Colunas

Neo-Música: Meu jantar com Dennis Sinned

Dennis Sinned: eu diria que este nome representa um jovem artista parcialmente niilista, cujas ideias dançam entre ritmos existencialistas e pessimistas. Essa dança encobre-se por uma mescla de diversificadas e ilustres referências culturais, cujo resultado, muitas vezes, esbarra em críticas sociais e menções de temáticas políticas ou filosóficas.

Sinned é mais ou menos tudo isso que citei acima, mas prefiro não postular definições absolutas a respeito deste músico, pois sua genialidade se mostra sempre versátil, sendo se contraindo formulada por inúmeras referências desembocando em músicas amplamente qualificadas. Em todo o seu trabalho concretizado até os dias de hoje, suas principais referências são bandas de Punk nacional, tais como Escola de Escândalos, Arte no Escuro, Ira! e Legião Urbana. Além disso, de maneira geral, Dennis possui uma influência grande da Cold Wave e do Post Punk francês, gêneros estes, que ele escutava com frequência quando começou a tocar músicas próprias. Atualmente, o músico é influenciado por bandas de Indie, Shoegazer e até mesmo de Folk.

Como podemos perceber, Dennis é um músico que trabalha com liberdade e a consequência disso é que sua arte desemboca em obras brilhantes. E a melhor parte de tudo isso, é que este potente artista é nacional, e devemos celebrar este fato. Nosso país possui muitos músicos qualificados ocultos em meio ao domínio da indústria vigente que tanto hipnotiza as massas com padronizações arquétipas. Felizmente temos o legado que Dennis está construindo.

Abaixo, comentarei brevemente sobre algumas das bandas das quais ele participou, e pontuarei descritivamente algumas das minhas músicas favoritas. É válido comentar que o artista teve participação direta na fundação de todas elas, sendo que banda Segundo Inverno foi criada com Renato Andrade e a Maldaz com amigos da vizinhança. Já as bandas Days Are Nights e As Cinzas Do Tempo foram criação exclusiva do músico.

dennissinned_02

# Maldaz (since 2013)

Banda de Ska. Sonoridade resultante de uma combinação estrondosa de instrumentos, e músicas bem atrativas para dançar e/ou chacoalhar a cabeça.

Indicações de música – “16”: depois que a gente escuta o trecho “a verdade está jogando Playstation e não consegue salvar”, não há mais nada a declarar, só resta cair no som. Essa faixa está em primeiro lugar porque acho que ela basta para admirar o trabalho do Dennis.

# Segundo Inverno (since 2011)

Atmosfera sublime com uma glamourosa preciosidade romântica.

Indicações de música – “Notícias Da TV”: uma poesia que disseca a crueza da realidade cotidiana. Palavras sinceras encobertas por um ritmo cativante.

# População Zero (since 2016)

Tradicional Pós-Punk, banda mais nova fornada por Sinned. Possui um conjunto de ruídos agradavelmente harmônicos e uma guitarra bem acentuada. O primeiro álbum foi lançado em 2016. Este é o trabalho mais atual de Dennis Sinned.

Indicações de música – “Gaza”: uma letra bastante politizada mesclada com um conjunto instrumental elogiável e ligeiramente sombrio.

# Cinzas Do Tempo (since 2008)

Possui uma aura sombria, carregando influências notáveis da Darkwave. Um sopro gelado de versos profundos e de melodias melancólicas.

Indicações de música – “Nenhum Gesto de Inocência”: uma canção nebulosa com uma letra bynorista. Excelente para ser escutada em noites frias e em dias nos quais nossas almas são assombradas por qualquer tipo de pensamento perturbador.

# Days Are Nights (since 2006)

Um trabalho caracterizado por liberdade, no qual as construções musicais diversificam-se um pouco mais do que nos outros.

Indicações de música – “Fumei Com Sartre No Jardim” e “Garota Libertária”: a primeira das faixas abaixo (que é sensacional e gruda na cabeça) possui um doce e agradável lirismo, conta com um baixo acentuado e, até esbarra numa sonoridade Pop com respaldos de Reggae. A segunda tem uma introdução fantástica com um baixo que é de arrepiar e também possui uma letra simplesmente brilhante. A terceira, possivelmente é a que mais me agrada, tanto pela letra quanto pelo trabalho instrumental. Destaque para a sonoridade delirante da guitarra.