Playlist: Sandy – Princípios, Meios e Fins (EP)
Sandy lançou no ano passado o EP Princípios, Meios e Fins que marca uma nova fase na carreira da cantora e mostra uma face de Sandy que muita gente não conhecia e ao menos acreditava que poderia dar certo.
O EP tem cinco músicas e em quatro delas Sandy participa das composições, dentre elas, “Aquela dos 30″, que retrata a transição da cantora de “menina” para uma mulher madura em uma melodia com o piano bem marcante. A cantora aposta em um som mais interessante e bem parecido com o da americana Sara Bareilles, estilo que se bem trabalhado e combinado de boas letras ainda pode favorecer muito Sandy em trabalhos futuros.
Já “Segredo” relembra o lado romântico característico nas músicas de Sandy, mas a letra da música se mostra mais adulta, sem ser melosa como as canções mais famosas de seu repertório.
Em “Escolho Você” e “Olhos Meus”, Sandy também retrata o amor e são as músicas que provavelmente foram as mais bem aceitas pelos fãs e se aproximam da cantora que eles já estão acostumados de ouvir, mas agora renovada e com a aposta da boa sonoridade.
A música “Saudade” é o maior acerto do EP. Sandy flerta bem com a MPB e o tom doce e calmo de sua voz junto da ótima letra composta por Denis Nassar, ex-professor de piano da cantora, se resumem em poesia, melancolia, sutileza e a uma vontade de ouvir várias vezes seguidas a canção.
O grande trunfo de Princípios, meios e fins é a sonoridade sofisticada e muito bem produzida nos arranjos das cinco músicas. Sandy parece estar no caminho certo para se distanciar – se for isso que ela realmente deseja – daquela cantora “menina inocente” que a mídia sempre a caracterizou. Independentemente de qualquer meta ou vontade, sem dúvida alguma, a cantora cresceu e para algo bem melhor.

Sandy - Princípios, Meios e Fins
Lançamento: 30 de Outubro de 2012
Gênero: Pop/MPB
Faixas:
1- Aquela dos 30
2- Segredo
3- Olhos Meus
4- Eu Escolho Você
5- Saudade
Playlist: Semisonic – Feeling Strangely Fine
Talvez você não ligue o nome do artista a alguma de suas músicas mas, no caso do Semisonic, certamente já ouviu algo produzido pela banda nos anos 90.
Lançado originalmente em 1998, Feeling Strangely Fine é o segundo álbum de estúdio da banda capitaneada pelo vocalista Dan Wilson e sucedia o álbum Great Divide, lançado dois anos antes.
Produzido por Nick Launay, Feeling Strangely Fine pode ser considerado como a representação fiel do sucesso do Semisonic. Músicas como “Closing Time” ganharam o mundo, chegaram ao topo da Billboard naquele ano e, a cada single extraído do disco, a banda conquistava ainda mais território.
Lembrando muito o som produzido pelo Ben Folds Five, o Semisonic trazia nas músicas daquele álbum uma variedade de instrumentos que, em vários momentos, exalta os talentos de composição de Wilson, além dos belos arranjos criados por ele juntamente com o baterista Jacob Slichter e o baixista John Munson.
Com melodias capazes de conquistar na primeira audição, músicas como “Singing in My Sleep” e “DND” são o ponto álbum de um disco de 12 faixas que merece respeito. Caminhando entre o indie e o pop, a banda faz uma mescla de grandes hits (como “Closing Time”, já citada anteriormente) com belas baladas, como “Secret Smile”, que também fez sucesso mundo afora.
Apesar disso, o ponto alto de Feeling Strangely Fine acaba ficando com as músicas que acabaram não se tornando singles de trabalho. Não desmerecendo os sucessos obtidos, mas canções como “California”, “Made To Last” e “Gone To The Movies” deixam claro que a banda tinha qualidade para seguir adiante. Pena que a expectativa não se confirmou e o tempo acabou “desaparecendo” com o trio de Minneapolis, EUA.
Feeling Strangely Fine é indicado para você que gosta de guitarras bem dosadas, melodias elaboradas, baladas e todo o clima dos anos 90.

Semisonic – Feeling Strangely Fine
Lançamento: 24 de março de 1998
Gravadora: MCA
Gênero: Alternative Rock
Produção: Nick Launay
Faixas:
01. Closing Time
02. Singing in My Sleep
03. Made to Last
04. Never You Mind
05. Secret Smile
06. DND
07. Completely Pleased
08. This Will Be My Year
09. All Worked Out
10. California
11. She Spreads Her Wings
12. Gone to the Movies
Playlist: Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Ta ai um álbum que eu não me canso de ouvir ou que eu ache alguma música chata. A verdade é que The Dark Side of the Moon é um put* de álbum e é pra nego nenhum botar defeito. E hoje, é pauta da nossa Playlist!
The Dark Side of the Moon é o oitavo álbum dos ingleses do Pink Floyd. O álbum é marcado pela nova sonoridade da banda, já que nesse disco o Pink Floyd entra de cabeça no cénario do rock progressivo/psicodelico e, a partir daí, a banda começa escrever músicas que falam sobre fatos da vida, como o fracasso e o sucesso.
A banda produziu o disco no Abbey Road, entre 1972 e 1973 ao lado do brilhante produtor, Alan Parsons. O álbum tem como tema principal a cobiça, doença mental e envelhecimento, que são inspirados pela saída de Syd Barrett, que deixou a banda em 1968, depois que sua saúde mental foi pro espaço,por conta do forte vicio que o músico tinha em LSD.
Depois que Meddle, sétimo álbum dos ingleses, foi lançado, a banda pegou a estrada e fez uma pequena turnê pelo Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Enquanto ensaiavam, o grupo já começava a ter algumas ideias para o lançamento de um novo disco, embora criar material novo não fosse a prioridade na época.
