Especial Rock In Rio: Up to Now – Snow Patrol
Comemorando 15 anos de carreira o Snow Patrol resolveu lançar, em novembro de 2009 um CD compilando seus grandes sucessos, B-sides e algumas inéditas. É isso, a banda faz aniversário e os fãs é quem ganham os presentes. São 30 faixas, entre grandes sucessos, covers, raridades e três canções inéditas.
O vocalista do grupo britânico, Gary Lightbody disse, na época do lançamento do disco que Up to Now era um retrato fiel da banda, com erros e acertos. Uma forma de mostrar que a banda, ainda desconhecida por muitos no Brasil, já percorreu um longo caminho.
O que mais chama atenção no disco é a forma como foi feita a seleção das canções. Cada componente do grupo fez a sua compilação e ao revelarem suas escolhas, perceberam que a maioria delas havia sido a mesma.
Com músicas como Chocolate, Run, Just Say Yes, Idlewild, Teenage Fanclub e Chasing Cars o grupo alcança uma gama extensa de fãs, dos que acompanham a banda desde o início de sua carreira até os que vieram as conhecê-los através das trilhas de séries como One Tree Hill, The E.R e filmes como Homem-Aranha 3.
Up to Now teve bom desempenho comercial, alcançando o top 5 em alguns países. Ele também vendeu bem na iTunes Store, alcançando o top 10 listas de álbuns mais vendidos em vários países.
CD1
“Chocolate”
“Chasing Cars”
“Crack the Shutters”
“Set the Fire to the Third Bar”
“Crazy in Love”
“Just Say Yes”
“Batten Down the Hatch”
“You?re All I Have”
“Hands Open”
“Cartwheels”
“The Planets Bend Between Us” (Versão 2009)
“Ask Me How I Am”
“On-Off”
“Making Enemies”
“Run” (Ao vivo na Union Chapel)
CD2
“Take Back the City”
“Shut Your Eyes”
“An Olive Grove Facing the Sea” (Versão 2009)
“Run”
“Give Me Strength”
“Signal Fire”
“Spitting Games”
“Open Your Eyes”
“Dark Roman Wine”
“Fifteen Minutes Old”
“You Are My Joy”
“Golden Floor”
“Starfighter Pilot”
“PPP”
“Chasing Cars” (Ao vivo na Union Chapel)
Rihanna @ Belo Horizonte – 18/09/2011
Rihanna trouxe a Belo Horizonte toda a sua sensualidade e swing caribenho num show cheio de sucessos que promoveu Loud, seu último cd. O show aconteceu no ginásio poliesportivo Mineirinho e começou com quase uma hora e meia de atraso, mas quando Rihanna subiu ao palco, usando um pequeno short e um top ao som do hit Only Girl, o público foi ao delírio e mostrou que o atraso estava perdoado.
Como na apresentação de São Paulo, a cantora só usou um figurino e grande parte do cenário e efeitos ficaram de fora, provavelmente devido a pequena estrutura oferecida pelo Mineirinho, por isso o show ficou um tanto pobre ao se tratar de uma cantora internacional de alto nível como Rihanna. Mas a cantora deixou esses detalhes de estrutura de lado e compensou na interação com o público e na inovação dos arranjos das músicas que ficaram bem interessantes ao vivo.
Um dos momentos interessantes do show foi quando Rihanna apareceu cantando a música Raining Men em cima de um canhão rosa que atirava coisas na plateia e além disso a vibração do público foi intensa em canções como Live Your Life, California King Bed e Cheers (Drink To That), mas quando começou Don’t Stop The Music e a cantora resolveu descer do palco e ir até os fãs que se espremiam na grade da pista pra vê-la, certamente foi o melhor momento pra aqueles que estavam ali e puderam ver seu ídolo mais próximo do que imaginavam. Cara a cara com a platéia, Rihanna interagiu com os fãs, autografou a camisa de um deles e ainda levou uma apalpada nos seios de um fã mais abusadinho.
O show terminou com o hit Umbrella e com um saldo positivo, pois apesar da simplicidade que foi apresentada, Rihanna se saiu muito bem nos quesitos canta, dança e representa. Em sua página do Twitter, a cantora disse que o show de BH foi um de seus favoritos.
Setlist:
Only Girl (In the World)
Disturbia
Shut Up and Drive
Man Down
S&M
Let Me
Raining Men
Hard
Breakin’ Dishes
Glamorous Life
Run This Town/Live Your Life
Unfaithful
Hate That Love You
What’s My Name?
Rude Boy
Cheers (Drink to That)
Don’t Stop the Music
Love the way you lie (part II)
Umbrella
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Veja fotos do show feitas pela Polly Rodrigues:
Fresno @ Uberlândia – 11/09/11
Esse certamente foi um dos shows (da Fresno) mais interessantes e emocionantes que fui ate hoje, primeiro pelo fato de ser em uma cidade onde eu não imaginava que houvesse um numero tão grande de fãs ensandecidos que cantavam todas as musicas e, segundo, pelo fato de ser ter sido em um domingo.
O inicio da festa superou todas as expectativas, a organização teve seu lugar, mas o publico foi melhor ainda, levando em conta que o evento foi em uma praça publica. Ficou marcado o fato de que, ate onde consegui enxergar de onde estava e por comentários, não houve nenhum tipo de empurra-empurra, tumulto ou qualquer coisa que viesse a prejudicar o show. Uberlândia está de parabéns.
