O quê que a trilha tem?: Tudo acontece em Elizabethtown

O quê que a trilha tem?: Tudo acontece em Elizabethtown

“Você tem um tempo para se entregar a uma tristeza absoluta.
Curta-a, abrace-a, descarte-a.
E siga em frente”

Filmes onde o personagem principal passa por um problema que parece sem solução e então, em meio ao seu desespero, encontra alguém que o faz ver que nada é tão ruim assim não é novidade para ninguém. Existem aos montes e tem tudo para cair em lugar comum e se tornar apenas mais um nas prateleiras das locadoras ou aquele filme sessão da tarde que você assiste quando não tem nada mais interessante para fazer. Nas mãos de outro diretor isso poderia certamente ter acontecido com Tudo Acontece em Elizabethtown, mas não nas de Cameron Crowe.

Não vou entrar no mérito de se o roteiro tem ou não furos, se a atuação do Orlando Bloom compromete ou não, mas gostando ou não do filme, não dá pra negar que a trilha sonora aqui, como em todos os filmes do Crowe (Quase Famosos, Jerry Maguire, Vanilla Sky) é um elemento importantíssimo e amplia a intensidade das cenas. O que seria das cenas da road trip sem a trilha sonora, onde uma música de cada estilo é tocada de acordo com a situação representada? Ou o que seria da cena do funeral sem My Father’s Gun? Como de costume, as palavras somem e a música fala pelos personagens e, claro, pelo público.

Apaixonado por música, Crowe sempre capricha na trilha de suas produções que, neste filme conta com artistas como Tom Petty, Elton John, The Temptations, U2 e sua esposa Nancy Wilson, responsável pela trilha incidental do filme. As canções são, em sua maioria, rocks mais de raiz, para ficarem mais com a cara de Kentucky, onde a maior parte da história se passa. E para isso, Crowe resgata dos mais desconhecidos aos clássicos do rock, fazendo uma mistura que completa o filme e que corre o risco de deixar o telespectador tão centrado no que está tocando que ele acaba se perdendo um pouco da cena. Mas nada muito grave. Afinal, a trilha pode sim ser encarada, aqui, como uma das subtramas do longa.

Foi difícil escolher uma cena só para ilustrar essa coluna, várias passaram pela minha mente, mas essa é sem dúvida uma das melhores canções do filme, então optei por este vídeo com compilação de imagens do filme tendo My Father’s Gun, do Elton John como trilha, afinal, na cena onde esta música toca, ela se torna mais um personagem, deixando a cena já carregada de emoção, ainda mais emocionante.

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CD Tudo Acontece em Elizabethtown

Gravadora: SONY BMG
1. 60B (Etown Theme) – Nancy Wilson
2. It”ll All Work Out – Tom Petty and the Heartbreakers
3. My Father”s Gun – Elton John
4. io (This Time Around) – Helen Stellar
5. Come Pick Me Up – Ryan Adams
6. Where to Begin – My Morning Jacket
7. Long Ride Home – Patty Griffin
8. Sugar Blue – Jeff Finlin
9. Don”t I Hold You – Wheat
10.Shut Us Downbayk – Lindsey Buckingham
11. Let It Out (Let it All Hang Out) – The Hombres
12. Hard Times – eastmountainsouth
13. Jesus Was a Crossmaker – The Hollies
14. Square One – Tom Petty
15. Same in Any Language – I Nine

O quê que a trilha tem?: O Rei Leão

O quê que a trilha tem?: O Rei Leão

Em mês de show de Elton John pelo Brasil essa coluna não poderia falar de outra trilha que não a do clássico da Disney, O Rei Leão. Com músicas de Tim Rice, Hans Zimmer e Elton John, o Rei Leão tem uma trilha marcante e certamente inesquecível. Não é à toa que até hoje figura entre as dez trilhas mais vendidas em todo o mundo.

Conheço diversas pessoas que viram O Rei Leão quando crianças e que mesmo hoje, jovens adultos, ainda o consideram o filme mais marcante da Disney. Não tem muito mistério, é impossível não se reconhecer, em algum ponto, com o pequeno Simba. Quando crianças, Simba é um filhote e é fácil se ver naqueles olhos curiosos, na admiração pelo pai… quando adultos vemos que como Simba, também fomos obrigados a amadurecer, a fazer escolhas. Essa mudança da infância para a fase adulta faz parte do ciclo da vida e é inevitável.

