As grandes questões (na minha humilde opinião) de todo esse debate são: Até que ponto os recursos tecnológicos são capazes de mascarar a qualidade musical de determinado artista? Quem se arriscaria hoje em dia em usar meios analógicos de gravação?

O Foo Fighters arriscou. Apostou na sua qualidade musical, na força de suas composições e fez nascer o Wasting Light. Sem Autotune, sem Pró-Tools, só com os instrumentos, vozes, habilidades, um estúdio na garagem de Dave Grohl e os métodos “antigos” a disposição, a banda confiou em tudo isso, arriscou e entregou (novamente, na minha humilde opinião) o melhor álbum do ano o melhor álbum da banda na sua história o melhor álbum lançado por qualquer artista nos últimos 10 anos. E, mesmo que isso não seja reconhecido pelas premiações, a banda conseguiu algo mais importante. Conseguiu (ainda mais) respeito.

Podemos fazer um exercício e apontar nomes que se arriscariam como o Foo Fighters se arriscou. E eu já antecipo, são poucos. Atualmente, vale mais entregar um álbum “perfeitinho”, mas corrigido pelos recursos tecnológicos, do que entregar um álbum onde teve que se colocar a mão na massa e fazer todo o trabalho, inclusive corrigir os possíveis erros. O que antes se levava (longos) meses para se ficar pronto, agora leva na prática apenas algumas semanas. E, mais uma vez, são inúmeros os exemplos de artistas que gravaram um novo álbum em 15, 20 dias. E isso me faz lembrar da prática do Los Hermanos, que se isolava do mundo por um longo período e só saia de lá com o álbum pronto.

Antes que alguém diga, não vou ser hipócrita a ponto de relegar o Autotune e demais itens as profundezas do inferno. Assim como muitos, eu apenas acredito que o músico deve confiar muito mais no seu trabalho, na sua vocação e na sua qualidade para produzir uma música ou álbum do que nesse tipo de tecnologia.

Uma coisa é você corrigir imperfeições, outra é ser coadjuvante deste tipo de técnica. Por isso, digo que hoje ficou muito mais fácil fazer sucesso e, por causa disso, virei um profundo defensor da famosa frase de Fausto Silva: “Quem sabe faz ao vivo”. E, mais uma vez, nem é preciso gastar muito tempo para lembrar de nomes do cenário atual que usam os recursos tecnológicos como “muleta” para os seus trabalhos e como isso faz diferença no “ao vivo”. Isso só torna mais difícil separar “o joio do trigo”, se é que você me entende.

Pensando nisso, encerro este texto refazendo uma pergunta: Quem teria coragem, hoje em dia, de se arriscar sem utilizar esses recursos?

(Re)Descobrindo Sons: A volta, parte 1!

(Re)Descobrindo Sons: A volta, parte 1!

A (Re)Descobrindo Sons passou por sérios problemas técnicos no decorrer de 2011. Sei que, se você for um dos cinco leitores cativos que essa coluna conseguiu com muito suor no ano passado (isso inclui a Raquel Ferraz, que revelou ter um senso de humor apurado ao afirmar que efetivamente achava essa coluna engraçada. Acho que ela é a única pessoa que ri COM e não DE mim, saca? Muito obrigado), deve ter lido muito essa desculpa. Usei ela quando deixei de fazer a coluna de outubro (a qual eu juro que existe até hoje e permanece no meu HD) e todas as outras. Tive que fugir do John Pereira o ano inteiro por faltas de justificativas, mas a verdade é que posso ser recriminado, pelo menos dessa vez.