Durante uma reunião na casa do baterista Nick Mason, Roger Waters propôs que o novo álbum da banda fosse apresentado já naquela nova turnê, contando que sua principal idéia era criar canções que focassem em coisas que “cansam as pessoas”, assim como na pressão que os integrantes sofriam por seu estilo de vida e os problemas envolvendo o ex-integrante Syd Barrett.
Há quem diga que o álbum tem uma relação com o filme O Magico de Oz e tem mesmo! Quando o álbum é tocado simultaneamente com o filme, ocorrem algumas “coincidências” entre o álbum e o filme, como:
- Quando Dorothy está na fazenda e ela olha para o alto, no audio surge barulho de avião;
- No momento em que a bruxa do Oeste aparece, é tocada a palavra “black” (preto);
- A duração da maioria das músicas coincide precisamente com a duração das cenas no filme;
- Várias frases das letras contidas nas músicas coincidem com os mesmos atos sendo executados pelos atores no mesmo momento.
.
Roger Waters em entrevista disse que essa todos esses fatos são só uma pura coincidência, mas há quem diga que o filme também serviu de inspiração para o álbum.
The Dark Side of the Moon foi sucesso na certa, chegando ao topo da Billboard 200 nos Estados Unidos e já fez mais de oitocentas e três aparições na parada desde então, tendo vendido mais de quinze milhões de cópias e estando na lista dos álbuns mais vendidos da história no país, também no Reino Unido e na França, com um total de cinquenta milhões de cópias comercializadas mundialmente até hoje.

Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Lançamento: 1 de março de 1973
Gravadora: Harvest Records
Gênero: Rock Progressivo
Produção: Pink Floyd e Alan Parsons
Faixas:
1. Speak to Me
2. Breathe
3. On the Run
4. Time
5. The Great Gig in the Sky
6. Money
7. Us and Them
8. Any Colour You Like
9. Brain Damage
10. Eclipse
Obs: Só dei nota 10, porque não existe pontuação maior, mas esse álbum vale mais do que 10, vale 1.000!
Playlist: Comma – Monkey
Comma é uma dupla formada pelas meninas Erika Lamers (violão elétrico e voz) e Edilaine Cunha (bateria e voz) e que, aos poucos, vem conquistando seu espaço no meio do folk e pop-rock.
A banda ficou popular quando a MTV começou a transmitir algumas vinhetas com suas músicas e, assim, gente curiosa e que gosta de música, como eu, acabou buscando saber da dupla.
Monkey é o álbum de estreia da dupla. O álbum ao meu ver é simples e perfeito, sem grandes ‘mirabolagens’ como eu costumo ouvir. Falando sobre coisas bonitinhas e amores mal-resolvidos, o disco traz 11 canções suaves e alegres.
Com lançamento nacional pela Tratore e distribuição pela Fonomatic, a dupla passou a fazer parte de uma gravadora que colocou grandes nomes da música brasileira para circular como Paulinho Nogueira e Thiago Pethit.
Ambas são responsáveis pelas composições do disco. “Monkey” ainda conta com algumas participações especias como Rachel Bella no violoncelo e Márcia Augusto no piano.
A banda lançou seu primeiro e até agora em agosto de 2005 e, em recente entrevista, divulgou a preparação de um novo álbum para esse ano, de nome Outside. O novo álbum está em mixagem e tem previsão de lançamento para dezembro.
O curioso da banda é que todas as músicas são cantadas em inglês, o que ao meu ponto de vista é bem melhor.

Comma – Monkey
Lançamento: 8 de agosto de 2005
Gravadora: Tratore
Gênero: Folk, pop-rock
Produção: Comma
Faixas:
1. Bege
2. Our Square
3. She’s Lost her Keys
4. Sad Summer
5. Dyke From the Movie
6. Ugly-faced Trees
7. Set the Date
8. Runaway
9. Rulers
10. Gus and Martin
11. Monkey
Playlist: Yes – Close to the Edge
Close to the Edge é o quinto álbum de estúdio da banda e, sem dúvidas, o álbum mais aceito do Yes no meio da cena do rock progressivo. Close to the Edge é um álbum conceitual que fala em foco, sobre a plenitude espiritual, o álbum é inspirado no romance do escritor alemão Hermann Hesse chamado “Siddharta”, publicado em 1922.
O álbum também marca a saída do baterista Bill Bruford que, em junho de 1972, logo após o término das gravações do álbum, deixou a banda para tocar no King Crimson, tendo sido substituído por Alan White. A capa foi criada por Roger Dean, o mais importante capista Progressivo de todos os tempos. Em termos de vendas, obteve grande sucesso, atingindo pelo menos o 6º lugar nos EUA e o 9º na Inglaterra.
“Close to the Edge” sem duvida é o ápice do álbum. Ela retrata muito bem o movimento progressivo dos anos 70. Essa obra prima é divididas em quatro partes que contam a história de um jovem pensador em sua busca pelo estados em que a mente humana se encontra absolutamente completa e plena. A viagem da música começa em uma intro bem psicodélica, com barulhos de sinos, água correndo e passarinhos cantarolando que fazem qualquer um viajar e pensar o que se passa por trás daquela canção. Steve Howe e Rick Wakeman também faz solos de rasgar os tímpanos, que fazem diferença no decorrer da música.
Eu costumo dizer que essa música é meia bipolar, porque tem horas que ela estão um “rockão” e outras um pouco mais melódicas, como na parte do “Get Up, Get Down”. Jon Anderson é marcado como letrista nessa música, ele consegue descrever em quase 19 minutos um livro inteiro. Essa música conseguiu abalar todos os pilares do Rock Progressivo e foi considerada a “bíblia” do rock progressivo.