O show teve seus “minutos” de atraso, nada que não fosse rotineiro, mas aquele atraso de aproximadamente 30 minutos valeu cada segundo. Dentro do camarim com a banda, presenciei o carinho deles com os fãs, pude registrar estes momentos (link ao final do post) e ainda conversar com os meninos.
No show, eles tocaram musicas que começavam no Ciano, passando pelo Redenção até chegar as atuais do Revanche, contando inclusive com algumas musicas que normalmente não fazem parte do set-list. O destaque fica para a musica “Quando Crescer”, que Lucas tocou sozinho, acompanhado de seu violão.
O único registro negativo fica por conta da tentativa de invasão do palco por um fã, o que acarretou na proibição de acesso de qualquer pessoa a área privativa, com exceção dos seguranças, o que impossibilitou por alguns minutos o trabalho dos fotógrafos. Mas o problema foi resolvido rapidamente pela equipe técnica da banda (Marcio e Marcão), que liberaram o trabalho dos fotógrafos que estavam presentes.
Pude ir ao evento credenciada através do Audiograma e pude comprovar que o desempenho dos meninos no palco ajuda qualquer fotografo. O lado do palco que tive maior acesso foi o ocupado pelo Vavo (guitarra), sendo que em poucos momentos consegui maior acesso ao local onde estava o Tavares (baixo). Nesse quesito, o destaque da noite foi com certeza o Lucas (vocal) que mesmo com o palco alto como era, tornava possível boas fotos de qualquer ângulo.
Deixo aqui meus agradecimentos aos produtores e equipe da festa, Anderson, Carol e Ivan (Concurso de bandas), a todos os envolvidos no evento, direta e indiretamente e principalmente a equipe da banda Fresno.
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Texto e fotos: Helen Melo
Maria Gadú @ Belo Horizonte – 09/09/2011
São vários os motivos que me fazem ver um show da Maria Gadú como algo especial, apesar de não ser um dos grandes entusiastas de seu trabalho. Nos últimos anos, tive a chance de ver a cantora por duas vezes e, em todos os casos, ela acompanhava outros artistas nas apresentações.
Foi assim com a Vanessa da Mata no projeto Mulheres Brasileiras (que em Belo Horizonte contou também com a Fernanda Takai) e com Caetano Veloso.
Desde que fui apresentado a “Shimbalaiê”, sempre pensei nas músicas da Maria Gadú como coisas para se ouvir no aconchego do lar, naqueles momentos típicos descritos por suas letras, mas não me via – até então – motivado a ver um show solo. Possivelmente, esse pode ter sido o grande motivo que me fez conferir desta vez a passagem de Gadú por Belo Horizonte, na última sexta.
Em uma apresentação coesa para um Chevrolet Hall parcialmente cheio (não tanto o quanto esperava), a cantora brindou os presentes com seus sucessos, versões de músicas como “Ne Me Quitte Pas” e “Lanterna dos Afogados”, sua bela voz e seu jeito moleca.

Pontos que conquistaram ainda mais um público já fiel e praticamente incapaz de se decepcionar com o que via, principalmente este em especial, que esperou desde maio (quando o show foi adiado) por esta apresentação.
Se o Chevrolet não estava lotado, os presentes conseguiram suprir essa “falta” cantando e dançando cada música do início ao fim e correspondendo ao trabalho feito por Gadú, sua competente banda e por seu convidado Leandro Léo, que participa do DVD Multishow Ao Vivo da cantora e deu o ar da graça na apresentação mineira, cantando algumas solo e outras músicas acompanhado da cantora.
Boa parte deste texto eu escrevi das cadeiras do Chevrolet, durante o show. Por diversas vezes já saí de um show com o texto na cabeça, mas nunca a ponto de começar a escrever ainda com o show acontecendo.
Ao final do show, ficou clara a sensação de que, se você gosta do que a Maria Gadú tem a oferecer, a apresentação tem – e muito – o seu valor. E vale cada centavo gasto, experiência própria.
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Fotos: Polly Rodrigues
Lançamentos: Red Hot Chili Peppers – I’m With You
Por muitas vezes pensei em não escrever sobre o I’m With You, tamanha a expectativa que carregava em torno do aguardado novo álbum do Red Hot Chili Peppers. E, certamente, o maior motivo dessa expectativa toda se deve a saída de John Frusciante e a entrada de Josh Klinghoffer.
Os dois, já amigos de longa data, possuem muitos pontos em comum e, além disso, Klinghoffer já trabalhava com a banda durante a (curta) turnê do Stadium Arcadium. Talvez por esses motivos apresentados que não me juntei ao grupo de temerários pelo fim do Chili Peppers quando a troca foi anunciada. Apesar disso, a curiosidade era tão óbvia que meu mês de agosto – quando falamos de música, claro – pode ser resumido no fato d’eu ficar monitorando blogs e redes sociais para ter saber quando o álbum estivesse disponível.
Pela proximidade de estilo dos guitarristas, não aguardava grandes mudanças no som do Chili Peppers. Fato que ficou comprovado com o lançamento do primeiro single, “The Adventures of Rain Dance Maggie”. A música, que acaba destoando do resto do álbum quando comparamos faixa a faixa, deixou claro que I’m With You dava as caras como mais um álbum dentro da fórmula atual e já conhecida da banda, desenvolvida com Californication e aprimorada nos álbuns seguintes.