Essa coluna é feita por uma pessoa muito sentimental e que depois de um ano inteiro (ou quase) desabafando sobre as amarguras de amar a pessoa errada, acabou ficando meio desanimado com as coisas, “aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e até resolveu voltar a trabalhar” só para conseguir seguir em frente. Só para provar que estou dizendo a verdade, em fevereiro escrevi os esboços da coluna e ficou desse jeito aqui:

“[...] Parece ser o mês favorito para se refugiar por uns dias em outro estado e “esquecer” dos problemas. Tenho um pouco de inveja de quem consegue se desligar (e ter companhias para isso) por duas semanas e volta com as energias renovadas. Certamente que isso deve fazer bem para quem sabe viver e enfrentar a vida. Pensem só em como seria mais proveitoso ouvir discos curtindo as ondas, um bando de mulheres de biquínis  minúsculos, peixe frito, limão, água de coco, areia entrando pelos calções e de quebra, se Deus existir de verdade, a companhia de uma pessoa sensacional e que faz A diferença… Não é o caso ainda, mas espero poder fazer isso no mês que vem.

Imagem de Amostra do You TubeNão conhece ainda? Tá esperando o que para ouvir “Toda Luz” do Gram?

A primeira audição do mês ficou por conta dos paulistas do finado Gram. Se você nunca ouviu nenhum dos dois discos do grupo ou teve a sorte de conferir uma apresentação ao vivo (viajei para o Rio de Janeiro em 2006 para poder ver o show; e vi a única apresentação deles em BH, a Obra virou um inferno e nunca vou esquecer o final épico com “Where is My Mind?” do Pixies), a sua vida romântica é incompleta. Diz a lenda que Sérgio Filho escreveu as letras do primeiro disco enquanto ouvia o excelente Bloco do Eu Sozinho dos barbados favoritos da geração indie brasileira. O Gram sempre foi comparado com o Los Hermanos, mais pela poesia das letras do que pelo instrumental com uma pegada bem mais rock n`roll. O disco conta com verdadeiras pérolas da fossa amorosa como “Toda Luz” e “Você Pode ir na Janela” (aquela do clipe do gatinho), e porradas como “Faça Alguma Coisa”. Pelo menos em Belo Horizonte é bem complicado achar um dos dois discos da banda, mas vale a procura. Vale mesmo. O Gram faz uma falta danada, mas coisas boas não duram muito tempo… em todos os sentidos da vida.”

Viram só? Não estava brincando. A coluna de janeiro é um “pouco menos pior”, mas essa vocês correm o risco de ler na integra. De qualquer forma, felizmente (para conservar pelo menos um leitor, né?) essa história chegou ao seu final, não foi feliz, mas já troquei o disco e estou em outro filme nesse momento. Certeza que ele terá o mesmo desfecho onde o mocinho vai para casa dormir sozinho e papear com a parede, mas ele cresceu muito e aprendeu que, embora a felicidade só seja real quando compartilhada, é possível ser feliz sozinho.

Ainda que não tivesse passado por essa lobotomia amorosa, a minha contribuição teria sido quase nula em 2011. Como já afirmei anteriormente, a (Re)Descobrindo Sons sempre foi uma apologia para o consumo inconsequente e irresponsável de boa música, mas como eu poderia cooperar com essa proposta se deixei de lado meu lado consumista (compulsivo, de acordo com meu último psiquiatra. O anterior pediu demissão e começou a fazer terapia. Há, essa foi tão ruim quanto o filme que tem essa quote) durante parte do ano? Fiquei desempregado (a vida não tá fácil) até maio e estava sem condição alguma de gastar dinheiro com discos, razão de existir da coluna. Sem falar que priorizei bastante o meu site Cinema de Buteco, depois acabei indo trabalhar no Cinema em Cena, o que me fez deixar a parte “profissional” de ser um bom apreciador da música completamente de lado.

Imagem de Amostra do You TubePorque Odair José quis me tirar desse lugar.
Aliás, recentemente foi publicado um texto sobre o artista aqui no Audiograma.

Passei muito tempo refletindo sobre levar essa coluna adiante ou deixar uma marca de vermelha nas páginas laranjas desse site conduzido pelo John e sua eficiente trupe. Depois de uma breve reunião, pelo Facebook mesmo, com o senhor Editor-Chefe do Audiograma, optamos por dar continuidade ao trabalho. Na verdade, o John afirmou com todas as letras que se eu escrevesse logo todas as 12 colunas de 2012, ele me daria um par de ingressos para levar a Samilla Majidah para o show do Ben Harper. Como recusar essa proposta? Então, a boa notícia é que, para a alegria dos meus quatro leitores, estamos de volta!