O Rei Leão é mais um daqueles filmes que acredito que não seria a mesma coisa se não fosse por sua trilha contagiante e épica. Através de canções como O Ciclo Sem Fim, que abre o filme, O Que Eu Quero Mais É Ser Rei, que ilustra a personalidade brincalhona e sonhadora do pequeno Simba, e, é claro, Hakuna Matata, que se tornou a música mais famosa entre crianças e adultos de toda uma geração, ilustrando a filosofia de vida de Timão e Pumba, vamos acompanhando a história do pequeno leão, desde seu nascimento até a vida adulta, vendo e sentindo seus dramas, suas dúvidas, angústias e claro, momentos de brincadeira com os amigos e alegrias. Ou seja, como na música O ciclo sem fim, vamos acompanhando o ciclo de amadurecimento e de autoconhecimento de Simba, que assim como nós, em determinado momento é obrigado a encarar seus medos e angústias e escolher que rumo dar para sua vida.

A trilha, assim como o filme em geral, foi tão bem recebida que Hans Zimmer ganhou o Oscar de 1995, além do Globo de Ouro e do Bafta com melhor trilha sonora e Can You Feel the Love Tonight ganhou como melhor canção original.

Pra encerrar a coluna de hoje, nada melhor do que aquela que virou um lema de vida para muita gente, hakuna matata.

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O Rei Leão – Trilha Sonora
Artista: Vários
Gravadora: Walt Disney Records ( Áudio )

 01. Ciclo Sem Fim
02. O Que Eu Quero Mais É Ser Rei
03. Se Preparem
04. Hakuna Matata
05. Nesta Noite O Amor Chegou
06. Relatório Matinal
07. As Terras Do Reino
08. É De Matar
09. Hienas
10. Sob A Luz Das Estrelas
11. O Soberano Da Pedra Do Rei
12. Can You Feel The Love Tonight [End Title]
13. Can You Feel The Love Tonigth [Remix] 

O quê que a trilha tem?: Na natureza selvagem

O quê que a trilha tem?: Na natureza selvagem

“A felicidade só é real quando compartilhada”

(Alexander Supertramp)

 

Na natureza selvagem (Into the wild), dirigido por Sean Penn é um filme que não precisaria de muito para ficar na memória por um bom tempo. A história de Christopher McCandles, um jovem recém-formado que abre mão da vida confortável garantida pelos pais, para ser livre já garantiria, por si só, muito o que pensar e refletir. Mas soma-se a isso uma direção primorosa, fotografias exuberantes, uma atuação sensacional por parte do Emile Hirsch e claro uma trilha sonora arrebatadora, toda composta especialmente para o filme por ninguém mais ninguém menos que Eddie Vedder.

O filme seria ótimo sem sua trilha sonora? Com certeza, mas o estilo rústico das músicas e a voz de Vedder caem como uma luva no ritmo e na fotografia do filme e com 11 canções, que se aproximam do folk, repletas de sons de banjo e ukulele, a trilha se encaixa perfeitamente nos diversos momentos retratados e nos faz mergulhar ainda mais na história enriquecendo o clima de descobertas, sofrimento e superação. Uma trilha poética, despojada e extremamente sensível, assim como o filme. E que, se prestarmos atenção nas letras, contam a história dos ideais do Christopher, assim como as imagens reproduzidas na tela.

Trilha e filme se complementam tão bem que é interessante perceber que a primeira música do filme, Guaranteed, é a mais intimista, mais lenta e à medida que Christopher vai entrando em contato com a natureza, com seu sonho, elas vão se tornando mais vibrantes. Long nights, por sua vez, que toca enquanto Christopher encontra o ônibus e começa a descobrir a natureza ao seu redor, fala exatamente de descobertas, crescimento, novas vivências.

Enfim, é impossível ver o filme e não se sentir tocado pela história, afinal quem nunca se questionou sobre os rumos que sua vida estava tomando, quem nunca desejou largar tudo, colocar uma mochila nas costas e sair por aí em busca de um novo começo? Ao mesmo tempo, torna-se impossível ouvir o CD e não lembrar das inúmeras paisagens retratadas e das aflições e angústias vividas pelo protagonista.