Com produção de Rick Rubin, o disco abre com “Monarchy of Roses” e, não sei se intencionalmente ou não, conta com um início parecido com o de “Warped”, música que abre o One Hot Minute (1995) e que também não conta com John Frusciante como guitarrista.
A medida que se segue, I’m With You vai alternando entre músicas com arranjos acima do normal, influências latinas e dois quesitos que Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith já estavam acostumados desde o Californication: Canções mais “tranquilas” e um funk-rock mais levado pro “pop”.
Os pontos altos ficam por conta de “Brendan’s Death Song”, “Annie Wants A Baby”, “Look Around”, “Did I Let You Know”, “Goodbye Hooray” e “Police Station”, faixas que seguram um álbum que, apesar de não ter nada que faça com que a banda possa fugir do seu formato atual, entrega aos fãs e apreciadores de boa música um trabalho que merece menções positivas, principalmente quando o objetivo de se superar as suas expectativas é cumprido, como no meu caso.
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Red Hot Chili Peppers – I’m With You
Lançamento: 26 de agosto de 2011
Gravadora: Warner
Gênero: Alternative Rock / Funk Rock
Produção: Rick Rubin
Faixas:
01. Monarchy of Roses
02. Factory of Faith
03. Brendan’s Death Song
04. Ethiopia
05. Annie Wants a Baby
06. Look Around
07. The Adventures of Rain Dance Maggie
08. Did I Let You Know
09. Goodbye Hooray
10. Happiness Loves Company
11. Police Station
12. Even You Brutus?
13. Meet Me at the Corner
14. Dance, Dance, Dance
Fresno @ São Paulo – 04/09/11
Depois de já ter assistido a quatro shows da Fresno, fui para o quinto – no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo – e um show que poderia ter sido “apenas mais um” foi da nostalgia ao tumulto.
A sensação de um “possível” problema começou quando o público, que por sua vez lotou o ginásio em um show gratuito, não poderia ocupar a quadra e os espaços próximos do palco, somente as arquibancadas. Pra bom entendedor basta, colocar uma galera sentada durante um show de rock nesse nosso país não é algo muito viável de se fazer.
Até então tudo muito tranquilo e a Fresno entrou pontualmente no palco, com um setlist que variou de músicas dos CDs Ciano, Redenção, até o atual Revanche. As lágrimas tomaram conta em “Porto Alegre” e “Não Leve a Mal”. Músicas mais antigas como “Desde Quando Você Se Foi” e “Quebre as Correntes” levaram o público a seguir a voz de Lucas Silveira com um coro memorável.
E foi esse mesmo público, que ao delírio, não ficou sentado e mostrou que a noite do domingo “calmo” no Ibirapuera ainda prometia muita coisa. A banda também sentiu que manter o público distante do palco, não foi uma boa ideia, deixando claro nos comentários do Lucas logo no começo do show que era ruim pra eles estarem longe da vibe do público.
Chegando ao final da apresentação, o público que não se contentou em ficar somente nas arquibancadas, se organizou para invadir a quadra do ginásio e foi antes de “Revanche”, última música, que a multidão passando por cima das barricadas de acrílico, tomou conta do espaço da quadra do Ginásio do Ibirapuera.
Previsível. Era o que dizia Lucas antes de encerrar o show, junto com os pedidos de calma e que a galera não subisse ao palco. Atendendo o vocalista, o público representou e mostrou que estavam ali pra realmente curtir um show como merecia ser feito.
A Fresno deixou o palco e à medida que as pessoas foram deixando o ginásio era visível o estrago no local. Certos ou errados, foram até la para assistir uma banda que eles gostavam. De maneira certa ou errada, cada um viu da forma e com a atitude que achou melhor.
Erasure @ Belo Horizonte – 07/08/11
A palavra mais adequada para definir a passagem do Erasure por Belo Horizonte seria nostalgia. No meu caso, uma nostalgia que vem dos tempos em que minha mãe ficava ouvindo “A Little Respect” e “Oh, l’amour” em casa e sempre me apresentando coisas dos anos 80 para ouvir. Ou ainda uma nostalgia dos tempos em que acompanhava a saga do meu primo como DJ e ficava de ouvido ligado em tudo o que ele tocava daquele tal de Eurodance.
Andy Bell e Vince Clarke subiram ao palco do Chevrolet Hall para presentear o publico mineiro com sua a turnê Total Pop!. Trazendo uma mescla de clássicos do synthpop e músicas mais recentes, a dupla embalou o público presente na casa, formado em sua maioria por pessoas que vivenciaram com maior intimidade o sucesso da dupla nas pistas de todo o mundo.
Com uma produção que pode ser considerada até simplória, o Erasure deixou claro que um show de qualidade não precisa ser cheio de parafernálias. Ao ver a dupla em ação, acaba que o grande destaque fica por conta da apresentação peculiar de Andy, que desde a primeira música conseguiu conquistar o público com seu carisma.

Hits como “Love To Hate You”, “Blue Savannah”, “Always” e “You Sorround Me” aliados ao carisma de Bell, o concentrado e calado Vince e as suas duas backing vocals, fizeram do Chevrolet Hall uma pista de dança digna de encher os olhos de quem estava presente. Além dos clássicos, o Erasure ainda apresentou ao público mineiro uma das músicas inéditas que farão parte do álbum Tomorrow’s World, que tem lançamento previsto para outubro.
