De olho nos palcos: Paul McCartney @ Belo Horizonte – 04/05/2013

De olho nos palcos: Paul McCartney @ Belo Horizonte  – 04/05/2013

O último sábado foi inesquecível para as 55 mil pessoas presentes no Estádio Mineirão. Não por causa de uma final de campeonato, mas por causa de um Sir: Sir Paul McCartney. Belo Horizonte foi escolhida para ser o palco de um grande espetáculo, a estreia da turnê “Out There!” do eterno Beatle.

Paul e sua banda abriram o show com “Eight Days A Week”, música que, de acordo com o site oficial do artista, foi tocada por ele juntamente com The Beatles somente uma vez, em 1965. “Paperback Writer” foi tocada com a guitarra usada na gravação da música em 1966. Após 20 anos, “Another Day”, o clássico da carreira solo de Paul, foi tocada. “The Long And Winding Road” provocou lágrimas no público. Durante a execução de “Live and Let Die” – um dos momentos mais marcantes do show – o grande espetáculo foi a soma de sir Paul ao piano, banda, explosões e fogos de artifícios, o que causou grande histeria do público. E, em “Hey Jude”, parte do espetáculo ficou por conta do público que homenageou e agradeceu Paul com cartazes, balões coloridos, câmeras e celulares formando um lindo céu estrelado e o maior coro que já ouvi na minha vida. Emocionante em todos os sentidos, sem clichês.

O setlist do show também tinha “Listen To What The Man Said”, “Hi, Hi, Hi”, “Let Me Roll It”, “Your Mother Should Know”, “Eleanor Rigby”, “All Together Now” (também cantada em um coro belíssimo) e “Helter Skelter” que, para mim, é um clássico da história do rock’n roll. Outros momentos marcantes do show foram as homenagens feitas a Nancy Shevell, Linda McCartney, John Lennon e George Harisson. Nesta última homenagem, Paul tocou um ukelelê e fez as honrarias para a belíssima “Something”. Além disso, Paul falou quase tudo em português e levou o público a loucura quando disse “uai” e “trem bão, sô”. Mal sabia ele que o único Sir ali era ele mesmo.

McCartney mostrou, mais uma vez, ser um grande instrumentista e tocou seu clássico baixo, pianos, violões, guitarras e o ukelelê. Tirou o blazer na terceira música, sentindo que o clima estava realmente quente e cantou as 36 músicas da setlist sem se cansar. Sua educação, carisma e boa energia nos fez perceber porque ele é um Sir. Ao fim do show, Paul disse algumas coisinhas que nos deram a esperança de que ele volta logo. Enquanto esperamos a volta, ficamos por aqui com a sensação de ter visto um dos melhores shows do mundo e com a imagem inacreditável de um Beatle dizendo “uai”. Eu, aqui, só tenho a agradecer e dizer para Paul: “trem bão, Sir”.

Setlist BH

  • Eight Days A Week
  • Junior’s Farm
  • All My Loving
  • Listen To What The Man Said
  • Let Me Roll It
  • Paperback Writer
  • My Valentine
  • Nineteen Hundred And Eighty Five
  • The Long And Winding Road
  • Maybe I’m Amazed
  • Hope Of Deliverance
  • We Can Work It Out
  • Another Day
  • And I Love Her
  • Blackbird
  • Here Today
  • Your Mother Should Know
  • Lady Madonna
  • All Together Now
  • Mrs Vandebilt
  • Eleanor Rigby
  • Being for the Benefit of Mr. Kite!
  • Something
  • Ob-La-Di, Ob-La-Da
  • Band on the Run
  • Hi, Hi, Hi
  • Back in the U.S.S.R.
  • Let It Be
  • Live And Let Die
  • Hey Jude
  • Day Tripper
  • Lovely Rita
  • Get Back
  • Yesterday
  • Helter Skelter
  • Golden Slumbers / Carry That Weight / The End

 

Foto: Site Oficial Paul Mcartney

Sandy @ Rio de Janeiro – 21/04/2013

Sandy @ Rio de Janeiro – 21/04/2013

No último domingo (21), a cantora Sandy apresentou aos fãs cariocas o show de sua nova turnê “Sim”, que leva o mesmo nome do álbum previsto para o fim de maio.

No repertório, além de sucessos da carreira solo como “Pés cansados” e “Aquela dos 30″, covers de Nerina Pallot, Elis Regina e Nando Reis fazem parte do repertório. A música “Não dá pra não pensar” da carreira em dupla com seu irmão Junior Lima, foi um dos pontos altos da apresentação e fez com que todos se levantassem da cadeira.