Seria difícil escolher apenas uma cena do filme onde a trilha tivesse sido marcante e onde trilha e imagem se fundissem de tal forma que o que os olhos assistiam ganhavam uma dimensão emotiva ainda maior. Por isso, para encerrar esta coluna nada melhor do que uma compilação de trechos do filme ao som de uma das melhores canções que compõem a trilha. Se é que podemos dizer isso.

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PS: A faixa Guaranteed, ganhou o Globo de Ouro e foi indicada ao Grammy 2008.

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INTO THE WILD – EDDIE VEDDER
Music for The Motion Picture
Gravadora: SONY BMG
 
01. Setting Forth
02. No Ceiling
03. Far Behind
04. Rise
05. Long Nights
06. Tuolumne
07. Hard Sun
08. Society
09. The Wolf
10. End Of The Road
11. Guaranteed

 

O quê que a trilha tem?: De repente 30

O quê que a trilha tem?: De repente 30

Tem filmes que marcam por ter um roteiro bacana, por contarem com seus artistas favoritos, pela bela fotografia, mas no caso de De Repente 30 se há um responsável por eu parar na frente da TV todas as vezes que o filme passa esta é a trilha sonora (e o Mark Ruffalo, é claro!).

A trilha, recheada de clássicos dos anos 80, com nomes como Michael Jackson, Whitney Houston, Madonna, Billy Joel, Liz Phair entre outros, é o que diferencia De Repente 30 das outras milhares de comédias românticas que vemos todos os dias na sessão da tarde. E claro, todo o clima de nostalgia que acompanha o filme, principalmente se você, assim como eu, foi criança naquela época.

O mais legal é que ao assistir o filme se tem a sensação de que todos estão se divertindo e as músicas dão ainda mais força a este sentimento. É impossível não cantar Love is a battlefield, a plenos pulmões durante a cena da festa do pijama, ou se pegar fazendo os gestos da coreografia de Thriller durante a festa.

E as músicas parecem ir amadurecendo junto com a personagem de Jenna, se tornando mais introspectivas, como é possível perceber em Vienna, em uma das cenas mais belas do filme. E se você nunca prestou atenção na letra da canção interpretada por Billy Joel, vale a pena fazer isto, pois é fácil se identificar com a letra em pelo menos algum momento da vida.

De Repente 30 pode ser apenas mais uma comédia romântica ou um passeio delicioso pela década de 80 e pelos prazeres e amargores de crescer. Eu, definitivamente fico com a segunda opção.

E como não poderia deixar de ser, aqui vai uma das cenas mais clássicas do filme, ao som de Thriller.

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Título: De repente 30
Título Original: 13 going on 30
Álbum: Original Soundtrack
Gravadora: Hollywood

01.  The Go-Go’s – Head Over Heels
02.  Rick Springfield - Jessie’s Girl
03.  Talking Heads – Bringing Down The House
04.  Belinda Carlisle – Mad About You
05.  Whitney Houston - I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)
06.  Lillix – What I Like About You
07.  Vanilla Ice - Ice Ice Baby
08.  Madonna - Crazy For You
09.  Billy Joel - Vienna
10.  Liz Phair - Why Can’t I?
11.  Soft Cell - Tainted Love
12.  Pat Benatar - Love Is A Battlefield
13.  Ingram Hill – Will I Ever Make It Home

O quê que a trilha tem?: Buena Vista Social Club

O quê que a trilha tem?: Buena Vista Social Club

Trilhas sonoras fazem parte de filmes de todos os estilos e gêneros. Alguns filmes são lembrados por suas trilhas sonoras que se tornaram clássicos. Outros filmes são lembrados por seus personagens principais, mas a trilha sonora marca a presença de cada um deles e o filme não seria o mesmo se não houvesse a ligação entre personagens-músicas. É isso que acontece no filme Buena Vista Social Club (1998), dirigido pelo alemão Win Wenders (Asas do desejo) com trilha sonora de Ry Coode.

