TOP 50: os melhores álbuns de 2021!

Aqui está a nossa seleção com os trabalhos que chamaram a nossa atenção ao longo de um ano recheado de bons lançamentos.

   40) Meilleure vie, do Jeremy Frérót

Jérémy poderia ser só mais um cantor vindo da versão francesa do The Voice, mas ele é muito mais que isso. Diferente de outros cantores que passaram pelo programa, ele se destacou primeiro com sua dupla Fréro Delavega, com a qual participou do programa e conquistou uma legião de fãs fiéis. Porém, em meados de 2018, ele decidiu seguir o caminho da carreira solo, e esse é o seu segundo álbum desde então.

O single "Un homme" pode ser um bom "virelangue", ou trava-línguas (em português), se você estiver inclinado a aprender francês, além de trazer alguns questionamentos interessantes, que aparecem ao longo do álbum, e que deixarei para você descobrir ao ouvi-lo. [JS]

39) MATERIA (TERRA), de Marco Mengoni

Sem dúvida, o Måneskin foi o grande fenômeno deste ano quando se trata de Itália, mas nem só disso vive o país. Como uma grande apreciadora dos artistas provenientes de lá, preciso dizer que além do álbum do grupo, outro grande trabalho de lá foi o recém-lançado MATERIA (TERRA), de Marco Mengoni. Álbum este, que traz algumas surpresas para quem acompanha fielmente o cantor, como, por exemplo, as participações especiais que não são muito o perfil dele, mas que quando acontecem são bem pontuais (Como quando gravou com a cantora brasileira Vanessa da Mata).

Neste álbum isso acontece em dois momentos: "Il Meno Possibile", parceria com Gazzelle e em "Mi Fiderò", em que canta com Madame (esta vinda do reality mais famoso da Itália, AMICI e de uma bela participação no último SANREMO). Dentre as canções desse trabalho, sem dúvida, o grande hit é "Ma Stasera", música que tem aquele refrão que gruda na cabeça e que não sai das rádios por lá. [JS]

38) An Evening with Silk Sonic, do Silk Sonic

A parceria entre Bruno Mars e Anderson .Paak era tudo o que a gente mais precisava, mas não sabia.

Em um período tão nefasto e deprimente como foram os anos de 2020 e 2021, a dupla chegou como um sopro de ar fresco e esperança de dias melhores com canções que se tornaram clássicos instantâneos — seja pela estética bem retrô de R&B, funk e soul, pelas letras bem-humoradas sobre relacionamentos ou pelas apresentações super estilosas e cheias de charme. Acompanhados por uma banda da pesada, terninhos combinando e participações especiais de lendas como Thundercat e Bootsy Collins (esse último, baixista e cantor que tocou com James Brown, Parliament e Funkadelic), o projeto é uma grande celebração da música negra estadunidense e seus anos dourados nas décadas de 1960 e 1970, época da Motown e do Soul Train.

É um álbum de festa, de good vibes, de diversão, muito solar e, apesar da equipe premiadíssima e talentosíssima, nada pretensioso. Sim, é pop, radiofônico, mainstream, fácil, mas tem muita qualidade, cuidado e alma ali, muito groove, respeito e reverência por quem criou os pilares da música negra abrindo caminho para que hoje eles pudessem tirar onda. melhor disco do ano, provavelmente. [BM]

37) Pirata, do Jão

A sofrência do menino do interior paulista parece não haver fim e, felizmente, vimos um pouco disso nas onze faixas de seu terceiro álbum, denominado Pirata.

Como a carta que Jão soltou antes de lançar o álbum mesmo diz, Pirata consiste de músicas eufóricas, barulhentas sobre o arco de recomeços de uma nova fase de sua vida. Com uma exposição íntima que foi vista indiretamente em outras músicas, Pirata nos mostra um lado dele que gostamos. Em "Meninos e Meninas", vemos a sua carta aberta a bissexualidade, enquanto observamos no decorrer de todo o album - que e solido e sem muitas amarras - que o amor, o sexo, as descobertas e despedidas acontecem e isso é normal. Com uma legião de fãs na fase da descoberta sobre a vida, mostrar isso de um lado artístico e um tanto quanto bonito.

No lado audiovisual a gente pode se deliciar mais uma vez com uma obra prima que é o universo criativo da mente de Pedro Tofani que é amigo do cantor, produtor, diretor e também compositor. "Não Te Amo" e o teaser de Pirata, que foi visto por centenas na audição do álbum em um teatro na capital paulista, nos mostram que eles não estão de brincadeira.

Pirata é construído com maturidade, vulnerabilidade, coragem, liberdade e amor. Mostrar isso sem medo de ser mal visto causa um conforto no coração daqueles que ouvem e absorvem esse trabalho. [HF]

36) King's Disease II, do Nas

Como é a vida de um rei do rap? A resposta pode ser encontrada em King's Disease II, álbum do lendário Nas.

