Capa do Dominguinho Vol.2, álbum de João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho.
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Review: João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho – Dominguinho Vol. 2

Um dos comentários que mais li (e ouvi) das pessoas que se apaixonaram pelo Dominguinho ao longo do último ano era de que o álbum “acabava muito rápido”. Com isso em mente, nada mais justo do que João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho entregarem um segundo volume para agradar aos fãs, não é mesmo?

No começo de maio, o trio soltou Dominguinho Vol. 2, registro gravado no belíssimo Centro Histórico de Salvador e que dá um novo fôlego ao projeto, que se tornou assunto dentro da cena musical brasileira – e latina – em 2025.

Após um álbum aclamado e uma turnê recheada de datas com ingressos esgotados dentro e fora do Brasil, a expectativa era naturalmente alta em torno de qual seria o próximo passo dos artistas. Ainda que pudesse existir qualquer pressão em torno dos três, as faixas mostram músicos bem confortáveis com as posições alcançadas, os frutos colhidos e uma maior atenção atraída para os seus trabalhos.

Apesar disso, o resultado apresenta nuances diferentes das apresentadas no registro inicial. Enquanto o álbum de estreia funciona como um abraço no fim de tarde com o sol se pondo, o segundo chega com uma missão: te fazer levantar da cadeira e dançar juntinho. Por mais que a construção seja bem semelhante, o volume 2 coloca o Dominguinho em um lugar onde ficar parado enquanto ele ecoa parece um pouco mais difícil.

João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho.
Jota.Pê, João Gomes e Mestrinho em Salvador na gravação do Dominguinho, Vol.2. [Foto: Divulgação]
Composto por doze faixas, Dominguinho Vol. 2 tem produção assinada pelo trio, que é acompanhado na gravação por Gilú Amaral (Percussão), Kainã Do Jêje (Percussão), Vanutti (Violão de Aço) e Felipe Guedes (Baixo).

Logo de cara, a inédita “Deusa Minha” mostra um pouco dessa pegada mais dançante e cheia de luz. Nela também é possível perceber que o ponto alto do trio segue intacto: a dinâmica vocal tranquila e sem atropelos. Faixas como “Ligação Estranha” e “Lembra” são bons exemplos de canções que ficarão na boca do público nos shows, enquanto o medley de “Meu Cenário” e “Sala de Reboco” faz o projeto mergulhar de cabeça no arrasta-pé romântico, mostrando a reverência do trio ao cancioneiro nordestino.

Por mais que essa diferença seja mais visível, o novo trabalho entrega bons momentos que remetem ao trabalho de estreia: músicas como “Verão Sem Calor”, “Sábado à Noite” e “Dois Mundos” fazem o álbum reencontrar a delicadeza que aproximou tantas pessoas do primeiro volume. E é nessa parte que está a maior surpresa positiva do registro: “Filho do Dono” é a música mais densa do registro, capaz de romper parcialmente com a sensação de conforto construída pelo álbum ao entregar uma letra sobre desigualdade latente da nossa sociedade.

Existe um equilíbrio muito bonito entre o dançante e o acolhedor, entre o refrão fácil e o conforto melódico. Talvez por isso, fique a sensação de que os dois trabalhos se complementam. Enquanto o primeiro te abraça e te deixa feliz, o segundo te obriga a pegar essa felicidade, se levantar de onde estiver e sair dançando.

Assim como no registro anterior, o trio abraça a nostalgia sem soar antigo. Um grande exemplo é “Onde Está Você” , que aproxima o Dominguinho do grande Dominguinhos de uma forma bonita e delicada.

A nostalgia também aparece nas versões mais “inusitadas” do registro. Se no ano passado, o artista escolhido foi o Charlie Brown Jr, o Volume 2 nos entrega uma releitura de “As Quatro Estações”, de Sandy & Junior, que funciona bem por dialogar com boa parte do público que acompanhou o trio pelos shows ao longo do último ano. Por sua vez, “Se Ela Dança, Eu Danço”, sucesso de MC Leozinho, deixa claro o clima de festa. Parece uma música escolhida justamente para fechar os shows e, até por isso, funciona muito bem no fechamento do álbum.

É até natural ver o trio se aproveitando disso, já que “em time que está ganhando não se mexe”, não é mesmo? Apesar da máxima esportista se aplicar, “Deusa Minha” deixou um gostinho marcante de que as faixas autorais merecem mais espaço no projeto e, talvez, esse possa ser um caminho mais explorado em um possível Volume 3.

De qualquer forma, o saldo final do Volume 2 é muito positivo. O registro confirma que o Dominguinho encontrou personalidade própria, mesmo quando percorre caminhos familiares. Em trilhas conhecidas, fica mais fácil celebrar e ampliar ainda mais o alcance de um trabalho popular, afetivo e profundamente brasileiro. No fim, talvez seja justamente essa a maior qualidade do Dominguinho: conseguir soar acolhedor mesmo quando resolve aumentar o volume da festa.

Capa do Dominguinho Vol.2, álbum de João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho.

João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho – Dominguinho

Lançamento: 07 de maio de 2026
Gravadora: Sony Music
Gênero: Forró
Produção: João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho

Faixas:
01. Deusa Minha
02. Verão Sem Calor
03. Ligação Estranha
04. Lembra
05. Dois Mundos
06. Sábado à Noite
07. Meu Cenário / Numa Sala de Reboco
08. A Vida é Você / Parte da Minha Vida
09. Filho do Dono
10. Onde Está Você
11. As Quatro Estações
12. Se Ela Dança Eu Danço