A ideia inicial do projeto do guitarrista e produtor musical Ry Coode não era a realização do filme e sim a gravação de um disco com os principais artistas da velha guarda cubana tocando e cantando clássicos da música da ilha de Fidel. Para isso, Ry reuniu os artistas em um grupo que nunca existiu anteriormente, cada um deles tinha sua própria carreira e alguns nunca cantaram juntos porque eram de épocas diferentes.

O filme de Win Wenders é resultado da reunião dos artistas em duas apresentações: uma em Amsterdã, na Holanda e outra no Carnegie Hall, em Nova York. Além das imagens dos shows, o diretor também compilou depoimentos e imagens de arquivo dos ensaios e da gravação do disco.

Buena Vista Social Club é um filme reflexivo e emocionante. A situação econômica e social de Cuba funciona como parte do plano de fundo para as histórias de vida e carreira de cada um dos artistas participantes que, apesar das dificuldades, se divertiram e nos divertem no filme. É emocionante ver Compay Segundo, Omara Portuondo e Ibrahim Ferrer cantando juntos. O filme também funciona como documento histórico, não somente para a música cubana, mas também para a história da ilha.

O álbum produzido por Ry Cooder venceu o Grammy e é o disco de world music mais vendido no mundo. O documentário dirigido por Win Wenders foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Documentário. O Buena Vista Social Club também venceu o Grammy de Melhor Performance Latina. Vale a pena ouvir o álbum e depois assistir ao filme.

Buena Vista Social Club – Chan Chan

Faixas:

01 – Chan Chan – intérprete Eliades Ochoa

02 – De Camino a la Vereda – intérprete Ibrahim Ferrer

03 – El Cuarto de Tula – intérprete Ry Cooder

04 – Pueblo Nuevo – intérprete Rúben Gonzales

05 – Dos Gardenias – intérprete Ibrahim Ferrer

06 – Y Tú Qué Has Hecho? – intérprete Compay Segundo

07 – Veinte Años – intérprete Omara Portuondo

08 – El Carretero – intérprete Eliades Ochoa

09 – Candela – intérprete Ibrahim Ferrer

10 – Amor de Loca Juventud – intérprete Compay Segundo

11 – Orgullecida – intérprete Compay Segundo

12 – Murmullo – intérprete Ibrahim Ferrer

13 – Buena Vista Social Club – intérprete Ry Cooder

14 – La Bayamesa – intérprete Manuel Licea

O quê que a trilha tem: Across the Universe

O quê que a trilha tem: Across the Universe

Em semana de show de Paul McCartney no Brasil e do lançamento do vídeo de My Valentine, do mesmo Paul, eu não poderia escolher outra trilha para falar a respeito do que a do filme Across the Universe, da diretora Julie Taymor. Um musical feito totalmente em cima das músicas dos Beatles.

Na história, Jude (Jim Sturgess) deixa Liverpool para ir conhecer o pai nos Estados Unidos e lá, se torna amigo de Max (Joe Anderson) e conhece sua irmã, Lucy (Evan Rachel Wood). Eles vão para Nova York e se envolvem com músicos e com a conturbada situação dos anos 60. Mensagem política, história de amor, pirações dos anos 60, tudo está ali, bem diante dos nossos olhos, pontuados pelas canções imortalizadas dos garotos de Liverpool.

E as músicas acabam se tornando um personagem importante. Nada parece forçado e é como se aquela determinada música pedisse para estar ali, exatamente naquele momento, totalmente bem complementada pela tradução visual, ora totalmente lírica e outras com um tom extremamente psicodélico, ilustrando, inclusive, as diversas fases do grupo. As emoções são transpostas sobre as músicas e, sendo beatlemaníaco ou não, é impossível não se emocionar.

Algumas pessoas podem não gostar do fato de os próprios atores interpretarem as canções, mas na minha opinião isso dá ainda mais força e intensidade ao filme e If I Fell, na voz e interpretação de Evan Rachel Woods é de arrepiar, assim como Helter Skelter com Dana Fuchs.  Vale mencionar também as participações mais do que especiais de Bono Vox, em Lucy in the Sky With DimondsI Am The Walrus, na parte mais psicodélica do filme e de John Cocker em Come Together. 