O clima nostálgico tomou conta da casa e conseguia contagiar todos, até mesmo aqueles que estavam no Chevrolet e, por ventura, não conheciam tão a fundo a dupla (e nossa fotografa é um exemplo disso). Dançar era algo inevitável desde a primeira música e, pelo menos no local de onde acompanhei o show, não teve um que não o fez durante as quase uma hora e vinte de apresentação.
Apesar de não ter tido a oportunidade de viver intensamente o período de maior sucesso do Erasure, me sentia mais do que imerso naquela festa por tudo o que a dupla representava, seja para o meio musical como para meu lado pessoal.
Com o passar do tempo, aprendi a não ver a música como uma fórmula matemática e precisa de sucesso. Apesar disso, ao fechar sua apresentação em BH com “Stop!”, o Erasure deixou em muitos uma vontade de voltar no tempo ou, no meu caso, poder vivenciar um período onde a música parecia ser tão simples de fazer, bastando ‘apenas’ uma boa voz, um computador e um violão para produzir seus grandes sucessos sem medo de decepcionar seus fãs.
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Fotos: Polly Rodrigues
Avril Lavigne @ Belo Horizonte – 02/08/11
Com quase oito anos de atraso, realizei um sonho que tinha lá em 2003, com meus 16 anos, no auge da turnê My World e do lançamento do DVD com o mesmo nome: Um dia veria a Avril Lavigne de perto.
Ok, não foi tão de perto do jeito que o meu sonho desejava e demorou muito mais do que planejava naquela época. Demora que influenciou bastante na forma como vi o show. Se em 2003 eu me considerava fã da Avril Lavigne (não como os que são capazes de fazer fila três dias antes do show no Chevrolet Hall), hoje eu não carrego mais esse “título” comigo mas, como diria um célebre jogador do futebol brasileiro se tivesse vivenciando a mesma situação que a minha, “sonho é sonho e vice versa”.
Com isso na cabeça, fui para o Chevrolet Hall com a esperança de ouvir mais músicas da época Let Go/Under My Skin. Para me agradar, lá estavam “Sk8er Boi”, “He Wasn’t”, “Nobody’s Home”, o instrumental de “Losing Grip”, “My Happy Ending” e “Complicated”, que teve a missão de fechar um show que, apesar de não parecer, representava muito mais para mim do que poderia imaginar.
A intro com “Bad Reputation” soou como um alarme para o que viria a seguir. Para um público empolgado e capaz de cantar até música ambiente antes do show começar, qualquer coisa relacionada a Avril era capaz de causar altos decibéis de gritos. E isso inclui até anuncio de perfume da cantora. Após intro, Avril sobe ao palco para cantar “Black Star” e dá início, de fato, a sua apresentação em Belo Horizonte.

Com uma banda extremamente competente e uma setlist que passou por todas as fases da cantora, o show foi caminhando e a sensação de que “as antigas empolgam mais” foi ganhando força em minha cabeça. Talvez pelo trabalho atual ser fruto de uma fase mais madura que no seu início de carreira, mas ouvir as músicas de seus dois primeiros álbuns parecia satisfazer mais o público presente. O único senão fica por conta de “Smile” que, das recentes, foi a que mais fez o público cantar. Além das músicas próprias, Avril ainda brindou o público com o cover de “Fix You”, do Coldplay, e um trecho de “Airplanes”, do B.O.B., que serviu como introdução de “My Happy Ending”.
A recepção mais do que calorosa de Belo Horizonte fez com que Avril e os demais membros criassem uma sintonia com o público, com direito a coro ao fim de “I’m With You”, onde o público cantou diversas vezes os trechos finais da música, apenas coordenados por Avril, que naquela altura parecia extremamente feliz com o show e, principalmente, o público presente.
Apesar do calor no interior da casa (que fez muitos passarem mal) e de um fã que invadiu o palco e assustou a cantora, o saldo da passagem de Avril Lavigne por BH foi bem positivo. Ao fim de “Complicated” e após quase duas horas de show, as luzes se acenderam e mostraram uma grande maioria em êxtase com tudo o que viu. Assim como eles, sai com a sensação de sonho realizado, mas também com o pensamento de que ele poderia ter sido realizado de uma forma bem diferente do que realmente foi.
E quando digo que ele poderia ter sido diferente, não estou creditando nenhum tipo de culpa a Avril ou de sua banda, mas ao simples fato de que eu cheguei ao show com oito anos de atraso.
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Setlist:
01. Bad Reputation (Intro)
02. Black Star
03. What the Hell
04. Sk8er Boi
05. He Wasn’t
06. I Always Get What I Want
07. Alice
08. Fix You (Cover do Coldplay)
09. When You’re Gone
10. Stop Standing There
11. Wish You Were Here
12. Everybody Hurts
13. Nobody’s Home
14. Unwanted/Freak Out/Losing Grip (instrumentais)
15. Girlfriend
16. Airplanes/My Happy Ending
17. Don’t Tell Me
18. Smile
19. I’m With You
20. I Love You
21. Hot
22. Complicated
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Fotos: Polly Rodrigues
Playlist: Adele – 21
Ao lançar nesse ano o seu segundo cd, intitulado 21, Adele se tornou um fenômeno mundial com seu estilo que mistura soul e jazz e promete ganhar ainda mais destaque na cena musical.