Antes de apresentar as músicas aos fãs, no Vivo Rio (Aterro do Flamengo), a cantora fez uma coletiva de imprensa e o Audiograma estava lá para conferir as novidades.

Sandy informou que além do novo projeto “Sim”, também irá participar do filme “Quando eu era vivo”, no qual vai contracenar com Antônio Fagundes. Não haverá nenhuma música do filme no novo álbum, mas um poema musicado pelo diretor do filme foi gravado por ela e será lançada particularmente.

Muitos gostariam de saber por que motivo a turnê foi lançada antes do álbum e a artista explicou que foram questões contratuais. Entretanto, mesmo indo para a estrada com o novo concerto, sem todas as músicas novas divulgadas, ela apresenta neste show pela primeira vez as músicas de seu EP – Princípios, Meios e Fins, lançado no fim do ano passado, e as músicas exclusivas “Ponto Final” e “Sim”.

Durante a passagem pelo Rio de Janeiro, a cantora aproveitou para ir ao teatro assistir o musical “Tim Maia”, disse que adorou e gostaria de atuar neste meio, mas a agenda com muitos compromissos não permite.

Levando a coletiva para o lado pessoal, a cantora aproveitou para esclarecer – com muito bom humor – que não está grávida e disse que quando estiver, ela vai contar para todos.

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Veja abaixo, fotos feitas por Diego Concesso da coletiva e do show:

The Cure @ Rio de Janeiro – 04/04/2013

The Cure @ Rio de Janeiro – 04/04/2013

O The Cure demorou 17 anos para voltar ao Brasil. Talvez isso explique os motivos para os jovens não serem nem de longe a grande maioria do público presente na noite de quinta-feira, 4 de abril, no HSBC Arena, no Rio de Janeiro.

O que mais se via ao redor do local eram senhores já com os cabelos brancos, calvos e acompanhados de seus filhos e esposas. Um ambiente diferente do que se vê normalmente nos shows de rock.

O trânsito foi um grande inimigo do público. Eu mesmo demorei quase quatro horas, saindo de Niterói, para conseguir fazer o trajeto de dois ônibus e táxi até o local do show. Com isso, a banda pediu a compreensão do público para o atraso na apresentação, que começou às 22h, ainda com muitos lugares vazios nas cadeiras. A banda entrou sem fazer muito alarde. Robert Smith, um senhor de idade, caminhava lentamente para o microfone. Impossível não pensar no cineasta Tim Burton quando se vê o vocalista do The Cure.

A saga de mais de três horas começou com “Open”, do disco Wish, de 1992. O telão oferecia um clima soturno com uma espiral rodando e mudando de cor de acordo com o belo trabalho de iluminação. Aliás, o palco do The Cure é um dos mais simples e bonitos que já vi. Excelente trabalho de iluminação e cores. Na sequência, ainda no disco Wish, a banda tocou “High” com o telão acompanhando a mudança drástica de humor: o clima sombrio deu lugar para um belo céu azulado e uma sensação boa de otimismo. A promessa era de um show incrível, e eles mal haviam começado.

Do disco de 2004, The Cure, veio “End of The World”. O primeiro grande sucesso da noite foi “Love Song”, que fez muita gente cantar bem alto. Nada comparado com a explosão eufórica na dobradinha “Inbetween Days” e “Just Like Heaven”. Os arranjos desta última a fizeram soar muito melhor que na gravação. Curiosamente, houve quem reclamava da acústica do HSBC atrapalhar na hora de ouvir os efeitinhos de fundo das principais canções da banda.

A banda estava disposta a cumprir o combinado de compensar os verdadeiros fãs pela longa ausência e tocou muitas canções intimistas e desconhecidas de boa parte do público que apenas gostava do que tocava na rádio. Esse público deve ter tido uma grande surpresa quando percebeu que o The Cure é uma banda extremamente eficiente e com um som pesado, de não dever nada para o Radiohead e Nine Inch Nails, só para citar grupos influenciados pelo legado musical da banda. Infelizmente, por algum motivo, o disco Bloodflowers acabou sendo excluído da festa e “There is No If…” e “Maybe Someday” não estavam programadas no repertório.

Com uma voz incrível e com instrumentistas afiados, o The Cure continuou oscilando entre os momentos mais melancólicos com partes mais empolgadas, geralmente com a participação do público. Foi assim na insinuante “Lullaby”, “Friday I’m In Love” e “Lovecats”, que deixou o público dançando e cantando todos os versos. Foram poucas as faixas mais intimistas que conseguiram arrancar reação de quem não era fã. Um exemplo foi a psicodelia de “A Forest”.