Um retrato fiel da geração sessentista com seus dramas interiores, a importância do meio, as dúvidas, a revolta diante da guerra e de toda a situação conturbada politica e social da época, os amores, as drogas. Um retrato fiel da época dos Beatles e, por isso, as músicas, sejam as de amor, sejam as mais politizadas, se encaixam também em cena.

Amante ou não do quarteto inglês, vale a pena preparar a pipoca e se entregar a Across the Universe. O roteiro pode ser um pouco previsível, mas como já diziam os Beatles, All We Need Is Love. Abaixo, a interpretação de Strawberry Filds Forever.

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Faixas

DISCO 1: 
1. Girl – Jim Sturgess
2. Hold Me Tight – Evan Rachel Wood
3. All My Loving – Jim Sturgess
4. I Want To Hold Your Hand – T.V. Carpio
5. With A Little Help From My Friends – Jim Sturgess/Joe Anderson
6. It Won’t Be Long – Evan Rachel Wood
7. I’ve Just Seen A Face – Jim Sturgess
8. Let It Be – Carol Woods/Timothy T. Mitchum
9. Come Together – Joe Cocker
10. If I Fell – Evan Rachel Wood
11. Dear Prudence – Evan Rachel Wood/Dana Fuchs
12. Flying – Secret Machines
13. Blue Jay Way – Secret Machines

DISCO 2: 
1. I Am The Walrus – Bono/Secret Machines
2. Being For The Benefit Of Mr. Kite – Eddie Izzard
3. Because – Evan Rachel Wood/Dana Fuchs
4. Something – Jim Sturgess
5. Oh! Darling – Dana Fuchs/Martin Luther McCoy
6. Strawberry Fields Forever – Jim Sturgess/Joe Anderson
7. Revolution – Jim Sturgess
8. While My Guitar Gently Weeps – Martin Luther McCoy
9. Across The Universe – Jim Sturgess
10. Helter Skelter – Dana Fuchs
11. Happiness Is A Warm Gun – Salma Hayek/Joe Anderson
12. Black Bird – Evan Rachel Wood
13. Hey Jude – Dana Fuchs
14. Don’t Let Me Down – Dana Fuchs
15. All You Need Is Love – Dana Fuchs/Jim Sturgess
16. Lucy In The Sky With Diamonds – Bono

O quê que a trilha tem?: My Blueberry Nights

O quê que a trilha tem?: My Blueberry Nights

Dia desses, após assistir mais uma vez o longa My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado) do cineasta chinês Wong Kar Wai (Amor à Flor da Pele, 2046 e Felizes Juntos) me vi ansiosa para falar sobre sua trilha e aqui estou.

Pra quem não sabe, My Blueberry Nights é o primeiro filme do cineasta em língua inglesa e conta a história de Elizabeth (Norah Jones), uma jovem que descobre que seu namorado a vinha traindo ao procurá-lo no café de Jeremy (Jude Law), um charmoso jovem inglês que também havia sido abandonado anos atrás pela namorada. Os dois passam então a dividir suas angústias todas as noites, enquanto ela saboreia uma fatia de torta de blueberry com sorvete. E vale aqui destacar a linda metáfora da torta, sempre descartada praticamente inteira, com a forma como Elizabeth se sente. O casal conversa, come, ri, compartilha histórias e chora junto, sob a luz azulada do café e os olhos atentos da câmera de vigilância. Não satisfeita, Elizabeth sai pelo país em busca de um sentido para sua vida, conhecendo pessoas diferentes e se auto-descobrindo. Entre essas pessoas estão um policial (David Strathairn) que é obcecado pela ex-mulher (Rachel Weisz), e uma jovem jogadora de pôquer (Natalie Portman).

Mas não irei me estender na história, uma vez que a intenção aqui é falar sobre a trilha sonora que, neste caso, para muitos, é ainda superior ao filme. Na minha opinião, não se trata de ser ou não superior, mas a música não é simplesmente uma trilha sonora pontuando emoções, ela é quase uma atriz coadjuvante. Aliás, Wong Kar Wai é um diretor que deixa claro em todos os seus filmes a importância que a trilha e a fotografia têm para a sua narrativa. Não é à toa que ele já deu declarações onde afirma que “nenhum idioma pode definir a música.”

