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Review: Clairo – Immunity

Você conhece Claire Cottrill? Fica fácil de responder essa pergunta quando a tratamos pelo seu nome artístico, Clairo.

A jovem que completará 21 anos é uma das maiores promessas da música pop; graças à “Pretty Girl”, que viralizou em 2017 via Youtube, ela atingiu alta popularidade e um número absurdo de visualizações para uma cantora indie.

Após assinar com uma gravadora, lançar um EP e sair em turnê juntamente com Dua Lipa, Clairo resolveu dar o próximo passo em sua carreira lançando o seu primeiro disco de estúdio, Immunity.

A expectativa em relação a Immunity

Muita coisa aconteceu desde que a artista da pequena cidade de Carlisle, nos Estados Unidos, se transformou de uma hora pra outra em um fenômeno da internet. Ela lançou outro vídeo que ganhou bastante destaque, o clipe da música “Flaming Hot Cheetos”.

Muito mais do que o aspecto lo-fi de suas melodias e a estética puxada para o bedroom pop, o público cada vez mais se interessava pelo que Clairo tinha a dizer nas suas composições, que envolviam assuntos com fácil identificação por parte de adolescentes do mundo inteiro. Ela também assinou com a FADER, pequeno selo pelo qual foi lançado um EP, diary 001.

Videoclipe de Flaming Hot Cheetos
‘Flaming Hot Cheetos’ foi outro vídeo de Clairo que viralizou no Youtube (Créditos: Teco Apple)

Foi debatido também se a cantora não era uma industry plant, termo utilizado para artistas que já tem algum tipo de suporte de gravadoras, mas que inicialmente se apresentam como independentes. Os boatos eram ainda mais fortes já que ela é filha de Geoff Cottrill, profissional de Marketing influente que já trabalhou em empresas como a Coca-Cola e a Starbucks. Se essa história é verdade ou não, isso nunca foi confirmado; fato é que isso só contribuiu para aumentar as expectativas em cima de Immunity.

Um trabalho sólido e com ótima produção

O álbum não decepciona por manter o que fez Clairo conquistar diversas pessoas; ele é extremamente sincero nas suas letras, com  questões intimistas que a cantora resolve levar ao público, nas quais pessoas mais jovens acabam se reconhecendo. Se no hit “Pretty Girl” ela já falava sobre um relacionamento passado que desencadeou mudanças no seu comportamento, Immunity aborda outras experiências amorosas, com um elemento interessante: a cantora se assumiu bissexual por meio de um tweet no ano passado, e o disco trata bastante sobre a autodescoberta de Claire nesse sentido.

Há também momentos em que Clairo conta sobre a convivência constante com a dor, mais particularmente nas faixas “Sinking” e “I Wouldn’t Ask You”; essas funcionam como um diário em relação à artrite reumatoide que ela descobriu ser portadora.

Um dos grandes destaques vai para “Bags”, que narra o primeiro amor por uma mulher; em meio a uma grandiosidade escondida na melodia, cativa o ouvinte rapidamente com a sua energia dócil e que remete às grandes baladas pop. É fácil de imaginar essa faixa arrebatando multidões por ser acessível e agradável.

Aliás, o ponto alto do álbum e que aparece não apenas nessa canção é a produção, comandada pelo multi-intrumentista Rostam Batmanglij, ex-Vampire Weekend. Ele acertou ao trazer beats leves e arranjos de piano delicados, deixando a voz de Clairo fazer o trabalho; exemplo disso é a faixa de abertura, “Alewlife”. Essa é uma das mais sombrias, em que a cantora cita uma noite em que teve pensamentos suicidas, mas foi ajudada por uma amiga.

Rostam Batmanglij
Rostam Batmanglij fez um grande trabalho na produção de Immunity (Créditos: Alex John Beck)

Outro acerto de Clairo (e claro, de Rostam) é justamente se afastar do bedroom pop e do lo-fi das primeiras músicas lançadas pela cantora; a sonoridade mais limpa anda com a exploração de outros caminhos, como por exemplo em “Sofia”, lembrando em certos momentos faixas mais dançantes do The Strokes e Daft Punk. Entretanto, a insistência no auto-tune em canções como “Close To You” e “Feel Something” prejudicam o que dá mais certo em Immunity: a clareza e nitidez em relação à voz da cantora.

Immunity é só o começo

É claro que esse é um álbum que vai atingir um grupo de pessoas mais restrito; Clairo já disse em algumas entrevistas que sente a necessidade de se voltar ao público mais jovem, até por identificação, sendo uma espécie de irmã mais velha; por isso, ainda falta um pouco de maturidade sonora e mais “bagagem” da própria Claire para se arriscar mais. Por outro lado, Immunity é uma boa estreia, provando que ela está cada vez mais distante do rótulo de one-hit wonder. Com certeza você ainda vai ouvir falar muito de Clairo.

Clairo – Immunity

Lançamento: 2 de Agosto de 2019
Gravadora: FADER
Gênero: Indie, Pop
Produção: Clairo, Rostam Batmanglij, Peter Cottontale, Hayley Briasco & Burns Twins

Faixas:
01. Alewlife
02. Impossible
03. Closer To You
04. North
05. Bags
06. Softly
07. Sofia
08. White Flag
09. Feel Something
10. Sinking
11. I Wouldn’t Ask You

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