Exceto por um ou outro fã mais animado por conta do excesso de cerveja durante a longa duração do show, muitos ficaram meio cansados com a escolha do setlist. Foi a prova de que apresentações de três horas de duração são melhores na teoria do que na prática.

Apesar de improvável, a banda não perdeu o fôlego e encerrou a maratona em grande estilo, tornando a noite inesquecível para os admiradores do The Cure. Fica a expectativa para que não demore mais 17 anos por um novo show.

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Foto: Mauro Pimentel / Terra

Lollapalooza Brasil @ 29, 30 e 31/03/2013

Lollapalooza Brasil @ 29, 30 e 31/03/2013

A segunda edição do Festival Lollapalooza no Brasil veio para consolidar a marca e ocupar o espaço de novo principal evento musical de rock no país, posto outrora preenchido pelo extinto Tim Festival e o (quase morto) Planeta Terra.

Em comparação com a primeira edição, algumas melhorias foram percebidas por quem se aventurou pelo Jockey Club durante os dias 29, 30 e 31 de março. A principal delas foi a limitação de 60 mil pessoas por dia para evitar o caos causado pelos 70 mil fãs que se esmagaram para tentar ver de perto a apresentação do Foo Fighters, em 2012.

Outros problemas continuaram: os banheiros continuaram impossíveis com gente perdendo quase o show inteiro na fila e a insistência em não deixar as fichas (batizadas de “pilas”) valerem para os três dias. Houve fila também para quem chegou às 16h e demorou mais de duas horas para conseguir retirar seu ingresso e entrar no Jockey. O palco Butantã e a tenda eletrônica continuaram se estranhando e dificultaram a vida de quem estava do lado direito do segundo palco principal do Festival. Mas o “Lamapalooza” compensou com muitos shows de qualidade e poucas decepções.


The Killers (Foto: Cambria Harkey)

A saga: Parte 01
O primeiro dia começou quente e com uma apresentação morna do Holger. Embora tenham muito carisma, a animada banda apresentou o repertório do próximo trabalho e não agradou muito aos fãs antigos. O show só esquentou na metade final quando o produtor Alex Pasternak se juntou aos polivalentes músicos que se revezavam nos instrumentos e no microfone. Aliás, o produtor estava se divertindo horrores no fundo do palco, fazendo dancinhas e tudo mais. Logo depois foi a vez da despedida do projeto Agridoce, da cantora Pitty. Melancólico até falar chega, a parceria com o guitarrista Martin Mendonça está nas últimas apresentações e deixou os fãs animados, especialmente durante a cover de “Across the Universe”, dos Beatles. O Of Monsters and Men se tornou um dos destaques do Lollapalooza e surpreendeu. O jovem guitarrista Bryniar Leifsson chamou a atenção por sua técnica e efeitos na guitarra. Os conterrâneos do Jonsi fizeram um dos principais shows do Festival e conquistaram o público, que lutou contra a chuva durante boa parte da apresentação.

O som baixo parece ter incomodado boa parte do público que fez questão de se espremer para conferir a quarta apresentação do Cake no país. O vocalista John McCrea (e o seu violão) estavam passando por dificuldades técnicas, mas ainda assim conseguiram superar as adversidades e fizeram um show no mínimo divertido. Em determinado momento, o vocalista ignorou completamente o fato de estar tocando durante uma sexta-feira santa e convidou o público para cantar: “Satan is My Motor”. Antes de iniciar a música, como se pedisse desculpas, McCrea pediu para que as pessoas religiosas não levassem a música ao pé da letra. Não faltaram sucessos como “Never There”, “Short Skit/Long Jacket” e duas covers muito bem vindas: “War Pigs”, do Black Sabbath; e “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, e uma das faixas mais conhecidas do Cake no Brasil. Depois de quase oito anos, o Cake retornou com uma apresentação divertida, mas que teria caído bem melhor em um show solo.