Na trilha sonora de Ry Cooder (Paris, Texas e Buena Vista Social Club), recheada de blues, jazz e folks, além da própria Norah Jones temos Amos Lee, Gustavo Santaolalla e Cat Power em um forte clima de melancolia que casa perfeitamente com a leve granulação da imagem, com a câmera rodando em velocidade lenta, com as cores fortes e vibrantes, com os planos e contra planos profundamente marcados pelo foco que nem sempre está onde o espectador imaginaria.

Sempre que ouço a trilha desse filme, por mais que já a conheça, me surpreendo com o seu clima melancólico, intenso, mas ao mesmo tempo sereno. São 14 faixas que falam por si só e que acompanham ou, em alguns casos, dão toque à cena, como no início do filme, quando “The Story” começa a tocar, nos introduzindo aos personagens e tentando nos contar como aquilo começa. Aliás, essa música foi composta por Norah durante as filmagens.

Enquanto buscava inspiração, Wong Kar Wai viajou de Nova York a Santa Mônica três vezes, ouvindo The Greatest, de Cat Power e nada mais justo do que duas canções do disco estarem ali: “Living Proof” e “The Greatest” que, na minha opinião, dá ainda mais beleza para uma das cenas mais lindas do filme. Já para os temas instrumentais, o primeiro compositor em que ele pensou foi Gustavo Santaolalla (de Babel e O Segredo de Brokeback Mountain), mas como ele estava ocupado na época, Kar Wai acabou convidando o próprio Ry Cooder que assina três faixas – “Ely Nevada”, “Long Ride” e “Bus ride”. E Santaolalla ainda conseguiu um tempinho para contribuir com a bela e triste “Pajaros”.

Cassandra Wilson, interpretando “Harvest Moon”, do Neil Young merece um parágrafo a parte. Sua versão é tão bela e tocante que segundo o diretor arrancou lágrimas da protagonista sem que fosse preciso nada além disso, num dos momentos mais emocionantes do filme. Quem assistiu, vai saber do que estou falando.

É interessante ver ainda a reinvenção de “Yumeji’s Theme”, feita por Chikara Tsuzuki já utilizada em “Amor à Flor da Pele.” A reutilização de algumas músicas é característica já marcante nos filmes de Kar Wai, o que, de certa maneira, ele explica no encarte do disco da trilha de 2046: “Os trechos musicais obedecem a ciclos, ao sabor das lembranças e dos esquecimentos. Uma partitura pode ressurgir de um filme a outro, mas ela convida à mesma viagem, semelhante a um trem que refaz indefinidamente o mesmo trajeto. Os pedaços se misturam uns aos outros; uma impressão nova se acrescenta à precedente sem chegar a apagá-la inteiramente”.

Por fim, não dá pra deixar de destacar que justamente as cenas dos beijos não possuem nenhuma trilha ou efeito sonoro, apenas o silêncio. Algo que não deixa de ser totalmente poético, bem ao estilo Kar Wai.

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Um Beijo Roubado

Título original: My Blueberry Nights
Ano de Lançamento: 2008
Gravadora: EMI

Faixas:
1.The Story – Norah Jones
2. Living Proof – Cat Power
3. Ely Nevada – Ry Cooder
4. Try a Little Tenderness – Otis Redding
5. Looking Back – Ruth Brown
6. Long Ride – Ry Cooder, My Good Eye
7. Eyes on the Prize – Mavis Staples
8. Yumejis Theme (Harmonica Version) – Chikara Tsuzuki, Shigeru Umebayashi
9. Skipping Stone – Amos Lee
10. Bus Ride – Ry Cooder
11. Harvest Moon – Cassandra Wilson
12. Devils Highway – Hello Stranger
13. Pajaros – Gustavo Santaolalla
14. The Greatest – Cat Power

O quê que a trilha tem?: Once – Apenas Uma Vez

O quê que a trilha tem?: Once – Apenas Uma Vez

Se o título desse filme remete a algo finito, posso afirmar que o mesmo não vale para a trilha sonora. Não que ela seja infinita (rs), mas, uma vez escutada, não desgruda mais da mente e dos ouvidos.