“And You And I” nada mais é que um poema transformado por Jon Anderson em canção, que fala sobre os dois lados do amor, tanto sentimental como o espiritual. Ela fala sobre um individo que a partir do momento em que ele descobre o seu “eu”, ele passa a ver a existência de um além consciente. Eu não consigo ouvir essa música e não me emocionar ou ficar comovido. De qualquer forma, não há dúvidas de que temos uma história de amor narrada entre dois personagens, sendo ele um central que parece ser o que falece, e tenta consolar ao outro dizendo basicamente que um dia eles irão se encontrar, tentando afagar a dor de uma perda depois de muitos anos vivendo juntos, e que somente me fez sentido quando eu consegui atingir a maturidade que a canção prega no decorrer de sua letra, tão simples, singela e fantástica como a maioria das letras do Yes nessa época.
“Siberian Khatru” é a faixa final do álbum, a mais curta e também considerada pelos fãs a mais fraca do álbum. O título dessa música é até hoje objeto de controvérsia entre os fãs. Uma vez perguntada, a banda disse para interpretar Siberian Khatru como quisermos. Essa canção é marcada por um dos melhores solos que o Steve Howe já fez.
Em resumo, Close To The Edge é um disco que merece ser aclamado como obra-prima dignamente e é uma grande influência para o Rock Progressivo. Mesmo que as letras sejam grandes maluquices, com temas como sonho e espiritismo, elas são ótimas e infelizmente soam aquilo que o Punk Rock lutou contra, e venceu: O elitismo que Rock Progressivo possuía e ainda possui, o que é uma pena.
Seria muito mais interessante termos bandas com influências mais visíveis do Rock Progressivo do que aquele simples Rock de três acordes que aparentemente qualquer um pode fazer. Rock Progressivo, apesar do endeusamento em seus músicos, era, e ainda continua sendo, um gênero riquíssimo e que traria muitas influências positivas a futuros músicos, que faria com eles se esforçassem mais para criar aquilo que os seus ídolos criaram, pelo menos é o que eu acho.

Yes – Close to the Edge
Lançamento: 15 de setembro de 1972
Gravadora: Atlantic Records
Gênero: Rock Progressivo
Produção: Yes e Eddie Offord
Faixas:
1. Close to the Edge
2. And You And I
3. Siberian Khatru
Texto publicado anteriormente no Imprensa do Rock.
Playlist: Daniela Mercury – Canibália
Ser cantora de axé é pouco para Daniela Mercury. Se essa é a visão que você tem dela, então, você precisa se atualizar. Em oito álbuns de estúdio já lançados desde 1991, Mercury mostra que gosta de inovar e busca sempre o novo. Não é à toa que Camille Paglia, ensaísta e escrito estadunidense, disse que “Daniela Mercury é a artista que Madonna gostaria de ser”. Patriota, nacionalista e apaixonado pelo Brasil, é assim que podemos definir o último álbum de estúdio da baiana, que levou quatro anos para ser concluído. Influenciada pela antropofagia de Oswald de Andrade, Daniela Mercury lança Canibália.
A canção que abre a versão padrão do álbum é “Trio em Transe”, uma homenagem às artes plásticas e, nela, Mercury já mostra o que deseja no álbum: recriar o mundo. A canção contém referências a escritos brasileiros, como Jorge Amado (Gabriela), e às canções e cantoras que exaltam a nossa terra, como a portuguesa “abrasileirada” Carmem Miranda – uma das grandes homenageadas do trabalho. “Oyá Por Nós” mostra o sincretismo religioso presente na Bahia, e no Brasil, puxando Mercury para às origens africanas. Margareth Menezes dá força à canção com sua voz potente. A faixa composta por Menezes, Mercury e Alfredo Moura, contém batida eletrônica, que nos remete às canções do álbum Carnaval Eletrônica (2004), de Daniela.
Como dito, Carmem Miranda é uma das grandes homenageadas do trabalho. Ela canta com Daniela em “O Que É Que a Baiana Tem?”, de Caymmi, terceira faixa do projeto, que também ganha adição de sintetizadores e uma batida dançante. Seu Jorge chega em “Preta”, canção lançada por Daniela Mercury no carnaval de 2007, onde ela diz que em seu sangue “o dendê se misturou”. A faixa é carnavalesca, com batidas fortes e características do carnaval da Bahia, e, sobretudo de Daniela. A ela, são adicionados os versos de “Sorriso Negro” (Adilson Barbado, Jair Carvalho e Jorge Portela), eternizado por Dona Ivone Lara, e cantados por Seu Jorge, que finaliza a canção com rap.
“Sol do Sul” é um reggae praiano de fim de tarde. Foi escrito por Daniela e seu filho Gabriel Póvoas, em homenagem ao povo da América Latina, em especial do Brasil – “La, la, la, la, la, la Latina américa, latina américa/América do Sul (…) Eu trago o sol/Eu trago o sol do dul da América”. No álbum não tem tristezas, pois, afinal, “A Vida É um Carnaval (La Vida És un Carnaval)”. Na sexta faixa de Canibália, Mercury segue o ritmo tranquilo deixado por “Sol do Sul” em um samba carnavalesco que questiona: “Pra que chorar?/Se a vida é um carnaval/E é mais belo viver cantando?”.
“Castelo Imaginário” é uma canção que chega mansa e depois ganha tamanho e força. De temática romântica, mas sem melodramas, fala de um amor não correspondido (“Eu não vou te prender/Como flor num jardim (…). Eu não posso fingir/Que o amor é de dois/Se o amor é de mim pra você/Um pra você”). A oitava faixa do álbum é “Dona Desse Lugar”, uma homenagem às tribos indígenas do Brasil, e a própria história do país. Nela, Mercury fala da história e característica dos povos desde a chegada dos portugueses até os dias atuais.