A cantora, que é considerada por alguns críticos uma Amy Winehouse comportada e sem escândalos, possui uma voz poderosa e estilo bem parecidos com o de Amy. Estilo que também lembra as famosas divas negras americanas. Dentre as cantoras que inspiram Adele há exemplos como a própria Amy, Etta James e Beyoncé.
As músicas de 21 possuem letras fortes e muitas delas falam das dores de amor vividas pela cantora. Destaque para as canções “Rolling In The Deep”, “Rumor Has It” e “Someone Like You”.
A artista de apenas 23 anos vem se mostrando uma cantora de números altos. O seu segundo cd já vendeu mais de oito milhões de cópias pelo mundo e se encontra em primeiro lugar em quatorze países, incluindo o Brasil. Adele conseguiu também colocar dois singles e dois CDs ao mesmo tempo no top 5 da Inglaterra, feito que há muitos anos só havia sido alcançado pelos Beatles. E não pára por aí, o primeiro single do cd, “Rolling In The Deep”, já vendeu mais de quatro milhões de cópias na internet e se encontra no segundo lugar dos mais vendidos.
A cantora também coleciona prêmios como dois Grammys e um Brit Awards e com certeza vem mais por aí, pois esse é definitivamente o ano de Adele.
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Adele – 21
Lançamento: 19 de janeiro de 2011
Gravadora: XL Recordings
Gênero: R&B, Jazz, Pop
Produção: Rick Rubin
Faixas:
01. Rolling In The Deep
02. Rumor Has It
03. Turning Tables
04. Don’t You Remember
05. Set Fire To The Rain
06. He Won’t Go
07. Take It All
08. I’ll Be Waiting
09. One And Only
10. Lovesong
11. Someone Like You
Playlist: Institute – Distort Yourself
Gavin Rossdale é aquele cara que talvez você não faça a menor ideia de quem seja ao ouvir o seu nome, mas que certamente já ouviu algo diretamente ligado a ele, seja através do Bush (que está voltando à ativa), de sua carreira solo ou com seu projeto paralelo de único álbum, o Institute.
Criado pouco depois do anúncio referente ao hiato do Bush, o Institute parecia ser mais uma daquelas bandas paralelas que buscaria agregar um pouco da formula de sucesso do projeto original de seu líder e, a partir disso, navegaria por um terreno não tão explorado por ele anteriormente. Se o Bush estava totalmente enraizado no conceito grunge que foi apresentado ao mundo por Nirvana e Pearl Jam, o que se viu com o lançamento de Distort Yourself, em 2005, foi uma ‘guinada’ total na carreira de Rossdale.
Desde os primeiros acordes de “Bullet Proof Skin”, podemos ver que o Institute mostra um lado mais pesado e com guitarras mais do que afiadas de seu vocalista. Se o som não chega a ser algo original, o produto final entregue por Rossdale (vocal e guitarra), Chris Traynor (guitarra), Cache Tolman (baixo) e Charlie Walker (bateria) apresenta características marcantes e capazes de serem admiradas por aqueles que gostam de um trabalho melodicamente bem feito, somado a letras feitas para se cantar a plenos pulmões.
Músicas como “When Animals Attack”, “Information Age” e “Seventh Wave” são grandes exemplos do bom casamento entre voz e melodia criado pelo Institute. Apesar disso, o ponto alto de Distort Yourself fica por conta da faixa “Ambulances”, música mais do que capaz de monopolizar todas as atenções do álbum. Aliás, vale ressaltar que foi através dela que conheci o projeto e, naquela época, demorei um certo tempo para ligar os pontos e ver que era, de fato, ‘o marido da Gwen Stefani’ quem colocava sua voz nas letras do Institute.
“Save The Robots” fecha um álbum que não obteve grande sucesso mundo a fora, mas que deu a banda a possibilidade de abrir alguns shows da turnê Vertigo do U2 e colocar seu single entre os 30 mais ouvidos nos charts de Modern Rock e Mainstream Rock da Billboard no ano de seu lançamento.
Acima de tudo, o Institute é um projeto que mostra um lado diferente de Rossdale. É um projeto de um álbum só (como vários outros criados naquela época – ta aí o Probot de Dave Grohl que não me deixa mentir), e que não teve o reconhecimento devido. Pode não ter sido um projeto duradouro, mas rendeu 12 bons frutos e, talvez, merecesse uma continuidade. Infelizmente, isso é algo que nunca saberemos ao certo.
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Institute – Distort Yourself
Lançamento: 13 de setembro de 2005
Gravadora: Interscope
Gênero: Rock
Produção: Gavin Rossdale e Page Hamilton
Faixas:
01. Bullet-Proof Skin
02. When Animals Attack
03. Come On Over
04. Information Age
05. Wasteland
06. Boom Box
07. Seventh Wave
08. The Heat Of Your Love
09. Ambulances
10. Secrets And Lies
11. Mountains
12. Save The Robots
Lançamentos: Arctic Monkeys – Suck It And See
O Arctic Monkeys cresceu. Estranho dizer isso, mas parece que a banda se “perdeu” durante este crescimento. Se em Humbug tinha a “muleta” Josh Homme para dar suporte ao que foi (bem) feito, a muleta da vez eram os próprios integrantes e, em muitas vezes, apenas Alex Turner, que resolveu adotar um estilo “engraçadinho” de ser, fazendo com que suas composições fossem vistas como uma forma bem-humorada de se ver determinadas situações.