¨Once¨ é um musical irlandês independente produzido em 2006, dirigido por John Carney e estreado por Glen Hansard, músico integrante da banda The Frames (da qual o próprio diretor do filme também faz parte), e pela compositora e instrumentalista checa, Markéta Irglová. Surpreendendo, ou não, a muitos, por seu baixo custo em comparação a outras produções, o filme ganhou o Oscar 2008 na categoria ¨melhor canção original¨, com a música ¨Falling Slowly¨, além de ter sido vencedor no Festival de Sundance de 2007 como melhor filme pelo público.

Emocionante. Não há palavra que melhor sintetize todos os adjetivos possíveis que podemos dar ao background musical de Once. Enquanto a trama vai se formando, somos envolvidos por uma trilha que parece ser composta quase que instantaneamente. Mais original, impossível.

A doce e delicada voz de Markéta Irglová casa perfeitamente com o tom mais forte ou até ¨agressivo¨ de Glen Hansard. A dupla foi autora de quase todas as composições do longa-metragem, com exceção de uma, ¨Trying To Pull Myself Away¨. A forte sintonia entre os dois consegue ser, incrivelmente, passada e traduzida através das músicas, fato que contribui mais ainda com a originalidade que o filme possui. Tal sintonia é facilmente notada em ¨ When Your Mind’s Made Up¨, uma das mais lindas e emocionantes composições do longa-metragem. ¨Falling Slowly¨, música que deu o Oscar ao filme, é outro exemplo fabuloso desse casamento perfeito, sequer cabem aqui descrições a essa composição.

Poderia terminar o artigo citando apenas essas duas músicas, tenho certeza que elas sozinhas seriam capazes de fazer qualquer pessoa correr até a locadora mais próxima e assistir a esse filme. Mas seria injustiça não citar ¨The Hill¨, que apesar de bastante melancólica, não perde um minuto sequer de beleza, além de ¨If You Want Me¨, ambas cantadas apenas por Markéta Irglová.

São 13 lindas e singulares composições que nos envolvem, e são elas quem ditam, literalmente, o ritmo das emoções ao longo dos oitenta e cinco minutos de filme.  Basta ouvir e assistir uma vez.

Curiosidade:

A sintonia entre os dois foi tão forte, que, depois do filme, eles resolveram formar a banda¨The Swell Season¨, ótima dica para quem curte folk rock.

Enfim, alguém aí ainda não assistiu? Se não, tá esperando o quê mesmo, heim? :-)

Glen Hansard e Markéta Irglová – Falling Slowly:

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O quê que a trilha tem?: Onde Vivem os Monstros.

O quê que a trilha tem?: Onde Vivem os Monstros.

Onde vivem os monstros: Existe um dentro de todos nós.

O lado monstro: aquele que que grita, que explode em uma raiva, que perde o controle. Quem não tem um desses guardado dentro do armário? Digo, dentro de si próprio? rs. Um filme, aparentemente, infantil, mas que, na verdade, é indicado para todas as idades.

Trilha sonora tem que ser espelho das emoções que o filme quer despertar, pois bem, com esse, não foi diferente. ¨Karen O and the Kids¨, esse foi o nome dado pela vocalista da  banda ¨Yeah Yeah Yeahs¨ para assinar o background musical do filme. A participação das crianças cria a identidade própria da trilha sonora, além de dar um tom bastante divertido em várias das composições.  O fundo musical é uma rica bandeja de sensações: basta escolher. Nele, encontramos músicas que passeiam da euforia à melancolia, todas muito bem encaixadas durante o filme.

Algumas das composições nos faz querer sair correndo, cantando e pulando de felicidade, rs, e não é exagero. Um exemplo disso é ¨All is Love¨, feliz, animada, eufórica, todos esses adjetivos cabem muito bem nessa música. Quase do mesmo jeito, porém com a intenção de ser no estilo mais ¨bagunça¨, nós temos ¨Rumpus¨, que, inclusive, significa tumulto, barulho, desordem. Nesse estilo, também encontramos ¨Capsize¨, porém essa é um pouco menos eufórica. No tom mais feliz, porém mais calminha, encontramos ¨Heads Up¨.  Além das que transitam entre melodias e gritos, como ¨Animal¨.