Com assovios tranquilos no começo da faixa, Wyclef Jean soma em “This Life is Beautiful”. A canção segue tranquila do começo ao fim, alternando os vocais entre Jean e Mercury, que alterna entre o inglês e o português. “Bênção do Samba” é um medley muito bem feito de “Na Baixa do Sapateiro” (Ary Barroso), “Samba da Minha Terra” (Dorival Caymmi) e “Samba da Benção” (Baden Powell e Vinicius de Moraes). Na faixa seguinte, “Cinco Meninos”, Daniela chama toda a família Mercuri está sentada a mesa para cantar uma canção composta para homenagear os pais da cantora.
Mercury ainda tem espaço para fazer uma releitura de “O Que Será (À Flor da Terra)?”, canção lançada por Chico Buarque em 1976, que ganha batidas carnavalesca abafadas em um ambiente misterioso, engrandecido por sussurros de Mercury, em certos momentos, e os violinos. A percussão baiana ganha batidas eletrônicas em “One Love”, de Sara Tavares e “Tico-Tico no Fubá” – faixas boas para as pistas.
Canibália é um dos melhores álbuns de Daniela Mercury. Traz toda a alegria e brasilidade da cantora baiana, mesclada entre canções históricas e faixas nos estilo contemporâneas. Se você, como eu, precisa de uma boa dose de música brasileira para viver bem, então, Canibália tem que estar sempre a mão.

Daniela Mercury – Canibália
Lançamento: 23 de outubro de 2009
Gravadora: Sony BMG Music Entertainment
Gênero: Música brasileira
Produção: Ramiro Musotto, Alfredo Moura, Mikael Mutti, Gabriel Povoas e Wyclef Jean.
Faixas
01. Trio em Transe
02. Oyá Por Nós
03. O Que É Que a Baiana Tem?
04. Preta
05. Sol do Sul
06. A Vida É um Carnaval
07. Castelo Imaginário
08. Dona Desse Lugar
09. This Life Is Beautiful
10. Bênção do Samba
11. Cinco Meninos
12. O Que Será (À Flor Da Terra)?
13. One Love
14. Tico-Tico no Fubá
Vários artistas – A tribute to Caetano Veloso
Caetano Veloso não é uma unanimidade entre os que gostam de música. Há os que amam, há os que acham chato, mas ouvem e há os que odeiam. Eu estou na segunda categoria. Sim, eu acho o cara chato, no entanto assumo que gosto de sua genialidade enquanto compositor e cantor. Neste ano, Caetano completou 70 anos e ganhou como “presente” um disco tributo organizado pela Universal Music. A tribute to Caetano Veloso é homenagem é belíssima. A compilação tem 16 músicas do baiano regravadas e rearranjadas por artistas como Magic Numbers, Jorge Drexler, Beck, Devendra Banhart e os brasileiros Céu, Seu Jorge, Rodrigo Amarante e Tulipa Ruiz.
O repertório foi bem escolhido (a maior parte das músicas são da década de 1970, auge da produção experimental “caetanística’), mas algumas versões merecem mais destaque. Força estranha ganhou uma versão mais melancólica do espanhol Miguel Poveda. Tulipa Ruiz mostra sua belíssima voz e fez de Da maior importância uma música que parece saída de seu próprio disco. Jorge Drexler vem intimista e “sexy” em Fora da ordem. O Beck fez um pequeno “acerto” em Michelangelo Antonioni que é bem chatinha na voz do Caetano. Os Mutantes são Os Mutantes em London, London, arranjo com piano para esta versão é belíssimo. CHrissie Hynde, Moreno Veloso, Kassin e Domênico (os caras da série fulano+2) fizeram The Empty Boat menos psicodélica que a Gal Costa. A cantora Céu deu uma cara anos 80 para Eclipse Oculto. A turma do Magic Numbers sussurra You don’t know me, bem do jeito que banda faz com suas próprias músicas. Devendra Banhart e Rodrigo Amarante fizeram Quem me dera parecer mais divertida. A tribute to Caetano Veloso mostra o quão genial e atemporal é a arte de Caetano Veloso e é uma homenagem justa para um dos grandes nomes da música nacional.
Vários artistas – A tribute to Caetano Veloso
Lançamento: 2012
Gravadora: Universal Music
Faixas:
01 – You Don’t Know Me – The Magic Numbers
02 – Eclipse Oculto – Céu
03 – The Empty Boat – Chrissie Hynde, Moreno, Kassin e Domenico
04 – London London – Mutantes
05 – Michelangelo Antonioni – Beck
06 – Fora da Ordem – Jorge Drexler
07 – É de Manhã – Marcelo Camelo
08 – Quem me Dera – Devendra Banhart e Rodrigo Amarante
09 – Alguém Cantando – Momo
10 – Trilhos Urbanos – Luisa Maita
11 – Janelas Abertas Nº2 – Ana Moura
12 – Da Maior Importância – Tulipa Ruiz
13 – Força Estranha – Miguel Poveda
14 – Qualquer Coisa – Qinho
15 – Peter Gast – Seu Jorge, Toninho Horta e Arismar Espírito Santo
16 – Araçá Azul – Mariana Aydar
Playlist: Alicia Keys – As I Am
Alicia Keys é uma das grandes cantoras estadunidense da atualidade. Em As I Am a cantora, compositora e pianista reforça o estilo R&B e Neo-soul, já presente em seus primeiros álbuns. O álbum foi lançado em novembro de 2007, depois dele ela já lançou The Element of Freedom (2009) e está em estúdio para mais um que deve chegar até o primeiro semestre de 2013. As I Am é um dos mais importantes álbuns da carreira de Keys, uma vez que, foi dele que saiu seu single de maior sucesso mundial, “No One”.