Já que estamos no final do ano, seria muita cara de pau falar de tudo que ouvi ao longo dos últimos onze meses (embora eu tenha intenção de enviar a coluna de janeiro/2011 para aprovação e eventual publicação. Qual o problema?). Minha intenção é fazer uma pequena retrospectiva de alguns momentos que vivi com a música esse ano. Como foram poucos discos adquiridos (você confere logo abaixo), a prioridade serão os shows, ainda mais que foi graças ao show do U2 e do festival Rock in Rio que eu marquei presença nas páginas laranjas. Em abril publiquei a minha crítica pessoal de duas das três apresentações que a banda realizou em SP, também conhecida como a cidade desprovida de amor. Em setembro ajudei com algumas matérias especiais do Rock in Rio (confesso que só fiz isso porque pensava que haveria um sorteio de ingresso entre a equipe para rolar uma cobertura foda no evento). Com apenas essas duas colaborações, fico pensando que os meus chefes no Audiograma devem ter planos para me levar para o sofá um dia (porque certos chefes de sites na Internet fazem isso, principalmente quando rola um buteco no meio da história), porque sou muito incompetente. Eu me demitiria. E olha que já me mandaram embora por muito menos, hein?

Como existe a enorme possibilidade dessa coluna ficar gigantesca (e eu ser acusado de ser prolixo por um dos meus três leitores restantes), nada mais justo que dividir em partes e ir publicando aos poucos. Tenho comigo que 2012 será um ano diferente, no qual estarei presente para dividir alegrias e tristezas, faça chuva ou sol, sempre com vocês. Não vou dizer que juro pela morte do Dave Grohl, pois seria um sacrilégio tremendo (e acabo de perder outro leitor), mas eu garanto que estarei aqui pelas próximas semanas para tentar divertir vocês com nada ou quase nada de útil, mas nessa era virtual, alguém realmente fornece material útil ou indispensável?

Imagem de Amostra do You TubeCachorro? Que cachorro o que, eu não sou cachorro grande não.

Obrigado ao John e toda a equipe responsável por manter o Audiograma no ar durante todos esses meses, que viram anos e assim por diante. Muito bom fazer parte dessa equipe. E fica o agradecimento para aqueles que visitam as páginas laranjas e curtem as notícias no Facebook, participam das promoções e ajudam a divulgar o site. Certinho? Um grande valeu.

Para não abandonar o lado consumista da (Re)Descobrindo Sons pensei em incluir, além dos discos adquiridos, uma seleção de DVDs e livros, afinal não é só de música que vive o nosso cérebro e eu acho que posso oferecer boas dicas. Ainda que copie todas das páginas da VIP e da PLAYBOY, vocês nunca saberão.

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* O Foo Fighters foi confirmado oficialmente na programação do Lollapalooza Brasil na manhã da última segunda-feira, 21 de novembro. Porém os leitores do Audiograma já sabiam disso desde setembro, quando foi publicado esse texto aqui.

Imagem de Amostra do You Tube“Todos os meus amigos, todos os meus amigos, todos os meus amigos voam… voam… voam…”, mas abril continua longe.

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Discos Comprados:

- Wasting Light @ Foo Fighters
- Efêmera @ Tulipa Ruiz
- Coltrane Plays the Blues @ John Coltrane
- If Not Now, When? @ Incubus
- A Perfect Circle @ A Perfect Circle
- In Rainbows @ Radiohead
- Morning View @ Incubus
- Nevermind @ Nirvana
- Greatest Hits @ Neil Young

Discos Ouvidos:

Tá de sacanagem, né?