Letra e melodia tomam caminhos distintos. Enquanto Turner se esforça para produzir coisas capazes de nos fazer rir, as melodias se tornam cada vez mais densas, provocantes, completamente diferentes do debut da banda, lançado oficialmente em 2006.
É uma banda diferente, por isso não sou tão favorável a comparações entre o que foi feito lá em Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not e o que a banda acaba de lançar em Suck It And See. Muitos dizem que a banda muda de acordo com o humor dos integrantes, outros dizem que isso faz dos Monkeys uma banda original, por tentar sempre trilhar novos caminhos. Não consigo me posicionar em um dos dois grupos mas, se Suck It And See não é o melhor álbum da banda (e na minha opinião ficou longe de ser), é um lançamento decente de uma trupe que, hoje, pode se dar ao luxo de poder experimentar sem perder alguns elementos que são a marca registrada da banda.
Suck It And See nos brinda com um baixo de Nick O’Malley e, não sei você, mas nunca ouvi um baixo tão presente na banda como neste álbum. Suck It And See nos brinda com “Library Pictures” que, de longe, foi uma das músicas que me causou mais alegria ao ouvir e que bebe na fonte mostrada por Homme no álbum anterior. Suck It And See nos entrega uma maior quantidade de riffs leves e sem grandes variações, algo que não era visto (pelo menos com tanta clareza) nos álbuns anteriores.
Apesar disso, músicas como “Black Treacle” e “Brick By Brick” trazem um pouco do passado, da bateria sempre marcante de Matt Helders e tentam acalentar um pouco os corações dos mais desesperados pelo retorno “as origens” dos macacos.
Vejo que o tempo passou e a trupe formada por Turner, Cook, O’Malley e Helders resolveu, de fato, apostar no estilo adotado em Humbug. Se em Humbug a aposta parecia deveras arriscada, em Suck It And See ela acaba se consolidando e deixando claro o novo posicionamento da banda, ainda que um pouco confuso.
O que fica claro com tudo isso é que, salvo grande mudança, a banda não deve apresentar um novo álbum que seja todo pautado naquela “correria jovial” do início de carreira. Mesmo assim, o Arctic Monkeys é mais do que capaz de nos dar boas canções e, mesmo considerando Suck It And See um álbum bem aquém dos demais, acredito que suas 12 canções são sim dignas de audição.
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Arctic Monkeys – Suck It And See
Lançamento: 06 de junho de 2011
Gravadora: Domino
Gênero: Alternative Rock
Produção: James Ford
Faixas:
01. She’s Thunderstorms
02. Black Treacle
03. Brick by Brick
04. The Hellcat Spangled Shalalala
05. Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair
06. Library Pictures
07. All My Own Stunts
08. Reckless Serenade
09. Piledriver Waltz
10. Love Is a Laserquest
11. Suck It and See
12. That’s Where You’re Wrong
Lançamentos: Simple Plan – Get Your Heart On!

O novo álbum Get Your Heart On! vem conquistando os corações de vários fãs da banda. No ano passado a banda propôs um convite aos fãs no twitter dizendo:
- “Resolvemos escrever músicas sobre vocês. Poderiam nos ajudar a descrever como a nossa música faz vocês se sentirem ao longo dos anos? “
Em segundos, fãs começaram a postar como eles se sentiam e dando sugestões a banda. A primeira faixa a ser criada foi “This Song Saved My Life ” e, logo em seguida, deram idéias para as outras faixas.
Esse álbum foi lançado praticamente como um presente aos fãs, já que retrata de como eles se sentem.
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Simple Plan – Get Your Heart On!
Lançamento: 21 de junho de 2011
Gravadora: Atlantic
Gênero: Pop Punk / Power Pop
Produção: Brian Howes
Faixas:
01. You Suck At Love
02. Can’t Keep My Hands Off You (Feat. Rivers Cuomo)
03. Jet Lag (Feat. Natasha Bedingfield)
04. Astronaut
05. Loser Of The Year
06. Anywhere Else But Here
07. Freaking Me Out (Feat. Alex Gaskarth)
08. Summer Paradise (Feat. K’naan)
09. Gone Too Soon
10. Last One Standing
11. This Song Saved My Life
AudioTape: @2
O desaparecimento foi involuntário. Nem sei se alguém chegou a sentir falta de uma AudioTape, mas após alguns meses com essa edição engavetada por problemas de postagem, resolvi tirar a poeira desta seção do site.
Para isso, nada melhor do que celebrar o gênero mais importante da história da música. Sim, ele mesmo, o bom e velho rock n’ roll, como já dizia o grande Nasi, ex-vocalista do Ira!.
Para isso, peguei 14 músicas que representam o rock a sua maneira. Não tem clássicos, porque aí seria uma mixtape ao melhor estilo “chover no molhado”, mas tem Stone Temple Pilots, Soundgarden, Faith No More e The Clash, que representam (muito) bem essa ala.