A introdução do álbum, “As I Am”, é uma canção rápida tocada por Keys no piano no começo, e depois introduzindo novos elementos à canção, e com aplausos no final, dando a impressão de um álbum ao vivo. A faixa seguinte, “Go Ahead”, tem uma temática que aparecerá em diversas faixas do projeto, a dor de um amor – nesta faixa, um amor mentiroso. No entanto, o projeto também tem faixas alegres e divertidas. “Superwoman” poderia ter sido escrita por alguma feminista, e o que Alicia Keys, Steve Mostyn e Linda Perry dizem na canção é que a mulher tem uma força interior e comenta as necessidades da mulher moderna, que trabalha, cuida da casa, além de cuidar de si. “No One” mostra Keys segura, com domínio vocal, e com ganchos penetrantes. A canção mostrou ser um sucesso atingindo o Top 10 de 25 paradas musicais ao redor do mundo, além de dez certificações em países diferentes. O primeiro single de As I Am entrou em 6ª Lugar na Billboard Hot 100 (Estados Unidos) da Década.
Escute, se você é uma daquelas pessoas que não podem ouvir algumas canções que já se emocionam (e gostam disso), então, você deverá ter esse álbum sempre perto. “Like You’ll Never See Me Again” é uma das canções mais belas do álbum, mas, também é uma das mais dramáticas. Ela pede para que seu amado que ele a beije, a abrace e a ame como se fosse a última vez (afinal, nós não sabemos o dia de amanhã). Você provavelmente já deve ter escutado, ou até mesmo dito, que é necessário “quebrar a cara” para aprender a lição, certo? “Lesson Learned”, que conta com a participação de John Mayer, é o relato de um amor que não deu certo, mas, que Keys garante ter aprendendido a lição.
Em seguida, temos uma das minhas canções preferidas do álbum, “Wreckless Love”. As batidas, a letra e os gritos desesperados de Alicia Keys chamam atenção na faixa que retrata a necessidade de um amor avassalador, “I need that love” – diz. “The Thing About Love” é triste e mostra a realidade de muitos relacionamentos amorosos. Uma canção com melodias depressivas capaz de fazer você chorar muito, se estiver com o coração partido. Porém, na segunda parte da canção, Keys canta com mais intensidade e com vontade de abandonar a depressão, dizendo que “está na hora/De brilhar”. Um romance adolescente acontece na 9 faixa do álbum, onde Keys dá o primeiro beijo. A faixa apresenta uma familiaridade que você poderá julgar já ter escutado algo assim há anos e, minutos depois, pensar melhor e ver que essa impressão se dá ao fato de Alicia Keys mostrar nessa canção forte influência de artistas como os Jackson 5 e The Supremes. A declaração de amor “I Need You” é gostosa de ouvir e cantar, batida forte, letra fácil e com o “efeito chiclete”. Canções assim também estão presentes no álbum seguinte a As I Am. Mas, espere ai, é um bandeiro que eu escuto no final dessa faixa?
“Where Do We Go from Here”, minha preferida. Ela possui um efeito de um rádio velho tocando no começo e o desespero presente em “Wreckless Love” volta, com uma canção que fala do término de um relacionamento, e Keys pergunta: “para onde nós vamos daqui?”, pedindo quase de joelhos para que seu amante não a abandone daquela maneira, enquanto ela se afunda nas lágrimas. De certo, em situações assim, não há muito que fazer realmente, apenas “seguir as trilhas das (minhas) lágrimas”. “Prelude To a Kiss” é uma faixa desnecessária, e bem curta (graças!). É nessa faixa que Keys escorrega na casca da banana e mostra seu lado exagerado (e o tanto quanto brega), onde ela expõe sua fraqueza lírica e musical, tendo no piano uma muleta, que nesta faixa não funcionou. Mas, fico feliz em ver que ela ainda tem algo para contar em “Tell You Something (Nana’s Reprise)”, em uma baladinha tranquila, sem exageros (quanto a letra, melodia e gritos). Ela convida o ouvinte para imaginar o amanhã, um lugar onde não existe a tristeza e a dor (relatada em boa parte das faixas anteriores). Depois de ter se apaixonado, sofrido, se humilhado, errado e aprendido a lição, Alicia Keys faz um balanço e vê que “Sure Looks Good to Me”. Boa canção, com alguns exageros, mas, nada demais. Isso tudo é superado no álbum seguinte e siga um ensinamento de Alicia: “A vida é muito curta para desperdiçar um dia”.
As I Am é um importante trabalho para a carreira de Alicia Keys. Para mim, é a base de um novo tempo que passa a ser consolidado em sua carreira. Neste álbum ela mostra sua inteligência e talento natural.

Alicia Keys – As I Am
Lançamento: 12 de dezembro de 2008
Gravadora: Sony BMG
Gênero: R&B
Produção: Alicia Keys, Kerry Brothers, Jr., Linda Perry, Mark Batson, John Mayer e Jack Splash
Faixas
01. As I Am
02. Go Ahead
03. Superwoman
04. No One
05. Like You’ll Never See Me Again
06. Lesson Learned
07. Wreckless Love
08. The Thing About Love
09. Teenage Love Affair
10. I Need You
11. Where Do We Go from Here
12. Prelude to a Kiss
13. Tell You Something (Nana’s Reprise)
14. Sure Looks Good to Me
Playlist: Aerocirco – Invisivelmente
Sabemos que a cena musical do sul do Brasil é muito fértil e que de lá surgiram grandes nomes do rock nacional, que receberam atenção e direito a clipe na MTV. O que não damos muita conta é que também há bandas que se tornaram sucesso somente nos três estados da região e que foram apresentadas ao restante do país por sorte ou por caminhos alternativos. Uma dessas bandas é a Aerocirco. Conheci os caras em 2007, quando estava em busca de novos sons para minha biblioteca musical e “caí” no site da banda. Com alguns minutos a Aerocirco ganhou minha afeição e se tornou uma das minhas bandas favoritas.
