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Review: Autoramas – O Futuro dos Autoramas

No ano passado, o Autoramas passou por algumas mudanças em sua formação e andou se ~azeitando~ no palco, em turnê que andou pelo Brasil e também rendeu shows no exterior.

Após 16 anos, a banda deixou de ser um power-trio e virou um quarteto. E não é um quarteto qualquer já que, além de Gabriel Thomaz (voz e guitarra), a banda conta agora com a ex-Penélope Érika Martins (voz, guitarra, teclado e percussão), o ex-Raimundos Fred Castro (bateria) e o ex-Carbona Melvin (baixo e vocal).

Para marcar essa nova fase, nada melhor do que um trabalho inédito, certo? É nessa atmosfera que a banda solta O Futuro dos Autoramas, seu sétimo álbum de estúdio.

Se você está se perguntando agora qual é o futuro do Autoramas, eu respondo: Ele é promissor. Produzido em parceria com Lê Almeida, o álbum serve como um marco para a carreira da banda e isso se reflete em suas músicas. Com doze faixas, o disco mostra que as características principais de toda a carreira se mantém presentes, mas ganharam um frescor graças a nova (e experiente) formação.

Se em algum momento da sua vida você ouviu a banda e gostou, eu digo: Pode dar play no disco sem medo de ser feliz, pois lá está o bom e velho rockabilly, a sujeira, os covers especiais, um “Q” que New Wave e aquela pegada pop da Jovem Guarda que se tornaram marca registrada da banda capitaneada por Gabriel. Aliado a isso, você consegue perceber o quanto os novos integrantes se fazem presentes no álbum. “Quando A Polícia Chegar” abre o disco e mostra do que o quarteto é capaz. Mostra também como o vocal da Érika casa bem com a sonoridade, como o Melvin fez o baixo se tornar mais presente (e vivo) nas músicas. No entanto, Fred é aquele cara que tomou a banda pra si. Se o Autoramas precisava de peso, o baterista foi a escolha certa.

O Futuro dos Autoramas surgiu através do bom e velho crowdfunding, o que também ajuda a fincar o trabalho entre os mais importantes da banda até hoje. É um disco bem feito desde o seu nascimento, redondo em sua execução e com faixas capazes de incendiar uma apresentação da banda, naturalmente energética. “Problema Seu” é um bom exemplo, assim como “O Que Que Você Quer”.

Com o vocal dividido em boa parte das faixas, Gabriel abre espaço para Érika comandar sozinha as faixas “Demais”, “A Sua Vinda Até Aqui” e “Rolo Compressor”. As três possuem uma veia mais pop e a última deles fez parte do álbum solo da cantora, lançado em 2013. Nesse grupo mais pop, também está “Verão”. Todas são muito boas mas, correndo o risco de parecer piegas e me candidatando ao prêmio de piadinhas evitáveis em resenhas, preciso dizer que “Demais” é realmente demais. Uma das melhores do disco, inclusive.

Como não seria Autoramas sem faixas em inglês, o disco nos dá “What Do You Mean To Me”, um dueto bem gostoso e sutil; “Jet To The Jungle”, que foi composta por Gabriel para a banda japonesa Guitar Wolf; e uma versão de “Be My Baby”, hit de 1963 imortalizada pela girl-group The Ronettes. Outra versão do disco é “Garotos II – O Outro Lado”, uma releitura do clássico lançado por Leoni. O Futuro dos Autoramas ainda tem a instrumental “Telecatch”, com seu ar surf-music no melhor estilo “Misirlou” de Dick Dale.

Se era preciso que o quarteto passasse pela prova do estúdio para saber o que viria pela frente, te conto: A banda tirou uma nota muito boa e conseguiu a aprovação com louvor. Até porque, todos os quatro são experientes, conhecem como ninguém o tal “caminho das pedras” e ver essa reunião resultando em um ótimo álbum não poderia ser melhor.

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Autoramas – O Futuro dos Autoramas

Lançamento: 18 de março de 2016
Gravadora: Independente
Gênero: Rock / Rockabilly / Jovem Guarda
Produção: Autoramas e Lê Almeida

Faixas:
01. Quando a Polícia Chegar
02. Problema Seu
03. Verão
04. O Que Que Você Quer
05. Demais
06. What You Mean To Me
07. Rolo Compressor
08. Be My Baby
09. Jet To The Jungle
10. A Sua Vinda Até Aqui
11. Telecatch
12. Garotos II – O Outro Lado

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