Saiba tudo sobre o Lollapalooza Brasil 2012

21 de novembro de 2011 News 1 comentário
Saiba tudo sobre o Lollapalooza Brasil 2012

A espera acabou. Em entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda, a produção confirmou todos os detalhes principais do Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 07 e 08 de abril de 2012, em São Paulo.

O Jockey Club receberá mais de 60 artistas nacionais e internacionais, encabeçados por nomes como Foo Fighters, Arctic Monkeys e Jane’s Addiction. Além deles, MGMT, TV On The Radio, Calvin Harris, Cage The Elephant, Joan Jett & The Blackhearts, Gogol Bordello, Friendly Fires e Foster The People são alguns dos nomes internacionais do festival. Entre os nomes nacionais, O Rappa, Plebe Rude, Pavilhão 9, Velhas Virgens, Wander Wildner e Marcelo Nova são alguns dos nomes que estarão presentes na edição brasileira do Lolla.

Os ingressos começam a ser vendidos a partir das 00:01 desta terça-feira, 22 de novembro, mas são destinados apenas aos que se cadastraram no site oficial do festival. Quem efetuou o cadastro recebeu, por e-mail, uma senha para fazer a compra antecipada do Lollapass, passaporte que dá direito aos dois dias do festival, na primeira pré-venda. Os valores (inteira) são de R$ 500 nesta pré-venda e o valor poderá ser parcelado em até 3x sem juros no cartão.

A venda convencional contará com postos físicos (além da internet) e começa, a princípio, no dia 05 de dezembro. Na venda convencional, teremos o Lollapass e os ingressos avulsos para cada dia do festival. Os valores e a ordem das apresentações serão revelados somente na abertura das vendas.

O lineup completo do festival e mais informações podem ser visualizadas no site oficial do Lollapalooza.

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Abaixo você vê o mapa do festival:

Especial Rock In Rio: Uma pitada de Foo Fighters

Especial Rock In Rio: Uma pitada de Foo Fighters

Escrever sobre um show do Foo Fighters ocorrido há mais de 10 anos é uma coisa deprimente, mas ao mesmo tempo empolgante. Naquele sábado, 13 de janeiro de 2001, o Foo Fighters subiu ao palco principal para ser “apenas” uma das atrações da noite. Eles abriram o show do REM. Claro que não se pode dizer que hoje a situação seria o inverso, mas são poucas as bandas capazes de fazer frente ao que o FF é hoje. Engraçado como as coisas mudam em tão pouco tempo.

Foram vários momentos especiais naquela noite. Cassia Eller invadiu o palco para cantar parabéns para Dave Grohl, cujas calças estavam rasgadas na bunda. Eller, como a maioria das pessoas deve recordar, era uma das maiores fãs brasileiras do Nirvana e não perdeu a oportunidade de cumprimentar um dos responsáveis por toda a mudança da música proporcionada por Kurt Cobain e companhia. Mas foi com o solo de bateria de “Stacked Actors” que o show entrou para a memória das pessoas. Como ignorar a potência daquela música e o jeito que Grohl e Taylor Hawkins estraçalhavam a bateria?

Foram 13 músicas para a apresentação que a banda considerou como a maior que o Foo Fighters já havia participado. Tudo, da abertura com “Breakout”, single da vez, até “Monkey Wrench” e a épica “My Hero”, foi conduzido com uma maestria irresponsável que só o FF conseguiria. “Everlong” foi a responsável pelo encerramento da performance de uma banda bem jovem e que estava no caminho para amadurecer. Dave Grohl tocando de bermuda, magrelo e desengonçado, são coisas que hoje não fazem mais parte da realidade do grupo, que conseguiu manter a pegada agressiva com o amadurecimento pessoal de cada um de seus integrantes.

A apresentação empolgante deixava no ar o clima de que um dia, o Foo Fighters seria grande. Estavam começando a ser respeitados e os bons ventos começaram a colocar Grohl e companhia na cabeça e ouvidos de muita gente. O Brasil sonha com o retorno da banda, coisa que poderá ser oficializada a qualquer momento com o anúncio do lineup do Festival Lollapalooza. É esperar para ver.