O som da Aerocirco lembra Britpop e um pouco de new rock com uma pitada de rock sulista brasileiro. A banda era formada por Fábio Della, Henrique Monteiro, Rafael Lange e Maurício Peixoto e sua discografia conta com cinco álbuns, incluindo um gravado ao vivo. Invisivelmente (2010) é o mais maduro e o último disco da banda. Após o lançamento do disco, a banda decidiu fazer uma “pausa” com cara de nunca mais.
A primeira faixa, Última estação, parece um aviso para o fim, uma despedida. A faixa que dá nome ao álbum, “Invisivelmente”, segundo Della, fala sobre a vontade de buscar a felicidade e de fazer tudo para chegar lá. O Rei é a música que mais tem a cara da banda, as guitarras bem marcadas e a bateria rápida contam a história do pai de Fábio Della. Essa música é o complemento de outra, Tão Rainha, de 2005.
Ontem e O resto tanto faz são as faixas mais lentas do álbum. Na primeira, o conjunto violões e orquestração faz o casamento perfeito, apesar de certa monotonia. A segunda é uma declaração de amor, com direito a piano e vocais sussurrados. A pílula certa é a única canção em que Fábio Della não é o responsável e é, para mim, a faixa mais simples e madura do disco. O álbum termina com Nem tudo é tudo. A faixa é contagiante e surpreende por começar como uma baladinha e se tornar uma bela canção tradicional de rock, com guitarras, baixo e bateria bem fortes. Ouvir Invisivelmente gera certa nostalgia e uma esperança de que a Aerocirco pode voltar. Seus integrantes estão por aí, uns voltaram para Floripa, outros, como Fábio Della, decidiram continuar com a música. O atual projeto do cara é em BH.

Aerocirco – Invisivelmente
Lançamento: 2010
Gravadora: independente
Gênero: Indie Rock
Produção: Fábio Della
Faixas:
01 – Última estação
02 – Ninguém vai desistir de você
03 – Invisivelmente
04 – Não me leve a mal
05 – O Rei
06 – Ontem
07 – Faz de conta
08 – O resto tanto faz
09 – Cedo ou tarde
10 – A pílula certa
11 – Amanhã
Playlist: Erasmo Carlos – Pelas esquinas de Ipanema
Todos os pais deixam um legado musical para os filhos. Uns filhos herdam os Beatles, outros herdam Caetano Veloso e outros fazem pouco da herança recebida. Um dos legados musicais que recebi foi Erasmo Carlos e o disco Pelas esquinas de Ipanema, lançado em 1978, é o que mais me impressiona.
“Pelas esquinas” é um misto de Pop, Rock, MPB e disco music, com letras que abordam temas pautados pela vida na cidade, ecologia e até psicanálise. A música de abertura é Panorama Ecológico, que fala dos elementos água, terra e ar e da relação entre homem e natureza. Durante a produção do disco, foi sugerido que Erasmo não gravasse a música, porque não seria comercial. Em Favelas e Motéis, o Tremendão nos faz imaginar como seria dirigir entre o baixo-Leblon em direção à Barra no fim dos anos 70.
Na música que dá nome ao álbum, Pelas esquinas de Ipanema, são incorporados sons urbanos para falar da influência norte americana no Brasil, do consumismo e da realidade no país em meio a “bus-stop e pivetes, big shots e Jobins, samambaias e boutiques”. Meu ego, lançada originalmente em um disco de Nara Leão, parece um desabafo íntimo de Erasmo. Versos como “mas você não forma as frases loucas que cultiva por aí” e “me critique sem razão, se omitir não vale à pena” demonstram isso. Em Quero voltar e Triângulo dos biquinis, é possível perceber a influência tropicalista nessa fase de Erasmo.
Pelas esquinas de Ipanema é a volta por cima e uma joia produzida por Ronaldo Corrêa e Erasmo Carlos, com arranjos e regência de Antônio Adolfo e bases do multifacetado Liminha. As belas e impressionantes fotografias são de Orlando Brunhosa e a capa, com a foto do Tremendão na Rua Montenegro, em Ipanema, é de Aldo Luiz. Para quem acha que Erasmo Carlos é só um amigo do Rei Roberto, Pelas Esquinas de Ipanema mostra que o Tremendão é muito mais que isso.
Erasmo Carlos – Pelas esquinas de Ipanema
Lançamento: 1978
Gravadora: Polydor
Gênero: Música Brasileira
Produção: Ronaldo Corrêa e Erasmo Carlos
Faixas:
01 – Panorama ecológico
02 – Favelas e motéis
03 – Nasci numa manhã de carnaval
04 – Eu e Maria
05 – A Terceira Força
06 – Pelas Esquinas de Ipanema
07 – O Silêncio da Aldeia
08 – Verde
09 – Meu Ego
10 – Triângulos dos biquínis
Playlist: Silverchair – Neon Ballroon
Neon Ballroon, lançado oficialmente em 1999, pode ser considerado como o divisor de águas do Silverchair.
O disco é visto por muitos como uma transição para a banda, seus fãs e até mesmo para uma geração que acompanhou o surgimento dos australianos anos antes com o lançamento do Frogstomp. E, mesmo quase 13 anos depois de seu lançamento, é engraçado ver como o álbum ainda soa atual e inteligente.
Se os álbuns anteriores tinham o frescor e as dores juvenis do trio, esse mostra um lado mais maduro de Daniel Johns, Chris Joannou e Ben Gillies. Neon Ballroom traz um pouco do Silverchair antigo (naquele tempo) e novos elementos que deram alí uma nova cara a banda e passaram a se tornar frequentes daquele ponto em diante. Abrindo com “Emotion Sickness”, os seus quase 6 minutos já dão uma prévia do que o disco vai te apresentar. Com uma combinação perfeita entre orquestra e o trio, a música apresenta muitas variações e um Daniel Johns que parece ter aprendido a explorar mais a sua voz.