No lado melancólico, encontramos lindas composições, como  ¨Worried Shoes¨, que, na realidade, é uma regravação da versão original, composta por Daniel Johnston, mas que ganhou um tom mais doce na voz da Karen O. Outra no mesmo estilo mais calmo e mais blue e não menos linda é ¨Hideaway¨. A melodia de ¨Lost Fur¨ é bem melancólica também, curtinha, apenas instrumental e bem delicada.

E é transitando entre esses sentimentos extremos que as músicas se encontram. Talvez porque nesses momentos é que deixamos escapar o nosso lado mais oculto. Dos monstros mais ferozes aos mais solitários, além dos mais eufóricos, aqueles que ficam guardadinhos dentro da gente. São os sentimentos mais urgentes. Por esse motivo que é fácil nos identificarmos não somente com o filme, mas também com a trilha. Os dois compartilham da mesma finalidade, que é reproduzir um pouco dos nossos instintos, aqueles que na infância nós conseguimos expressar mais facilmente, mas que à medida que crescemos, vamos abafando, porque, no fundo, eles nunca morrem.

E aqui vai um aperitivo para vocês sentirem o gostinho :-)

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P.s.: Não tem coisa melhor que cantar ¨All is Love¨ naqueles dias bem felizes, garanto.

Enjoy it!

O Quê Que A Trilha Tem?: 500 Days Of Summer.

O Quê Que A Trilha Tem?: 500 Days Of Summer.

Trilhas sonoras, o que seriam dos filmes sem elas? Vários filmes não causariam as mesmas sensações se não contassem com um belo fundo musical. Bem, não somente filmes. Tudo o que sai da telinha tem que ter ¨algo mais¨ para encantar, que o digam as novelas! Como estréia desse novo espaço, nada melhor que expor um filme primorosamente recheado: 500 Days Of Summer (500 Dias Com Ela).

Sem dúvidas, o filme não seria o mesmo sem a fina seleção musical da qual faz uso. Do início ao final desse longa-metragem, contamos com um background espetacular, ouso dizer que nenhuma das escolhas deixam a desejar. 16 faixas escolhidas ¨à dedo¨ e que fazem toda a diferença. Mas também, não era de se esperar menos de um filme cuja protagonista é nada mais, nada menos que Zooey Deschanel, que, junto com M. Ward, compõe o sweet duo She & Him.

Os passos dessa trilha são fascinantes, passeamos pela linda e delicada voz de Regina Spektor, com ¨Us¨ e a doce ¨Hero¨. Ao lado, visitamos Feist, com ¨Mushaboom¨. E, não muito distante, eis que encontramos a própria Zooey em She & Him, com um belo cover dos Smiths, ¨Please, Please, Please, Let Me Get What I Want¨, sem contar que a versão original também aparece pelo filme, juntamente com outra música deles, ¨There Is A Light That Never Goes Out¨. The Smiths ganhou um destaque bacana nesse filme, logo no início nos deparamos com eles dando o tom ao longa-metragem.

A França também pinta uma cor pelo filme, nada mais charmoso que Carla Bruni com ¨ Quequ’un M’a Dit¨. Com um folk mais melancólico, porém, não menos bonito, encontramos Simon & Garfunkel, com ¨Bookends¨.

Há uma cena super divertida do filme que não seria a mesma sem Hall & Oates com ¨You Make My Dreams¨, não vale contar a cena, mas ouvir antes é super válido. Seguindo o lado ¨funny¨ da trilha, temos Black Lips, com a divertidíssima ¨Bad Kids¨. Além de Doves com ¨There Goes The Fear¨ e Mumm-Ra com ¨She’s Got You High¨.

Acalmando um pouco, temos Meaghan Smith com a cuuutie ¨Here Comes Your Man¨, e Wolfmother com ¨Vagabond¨.  E, por fim, nos deparamos com The Temper Trap e a linda ¨Sweet Disposition¨,  um dos melhores tesouros do filme.

500 Days Of Summer são 95 minutos de um background musical fantástico que se tornam ilimitados depois de experimentar. Enfim, a originalidade da trilha sonora influenciou diretamente o filme. Algo que não dá para deixar de ver, muito menos de ouvir.

The Temper Trap – Sweet Disposition

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Enjoy it ;-) !