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Review: Nirvana – Bleach

Além dos 25 anos da morte de Kurt Cobain, outra data icônica merece ser lembrada em 2019 quando o assunto é o Nirvana: há 30 anos a banda lançou o Bleach, seu álbum de estreia.

Outras bandas que surgiram no final dos anos 80 e início dos anos 90 já começaram com discos cheios de hits e que ainda são considerados alguns dos melhores da época, como o Guns N’ Roses com Appetite for Destruction e o Pearl Jam, com o disco Ten.

Com o Nirvana foi diferente e a banda liderada por Kurt começou com um disco de sonoridade suja e que possui apenas uma música que “vingou” mesmo após todos estes anos. Mas nem por isso o disco é ruim… é apenas diferente, não só dos lançamentos de outras bandas contemporâneas, mas também dentro da própria discografia do Nirvana.

Não lembro de alguma outra banda de rock que mudou tanto sua sonoridade do primeiro para o segundo disco. Algumas coisas podem explicar bem a mudança, como a entrada de Dave Grohl assumindo a bateria do grupo e a produção de Butch Vig, que não tirou a pegada da banda, mas conseguiu dar uma cara pop para muitas músicas de Nevermind, o disco que viria dois anos depois.

Mas falando mais especificamente sobre o Bleach, não dá para deixar de destacar como ele é visceral e o provável disco mais espontâneo do Nirvana. Pegando vídeos da época, parece até que foi um álbum gravado ao vivo, mas que não tem barulho algum da plateia. O que escutamos em Bleach basicamente é o que qualquer pessoa que ia a um show do Nirvana escutava nos shows, como você pode ver no vídeo abaixo.

Nem coisas básicas que qualquer banda faz para gravar foram feitas, como, quando há algum solo, gravar uma outra guitarra fazendo a base, para preencher um pouco a música. “Love Buzz” é uma das músicas em que duas guitarras são escutadas simultaneamente. Em outras como “Blew” e “About a Girl” escutamos apenas uma mesmo na parte dos solos. Vale lembrar que, embora nos créditos apareça o nome de Jason Everman como segundo guitarrista, ele não participou efetivamente das gravações.

Sobre as composições, elas são bem variadas: em “About a Girl”, o Nirvana já mostrava um pouco da sonoridade que apareceria em Nevermind. Por sua vez, a banda muda rapidamente de um rock convencional para uma parte mais estranha em “Love Buzz”, com Krist solando no baixo e Kurt fazendo barulhos bem esquisitos na guitarra. Já em músicas como “School” e “Negative Creep”, a banda simplesmente gravou o som mais rasgado que conseguiu.

Sempre gostei de todos os álbuns do Nirvana e, depois de uns 15 anos sendo fã da banda, Bleach é o disco que mais tenho vontade de escutar, ainda que não seja o meu favorito – posição ocupada pelo Acústico MTV. Creio eu que o Bleach é aquilo que o Nirvana fez em toda a sua carreira que mais se aproximou daquilo que o Kurt queria fazer na adolescência, principalmente depois que ele descobriu o punk.

É um disco visceral, sem muita produção e uma porrada do início ao fim!

Nirvana – Bleach

Lançamento: 15 de junho de 1989
Gravadora/Selo: Subpop
Gênero: Grunge
Produção: Jack Endino

01. Blew
02. Floyd The Barber
03. About A Girl
04. School
05. Love Buzz
06. Paper Cuts
07. Negative Creep
08. Scoff
09. Swap Meet
10. Mr. Moustache
11. Sifting

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