Aliadas a essas bandas, vem o tal “diferencial” desta edição. Nomes de boa qualidade, mas que muitas vezes não são lembrados em uma homenagem ao Rock. Aí entram The Subways, Silversun Pickups e Black Rebel Motorcycle Club, com isso a mixtape está pronta, certo?
Errado, porque ainda falta o recheio, que nessa segunda edição da AudioTape fica por conta de Silverchair, Incubus e Red Hot Chili Peppers.
Sem mais delongas, aperte o play logo abaixo e depois nos diga o que achou da seleção.
AudioTape @ 2
Duração: 52:32
Locução: Tatiana Perry
Capa: Polly Rodrigues (Foto) / John Pereira (Edição)
Download: MegaUpload
Faixas:
01) The Subways – Oh Yeah
02) Stone Temple Pilots – Huckleberry Crumble
03) Black Rebel Motorcycle Club – Berlin
04) Silversun Pickups – Panic Switch
05) Soundgarden – The Day I Tried To Live
06) Silverchair – Pins In My Needles
07) Incubus – 11Am
08) Chickenfoot – Get It Up
09) Barão Vermelho – Cuidado
10) Red Hot Chili Peppers – Sikamikanico
11) Editors – All Sparks
12) Faith No More – Be Aggressive
13) The Clash – Rock The Casbah
14) Scars On Broadway – 3005
Restart @ Belo Horizonte – 22/05/11
Nunca tinha me imaginado antes indo a um show do Restart e, salvo acontecimentos futuros, não me vejo voltando a outra apresentação da banda. Digo isso sem vergonha ou preconceito algum e, acredito eu, quem gosta da banda vai acabar me entendendo, caso leia o texto até o final. Então, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes.
Quem me conhece sabe que, se tem algo no meio musical que não me agrada, procuro evitar ao máximo escrever sobre. Apesar disso, resolvi encarar a passagem do Restart por BH como um desafio, ao qual dei o nome carinhoso de “odisséia colorida”.
Casa bem cheia (ainda que não tenha atingido lotação máxima), noite de domingo, o Chevrolet Hall recebia mais uma vez o “fenômeno musical da atualidade” dentro do Happy Rock Sunday (que teve a abertura por conta da banda Done, só para efeito de registro). Hoje, são vários os fatores capazes de classificar o Restart como fenômeno. Podemos falar do carinho dos fãs com a banda – demonstrado por gritos ensurdecedores, cartazes, faixas e as já tradicionais calças coloridas; a boa vontade (e até paciência) dos diversos pais que acompanham os filhos nos shows, sabem as músicas e estão alí pela felicidade dos filhos e, porque não, pelos próprios integrantes que tentam demonstrar ou “devolver” um poucode tudo o que recebem todos os dias.
Claro que todo o marketing em torno da Restart contribui. A lojinha oficial vendendo diversos tipos de artigos relacionados a banda é só um exemplo de ações capazes de confirmar o Restart como fenômeno. Se musicalmente a banda não consegue me agradar – ainda que consiga soar, em alguns poucos momentos, melhor ao vivo do que em estúdio; é impossível negar o quanto o fenômeno já está inserido no meio musical brasileiro, doa a quem doer.

Gritos a cada gesto “diferente” e a cada frase “bonitinha” me fizeram encarar o show mais como uma performance dos integrantes, algo semelhante as “boy bands” do início dos anos 2000, do que um show de rock, como originalmente proposto. É um evento voltado para quem tem entre 12 e 17 anos e, ao fim de tudo, ficou claro para este que vos escreve o quanto é errado comparar o Restart com as bandas de rock… ou colocar tudo na mesmo saco. É um fenômeno adolescente, como vários outros que pudemos ver por aí ao longo dos anos. A diferença talvez seja que, diferentemente de antes, estão usando guitarras.
Ser visto como tal não é nenhum demérito para Pe Lanza, Koba, Pe Lu e Thomas, até porque os quatro levam público por onde passam e fazem a alegria deste público alvo, mesmo que do outro lado da “trincheira” existe um (grande) grupo de descontentes.
Desde a sua abertura – com imagens de diversos apresentadores de TV (Jô Soares, Xuxa, Faustão, Marília Gabriela, entre outros) falando da banda, a apresentação do Restart é uma sucessão de clichês que cumprem bem o seu objetivo. O abuso de luzes, o telão sempre com muitas cores, performances solo de cada um dos integrantes, o ato de pegar uma fã do público para levar ao palco e os tradicionais coraçõezinhos com as mãos agradam a quem está presente, escuta diariamente e procura, durante o show, registrar e guardar cada momento.
Enquanto Pe Lanza incorporava Michael Jackson durante uma versão de “Billie Jean” (com direito a ‘moonwalk’ e tudo) ou Thomas fazia seu solo de bateria (totalmente) inspirado em Matt Sorum e o Guns N’ Roses de 1992, pude perceber que tudo o que foi descrito aqui fez o Restart se tornar isso que é hoje. Podemos discutir as questões musicais, falar da qualidade de composição ou da influência que tudo isso causa em seu público, mas o quarteto otimiza a presença do marketing no cenário musical e isso tende a ser cada vez mais presente no cenário musical, goste você ou não.