O álbum é o responsável pela explosão da banda, graças a “Ana’s Song (Open Fire)” e “Miss You Love”, mas é bem mais do que isso. Músicas como “Dearest Helpless” e “Do You Feel the Same?” são tão boas a ponto de, pra mim, serem os grandes destaques do álbum. Outro ponto positivo fica por conta de “Satin Sheets”, que lembra muito o início da banda. Me lembro de, em momentos de fúria, ficar ouvindo a música repetidamente. E olha que, na data de lançamento do álbum, eu estava a quatro dias de completar 12 anos.
“Steam Will Rise” fecha o disco deixando uma sensação de alívio. A impressão que fica é a de que ela foi devidamente colocada no final para representar que, apesar de toda a mudança vivida pela banda e por seus integrantes (evidenciada pelas letras das músicas citadas anteriormente), conseguiram trilhar bem por novos caminhos.

Silverchair – Neon Ballroon
Lançamento: 16 de março de 1999
Gravadora: Sony
Gênero: Alternative Rock
Produção: Nick Launay
Faixas:
01. Emotion Sickness
02. Anthem for the Year 2000
03. Ana’s Song (Open Fire)
04. Spawn Again
05. Miss You Love
06. Dearest Helpless
07. Do You Feel the Same?
08. Black Tangled Heart
09. Point of View
10. Satin Sheets
11. Paint Pastel Princess
12. Steam Will Rise
Playlist: Sex Pistols – Never Mind The Bollocks
Never Mind The Bollocks, o álbum ”descoberto” por minha biblioteca virtual após uma série de indicações na Billboard, que se estas não se encontrassem, eu não estaria resenhando agora sobre este fantástico disco dos ingleses do Sex Pistols.
Lançado na década de 70, mais detalhadamente em 1977, Never Mind The Bollocks foi lançado em um período em que bandas como Ramones, estavam caminhando para um sucesso duradouro após o lançamento de Rocket Russia. Recebido com grandes elogios da crítica, o primeiro e único disco do Sex Pistols, chegou às prateleiras britânicas no dia 10 de outubro de 77 fazendo com que a mente do público alvo se abrisse e redefinisse seu conceito sobre ”O que é Punk Rock”.
Grandes singles como God Save The Queen, Anarchy In The U.K. e E.M.I comprovam o que estou dizendo sobre este grande disco dos britânicos. Está certo, se houvesse um segundo disco, ele poderia ser muito mais amadurecido do que este(primeiro), mas a nota 10 vai pela redefinição de conceito do sub-gênero e também pelo grande trabalho de estréia do Pistols no palco – e nas paradas mundias também.
Sex Pistols – Never Mind The Bollocks
Lançamento: 28 de outubro de 1977 (Reino Unido), 10 de novembro de 1977 (Estados Unidos)
Gravadora(s): Virgin
Gênero: Punk Rock
Produção: Chris Thomas e Bill Price
Faixas:
“Holidays In The Sun” – 3:22
“Bodies” – 3:03
“No Feelings” – 2:51
“Liar” – 2:41
“God Save the Queen” – 3:20
“Problems” – 4:11
“Seventeen” – 2:02
“Anarchy in the U.K.” – 3:32
“Submission” – 4:12
“Pretty Vacant” – 3:18
“New York” – 3:07
“E.M.I.” – 3:10
Playlist: Raimundos – Roda Viva
Gravado no Kazebre Rock Bar, em São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2010 e lançado no dia 26 de maio de 2011, o Roda Viva é – até o dia 10 de julho – o mais recente álbum dos Raimundos. Com mais de 3.000 pessoas no local, o disco relembra bastante os shows de punk rock – principalmente pela participação intensa do público – o que pode ter causado uma leve queda de qualidade no som dos vocais.
Lançado pela ST2 Records e produzido por Denis Porto, o disco é um belo cartão de visitas para a volta definitiva de Digão, Canisso, Marquim e Caio Cunha aos palcos representando o nome: Raimundos. Uma volta que conteve dentre as principais canções, as velhas conhecidas canções - A Mais Pedida, Puteiro em João Pessoa, Me Lambe, Mulher de Fases, I Saw You Saying e Eu Quero Ver o Oco - e as mais recentes – JAWS e Pitando o Kobão - que fizeram da apresentação um passatempo incansável.
A nota 7 vai pelo fato da grande falação de Digão & Cia – falem menos e façam mais – e também pelo excesso de falhas na qualidade do som.

Raimundos – Roda Viva
Lançamento: 26 de maio de 2011
Gravadora: ST2 Records
Gênero: Punk Rock/ Rock Alternativo
Produção: Denis Porto
“Intro” – 1:41
“Fique Fique” – 2:55
“Esporrei Na Manivela” – 5:21
“JAWS” – 4:00
“Marujo” – 3:01
“Rapante” – 3:30
“Opa Peraí Caceta” – 2:21
“Pompem” – 2:06
“O Pão Da Minha Prima” – 3:00
“Mulher De Fases” – 4:34
“Palhas Do Coqueiro” – 2:50
“Be a Bá” – 3:25
“Macaxeira” – 1:49
“Pitando no Kombão” – 1:50
“Aquela” – 3:11
“I Saw You Saying” – 3:40
“Me Lambe” – 5:21
“A Mais Pedida” – 4:10
“Mas Vó” – 4:51
“Reggae Do Manero” – 5:15
“Tora Tora” – 4:51
“Eu Quero Ver O Oco” – 4:51
“Deixa Eu Falar” – 4:15
“Kavookavala” – 3:55
“Baixo Calão” – 3:09
“Puteiro Em João Pessoa” – 3:30
Playlist: Silversun Pickups – Swoon
Descobri o Silversun Pickups durante o ano de 2010 após uma indicação de “Panic Switch” pelo Twitter. Conhecer um artista pelo seu primeiro single de um novo trabalho pode se tornar uma grande ‘furada’ e, digo isso, por já ter visto diversos álbuns cujo primeiro single não vende bem o que o álbum entrega.
