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Review: Lil Uzi Vert – Eternal Atake

Após quase dois anos de espera – desde 31 de Julho de 2018, para ser mais exato – Lil Uzi Vert lançou seu tão aguardado segundo álbum, Eternal Atake.

Desde seu anúncio, as coisas não têm sido fáceis para o artista de 25 anos, em grande parte por sua rixa e constantes ofensas públicas aos CEO’s de sua própria gravadora. O álbum acabou atrasando diversas vezes e tudo indicava que ele jamais seria lançado, principalmente quando Uzi anunciou sua aposentadoria precoce por estar insatisfeito com a situação em Janeiro.

Outra polêmica girava em torno das imagens e influências do culto Heaven’s Gate para o novo álbum, o que acabou causando uma ação legal de dois sobreviventes do culto. Porém, apesar de todas essas desavenças, Uzi continuava dedicado a finalizar o Eternal Atake, refazendo o álbum diversas vezes durante esse tempo.

E qual é a do Eternal Atake?

Uma curiosidade é que o álbum é divido em três partes, cada uma creditada a um alter ego: a primeira a Baby Pluto, a segunda é de Renji e a terceira do próprio Lil Uzi Vert. No final das faixas, há diálogos contando as trajetórias de cada um deles.

De início, o álbum começa com um pop trap na agitada “Baby Pluto”, apenas para as próximas canções apresentarem um som mais sombrio e ameaçador com influências do drill, nas minimalistas “Lo Mein”, “Silly Watch” e “POP”. Apesar da mudança repentina entre a faixa de abertura, o resultado está longe de ser ruim ou desconjunto. Uzi prova que, apesar de não se lirico, suas rimas são divertidas, intensas, rápidas e com uma cadência agradável até mesmo para um som um tanto estranho e experimental. “You Better Move” e “Homecoming” poderiam facilmente ter sido feitas no início da era do soundcloud rap, onde Uzi inicialmente encontrou a fama.

https://www.youtube.com/watch?v=6vmQXoTB0QE

A esse ponto, a impressão é que o álbum seguirá essa fórmula, porém o alter ego Renji apresenta a tristonha e eletrônica “I’m Sorry”, levando os fãs de volta as melodias do tão amado Luv Is Rage 2 que cimentou o nativo da Filadélfia como um dos maiores nomes do trap.

Renji oferece ao ouvinte canções dignas de hits, passando por influências de EDM (“Celebration Station”), cloud rap (“Bigger Than Life”), e hip hop alternativo. A trajetória deste alter ego é o ponto mais alto do álbum, onde todas as faixas são memoráveis e se casam de forma perfeita sonoramente uma com a outra. “Chrome Heart Tags” (produzida pelo herói de Uzi, Chief Keef), “Bust Me” e “Prices” são um combo magnífico de bangers um seguido do outro, super viajante e memorável.

Quando finalmente chegamos a parte de Lil Uzi Vert, ele nos presenteia com “Urgency”, um R&B alternativo introspectivo, com a voz marcante e reconhecível de Syd, a única artista participante do álbum. A colaboração, por mais inusitada que pareça, acaba funcionando muito bem. As duas seguintes, “Venetia” e “Secure The Bag”, apesar de serem interessantes, não mantém o mesmo impacto das canções do alter ego anterior. No entanto, Uzi logo se redime em “P2”, a última canção do álbum, uma continuação mais monótona e claustrofóbica de “XO Tour Lif3”. Apesar de não ter o mesmo apelo da versão anterior, as letras continuam tão sombrias e depressivas, ainda abordando o relacionamento falho com a ex-namorada, Brittany Byrd, e abuso de drogas.

Considerações finais

No fim das contas, a espera valeu a pena! O álbum apesar de seus diversos atrasos, inclusive tendo se tornado motivo de memes que o comparavam a Yandhi (álbum nunca lançado de Kanye West), Lil Uzi Vert provou que ainda continua firme e relevante no rap game, com suas melodias cativantes e refrões grudentos. Quando se trata de suas letras, a essência continua a mesma, fazendo referências a uso de substâncias, ostentação, moda, humor nonsense e relacionamentos.

O artista cresceu e amadureceu bastante desde Luv Is Rage 2 e, se alguém duvidou que ele poderia repetir o hype de seu debut, Eternal Atake sem dúvida é a resposta.

Lil Uzi Vert – Eternal Atake

Lançamento: 06 de Março de 2020
Gravadora: Generation Now/Atlantic
Gênero: Hip Hop
Produção: Bobby Raps, Brandon Finessin, Bugz Ronin, Chief Keef, Cousin Vinny, Dez Wright, Harold Harper, Ike Beatz, Loesoe, Mayyzo, Oogie Mane, Outtatown, Star Boy, Supah Mario, TM88, Wheezy e Yung Lan.

Faixas:
01. Baby Pluto
02. Lo Mein
03. Silly Watch
04. Pop
05. You Better Move
06. Homecoming
07. I’m Sorry
08. Celebration Station
09. Bigger Than Life
10. Chrome Heart Tags
11. Bust Me
12. Prices
13. Urgency (feat. Syd)
14. Venetia
15. Secure the Bag
16. P2
17. Futsal Shuffle 2020 (bonus track)
18. That Way (bonus track)

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