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Fotos: Polly Rodrigues
Sublime With Rome @ Belo Horizonte – 19/05/11
Noite fria de quinta-feira. Lá estava eu prestes a ver uma das bandas que movimentaram minha infância/adolescência, graças a hits como “Santeria” e “What I Got”. Não posso dizer que cresci ouvindo Sublime, até porque nunca fui tão ligado a banda como era em outros casos, mas não posso negar que as suas músicas – sejam os hits ou outras menos conhecidas – fizeram (e ainda fazem) parte da minha vida.
Ainda que este não seja o Sublime que os saudosistas gostariam de ver, no palco estariam dois terços da criatividade e originalidade que ganharam o mundo nos anos 90, somados a um vocalista jovem, animado e que, até pouco tempo atrás, era mais um fã da banda. A chance de conferir tudo isso ao vivo acabou vencendo o frio e a vontade de ficar em casa.
Para um Chevrolet Hall cheio, o Sublime With Rome apresentou praticamente tudo aquilo que os presentes gostariam de ver. Talvez um ou outro queira reclamar do setlist ou de como “Santeria” foi tocada, mas o trio conseguiu traduzir a sua história durante o show, deixando aquele clima de nostalgia pairando no ar durante toda a apresentação.
Com um show bom e competente, o Sublime With Rome poderia ter saído de BH deixando uma impressão muito boa no público presente. Poderia.
Sabe quando você deixa um lugar com a sensação de que, apesar de bom, o show poderia ter sido melhor? Foi dessa forma que deixei o Chevrolet Hall, com o sentimento de que ficou faltando “algo” e, antes que alguém se lembre de Bradley Nowell, vale ressaltar que Rome Ramirez é um vocalista/guitarrista que se encaixou perfeitamente na banda.
Talvez tenha sentido falta de uma entrega maior da banda no palco e, quem sabe, isso pode ser reflexo da extensa turnê pelo Brasil ou do meu conhecimento baseado em shows anteriores a 1996 e a morte de Nowell. No geral, fiquei satisfeito pelo show e por poder tirar o Sublime da minha lista de “coisas que preciso ver antes de morrer”, mas poderia ter sido melhor. Realmente poderia.
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Fotos: Polly Rodrigues
Via Nova Festival @ Belo Horizonte – 09/04/11
O último dia nove de abril fez com que uma parte da população de Belo Horizonte que curte boa música tivessem um dilema interessante pela frente. Quase ao mesmo tempo, duas boas opções sonoras se apresentavam na cidade e, enquanto boa parte foi encarar algumas doses de clássicos no Mineirinho, fiz o caminho inverso e fui para o Chevrolet Hall curtir um pouco do que o novo festival de BH tinha a me oferecer.
Talvez a grande sacada do Via Nova Festival seja reunir duas atrações que, analisando de forma superficial, possuem muito pouco ou nada em comum. E assim foi em sua estreia com os shows da Pedra Letícia e do Móveis Coloniais de Acaju. Se por um lado eu já tinha visto a “big band” de Brasília algumas vezes, a Pedra Letícia ainda era uma novidade para mim.
Acredito que todo mundo já deve ter ouvido pelo menos uma criação dos goianos, mesmo que não tenha conhecimento de sua autoria. São mais de 25 milhões de acessos registrados até o momento no Youtube, tudo isso graças a uma divulgação massiva por parte dos fãs e de pessoas que acham engraçadas músicas como “Creuza”, “Teorema de Carlão” ou “Como que ocê pôde abandoná eu?”.
Mas é ao vivo que a banda realmente se revela e que todo o sucesso alcançado se justifica. Com um show animado, altas doses de humor e uma mescla de composições próprias com grandes sucessos (ou nem tanto assim) da música nacional, a Pedra Letícia é empolgação, rock e alegria do início ao fim.
Fazendo uma analogia até idiota (perdão), talvez a banda seja a única e verdadeira digna de ser definida no cenário musical pela alcunha de “happy rock”, tão usada atualmente para classificar certo estilo de bandas. A Pedra Letícia é um rock feliz na concepção literal do termo. Alegria, piada, ironia, altas doses de bom humor ao vivo e, tudo isso, aliado a um som de qualidade, que me surpreendeu ao longo da noite.

Aí veio o Móveis Coloniais de Acaju e, com eles, mais um show capaz de marcar aqueles que foram pela primeira ou pela centésima vez conferir a banda de perto. Salvo reações bem adversas, até hoje não encontrei alguém que não tivesse gostado de alguma apresentação da banda, ainda mais em Belo Horizonte, onde a sintonia banda-público chega a níveis que eu jamais vi com outros nomes nacionais e internacionais.
A qualidade ao vivo de músicas como “Copacabana”, “Perca Peso”, “Cão-Guia” ou “Lista de Casamento” te obrigam a cantar e dançar, mesmo que não queira. Ou, como no meu caso, a bater o pé no chão e cantarolar alguns trechos.
Não me lembro com exatidão quantas vezes já pude conferir a banda ao vivo, mas sempre saio com a sensação de que o Móveis é daquelas bandas que se enquadra na história do “bom vinho” e melhora a cada vez que vejo.
Para um público pequeno, mas incrivelmente animado, o saldo do Via Nova Festival é bem positivo. É interessante ver novos nomes da música nacional utilizando uma estrutura que é tida como a melhor de Belo Horizonte. Tudo isso é capaz de credenciar o evento para novas edições e atrair mais o público da capital mineira, desde que não tenha algo clássico para dividir as atenções em outro local.
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Fotos: Polly Rodrigues