Mesmo em seu 13º trabalho de estúdio, o rapper de Nova Iorque provou estar em forma com um disco que soa fresco e que não cai na mesmice. E que, claro, reflete a trajetória de Nas, trazendo as reverências que esse artista sempre mereceu, mas que parece que lhe foi tirada. [RS]

35) Doce 22, da Luísa Sonza

Impossível falar do cenário pop de 2021 sem falar de Luísa Sonza. Neste álbum, ela entrega a música que, na minha humilde opinião, foi a melhor da carreira dele. E não estou falando de "Modo Turbo", e, sim, de "Penhasco".

Ela bota todo mundo pra dançar e consegue mostrar sua vulnerabilidade ao mesmo tempo e isso é algo incrível para uma artista que está apenas em seu segundo CD. [YC]

34) Teatro D'ira - Vol. I, do Maneskin

Se o rock está morto, essa é uma questão de opinião. Para os retrógrados conservadores, o gênero não entrega bons nomes há décadas; para os mais otimistas, ainda há muita história para contar.

Fato é que Maneskin vem conquistando uma vasta gama de fãs após o lançamento de Teatro D'ira. O quarteto faz um delicioso resgate dos anos 70, misturando pop e glam rock ao longo das oito faixas apresentadas, partindo de assuntos como submissão e amores desesperados. Embora seja o mais recente, é, também, o mais maduro: os instrumentos conversam entre si, proporcionando momentos como solos de baixo em "IN NOME DEL PADRE" e uma levada dançante da bateria no hit "I WANNA BE YOUR SLAVE". Há momentos de pouca potência, mas Teatro d'ira apresenta um Maneskin jovem, menos verde e com sede de alcançar o mundo. [BS]

33) L'horloge, do HEY LIFE

Uma novidade interessante que descobri esse ano em minhas buscas por músicas menos óbvias - fora do "eixo linguístico" português, inglês ou espanhol - e que foi uma surpresa positiva, foi a banda HEY LIFE.

Apesar de terem algumas músicas em inglês (por motivos comerciais), é ótimo ouvir a banda cantando em sua língua original, o francês. Começando pelo fato de que não se vê muitas bandas de rock cantando na língua por aí, as músicas da "banda de rock de Paris" como eles se autodenominam, são muito bem gravadas e ótimas de ouvir, e se diferem por te tirar da "zona de conforto musical" com a qual você está acostumado.

Já a música que merece um destaque especial e que me conquistou de cara, foi "Ombre", música essa, em parceria com o Eskemo, outra banda francesa do estilo que merece atenção. [JS]

32) star-crossed, de Kacey Musgraves

Depois de passar por um divórcio em 2020, Kacey Musgraves fez um disco contando como foi vivenciar esse processo doloroso e a busca pela superação.

"Healing doesn't happen in a straight line" (A cura não acontece em linha reta), canta ela em "justified". Em "camera roll", a americana relata o dilema de apagar ou não as fotos com o ex-marido de seu celular e todas as memórias que elas trazem. Apesar de autobiográfico, o disco não expõe a relação de forma que possa ser vista como lavação de roupa suja. Kacey traz uma forma madura e honesta de lidar com o término, focando em si e nas coisas que ela sentiu, pensou e aprendeu.. Muitas pessoas podem se relacionar e identificar com as letras, que oferecem um tipo de acolhimento, uma sensação de que você não está sozinha e de que, cedo ou tarde, vai passar.

Kacey é muito boa compositora e letrista e tem um dom de contar histórias que prendem você e podem virar trilha sonora de muitos momentos. O disco veio acompanhado de um filme, disponível na plataforma de streaming Paramount+. star-crossed é o quinto álbum de Kacey e chegou depois do aclamadíssimo vencedor do Grammy Golden Hour, de 2018. Apesar de ser do country, Kacey tem uma riqueza musical que extrapola gêneros e que continua nesse último disco, que contou com a produção mais cara e elaborada de toda a sua carreira e conta com 15 faixas inéditas, divididas em três partes de uma dramaturgia, como se fosse uma peça de Shakespeare. Mas, com tanta autenticidade e honestidade, ela soa como uma amiga sua, humana e acessível, ao invés de um drama digno de palco. E é justamente isso que faz de Kacey uma artista tão especial.

Em um mundo tão cheio de recursos artificiais e excessos, ela brilha se apresentando ao vivo na simplicidade do combo voz e violão. Nas fotos felizes do Instagram, ela se mostra triste e vulnerável sem se importar em parecer fraca, para depois voltar e contar que o pior já passou e que ela conseguiu seguir em frente. É um trabalho muito real e inspirador. [BM]

31) Planet Her, da Doja Cat

A melhor forma de definir este trabalho da Doja Cat é: FRESH. Cada faixa traz aquele frescor sonoro e óbviamente deixa claro que é uma produção de 2021. O álbum foi produzido por Dr. Luke... que, por mais polêmico que seja, sempre esteve por trás de bons hits. E desta vez não foi diferente. [YC]