Lançado no ano anterior ao da indicação, Swoon era o segundo álbum da banda e sucedia Carnavas, debut muito elogiado pela crítica do grupo californiano. Com 10 músicas e com uma boa impressão causada por “Panic Switch”, a expectativa em torno do então novo álbum eram grandes entre todo mundo e, depois de ter lido resenhas boas e ruins relacionadas ao álbum, fui ouvir a banda com um “Q” progressivo e com uma levada meio Smashing Pumpkins.
Logo em sua primeira audição, músicas como “The Royal We”, “It’s Nice To Know You Work Alone” e “Sort Of” deixaram claro que o Swoon era exatamente aquilo (ou mais até) que o seu primeiro single prometia. Um som pesado, bem trabalhado e maduro, que contam com uma composição e produção impecáveis, além de carregar consigo um clima anos 90, que fazem parte das influências do Silversun Pickups.
Com riffs rápidos de guitarra, letras cativantes e uma apresentação bem diferentes de seu álbum anterior, Swoon mostra o quanto a banda evoluiu quando comparados ao seu debut. Aliás, se tem algo que impressiona no Silversun Pickups são as suas letras e Swoon também mostra o quanto a banda evoluiu neste quesito.
O baixo pesado de Nikki Monninger se faz presente na maioria das canções e, juntamente com os riffs distorcidos criados por Brian Aubert, geram acordes rápidos, dando uma consistência ao som que o deixa poderoso, quase impossível de ouvir sem deixar transparecer empolgação.
E Swoon é bem isso mesmo. Um álbum empolgante, que não perde esse adjetivo nem mesmo em suas faixas ‘tranquilas’ (como “Catch & Release”) e que, por mais que não tenha agradado a todos, mostra o quanto o Silversun Pickups cresceu. Vale a audição… e em volume elevado.

Silversun Pickups – Swoon
Lançamento: 14 de abril de 2009
Gravadora: Dangerbird
Gênero: Alternative Rock
Produção: Dave Cooley
Faixas:
01 – There’s No Secrets This Year
02 – The Royal We
03 – Growing Old Is Getting Old
04 – It’s Nice To Know You Work Alone
05 – Panic Switch
06 – Draining
07 – Sort Of
08 – Substitution
09 – Catch & Release
10 – Surrounded
Playlist: Pedro Morais – Sob O Sol
A cena musical mineira é composta de vários talentos que merecem atenção e muitas vezes tal atenção não é grandiosa quanto o trabalho apresentado pelos artistas. Um desses talentos em questão atende pelo nome de Pedro Morais.
O cantor que já foi apresentado aqui no Audiograma, é natural de Belo Horizonte e possui uma discografia de apenas dois CDs, mas mostra maturidade e competência de um artista velho de estrada. Prova disso é o seu segundo álbum intitulado Sob o sol.
Pedro apresenta uma MPB contemporânea de qualidade que mistura um pouco de rock e faz disso sua marca registrada. As letras de “Sob o sol” destilam poesia e criatividade e provam que o cantor pode ganhar ainda mais notoriedade e em breve ser um dos maiores nomes da MPB do Brasil.
O repertório é composto por diversas músicas feitas pelo cantor e fala de temas que vão das declarações de amor em “Canção da minha vida”, passando pela história de uma andarilha em “O nunca da estrada” e terminando com a desilusão amorosa de “Não vou me iludir”. Destaque também para as músicas “A fúria do infinito”, “Na lua” e “Sob o sol” que certamente são as melhores do álbum.
Sob o sol é um disco cheio de energia e que empolga bastante pelas letras bem compostas, produção de primeira linha e pela ótima e bem afinada voz de Pedro Morais. Um cd pra deixar sempre no player mais próximo dos amantes de música boa.

Track List
Canção De Outono
Sob o Sol
Gasolina
O Nunca da Estrada
Esse Rapaz
Canção da Minha Vida
A Fúria do Infinito
Do Tão
Na Lua
Com Você
Vou Me Iludir
Playlist: Bobby Long – A Winter Tale
A Winter Tale é o primeiro disco do cantor e compositor britânico, Bobby Long, lançado por uma gravadora. Antes disso ele havia gravado Dirty Pond Songs em seu quarto e vendido o álbum nos locais por onde se apresentava. Lançado em 2011, AWinter Tale figurou na lista dos 100 melhores do ano da Amazon e vem chamando a atenção dos críticos especializados.
Quem já conhece o artista de 26 anos não irá se surpreender com o tom rouco que já captura a atenção do ouvinte logo na primeira faixa, que dá nome ao álbum. A mistura de folk e blues, o som marcante da guitarra e a emoção transpassada na voz também estão presentes, como já se via e se sentia em Dirty Pond. A maior diferença aqui está na banda que acompanha Bobby pelas 11 faixas de A Winter Tale. Eu, particularmente, prefiro Bobby Long na forma acústica, mas isso é uma questão de gosto pessoal e a banda em nada atrapalha o desempenho do artista ou do álbum.
A Winter Tale nos apresenta um Bobby Long mais burilado, mas ainda assim despojado e único, com letras sombrias que falam da guerra, de amores sofridos, de perdas, tudo carregado com uma emoção na voz que não é vista em qualquer cantor, principalmente tão jovem. Destaque neste caso para “Dead and Done e The Bounty of Mary Jane“.
“In The Frost” nos remete à sua terra natal enquanto “Sick Man Blues” ao folk dos anos 60 e “A Stranger Song” é uma clara homenagem a uma de suas principais influências, Leonard Cohen.
Resumindo, A Winter Tale é um belíssimo trabalho para quem curte o gênero e vale a pena colocar o disco para tocar, fechar os olhos e deixar que a voz e a melodia de Bobby Long te carreguem por aí. Fica a expectativa para o que ele nos apresentará em seu segundo álbum, que já está em processo de gravação.