Encerrando a noite, o maluco Wayne Coyne apresentou o novo show do Flaming Lips. Deve ter sido uma surpresa e tanto para o público acostumado a ouvir tantos elogios para os concorridos shows da banda se deparar com algo tão peculiar. Não é que o Flaming Lips tenha feito um show horroroso, mas digamos que era necessário estar tão ou mais chapado que o vocalista para entrar na viagem. Coyne ultrapassou alguns limites quando começou a imaginar como seria se um avião caísse durante o show deles e eles continuassem tocando e todo mundo pegando fogo e morrendo. Pois é. Piada pesada e muito mal-recebida pelo público, que fechou a cara ainda mais enquanto aguardava pelo The Killers. Antes de Brandon Flowers e cia fizessem as honras do primeiro dia, a divertida Passion Pit animou os indies no palco Alternativo. Tocaram seus principais sucessos, incluindo um dos singles mais recentes “Carried Away”.

Sem fazer cerimônia, o que é estranho se tratando da reputação do seu vocalista, o Killers começou o show com “Mr. Brightside”. O público formado especialmente por adolescentes parecia ter um orgasmo a cada verso e gritava cada palavra da letra, quase que disputando com Flowers quem ia conseguir falar mais alto. Misturando material dos quatro discos (infelizmente, pois o último trabalho é um aborto musical), o Killers tem experiência de sobra para saber como conquistar seu público. No caso do Lollapalooza não foi nada impossível, e a banda não teve vergonha de ser brega e tentar se comunicar em português com os 52 mil fãs presentes. Mesmo quem perdeu o encanto com a banda não deixou de se empolgar tamanha a quantidade de sucessos que os caras têm, mas fica ainda mais claro que o melhor do Killers está mesmo no repertório tirado de Sam’s Town, o segundo disco. Após uma breve pausa, o Killers retornou para finalizar o show com “This is Your Life”, a excelente “Jenny Was a Friend of mine” e “When You Were Young”, e mandar o público de volta para a casa e se preparar para o segundo dia, com a aguardada (e até então inédita) apresentação do Black Keys.

The Black Keys (Foto: Dave Mead)

A saga: Parte 2
Mike Patton é figurinha fácil no Brasil. Quando não visita o país com o Faith no More, ele dá um jeitinho de tocar com alguma de suas várias bandas paralelas. O Tomahawk pegou o público do Lollapalooza de assalto e fez um show incrível. Estava tão bom que até Josh Homme deu as caras e curtiu o show sentadinho nos bastidores. Patton brincou com o público e falou vários palavrões em português, chegando a arrancar boas gargalhadas quando se fez de desentendido ao ouvir “Porra, Caralho” e respondeu: “Eu não falo português”. Essa irreverência que faz com que todos os projetos com a assinatura do inquieto músico sejam garantia de qualidade. Sem esforço, o Tomahawk fez um dos melhores shows do Lollapalooza 2013. Na sequência, os indies do Two Door Cinema Club animaram os seus fãs e aqueceram o público para o Franz Ferdinand, que está para lançar um disco inédito e mostrou algumas das faixas que estarão no trabalho. O vocalista Alex Kapranos interagiu muito com o público e estava com um largo sorriso para cada música que fazia o público pular e cantar. Se um bom show precisa ter entrega tanto dos artistas quanto dos fãs, o Franz Ferdinand merece a atenção por conseguir exatamente isso. E nem precisaram ser tão bregas quanto o Killers para fazerem o público pular em todas as músicas, até nas inéditas (que são boas, diga-se de passagem).

A pontualidade dos shows gerou situações tensas para os fãs. Quem não estava com o preparo físico em dia ou com uma bota de cowboy preparada para a lama teve problemas para encarar a longa distância de um palco ao outro para não perder nada de nenhum show. O Queens of the Stone Age, assim como o Franz Ferdinand, está para lançar um disco novo em 2013, mas foi mais discreto que a banda de Kapranos e tocou apenas uma faixa inédita: “My God is the Sun”. Um show ruim do QOTSA vale mais do que muitos shows espetaculares de outras bandas, portanto não seria uma mentira afirmar que a apresentação pouco inspirada de Josh Homme e seus comparsas ainda assim foi uma das melhores do Festival. Pelo menos, a terceira visita da banda ao Brasil contou com a presença de Jon Theodore (The Mars Volta) assumindo as baquetas da banda pela primeira vez. Com uma provável turnê mundial para divulgação do disco …Like Clockwork, fica a expectativa do Queens of the Stone Age retornar e fazer um show melhor do que esse apresentado pouco antes do A Perfect Circle fazer sua primeira apresentação no Brasil. O projeto paralelo de James Maynard Keenan (Tool) ficou bem longe de ser uma das atrações mais concorridas da noite, especialmente porque Criolo tocava ao mesmo tempo no palco Alternativo e o Black Keys encerraria a noite no palco principal, mas não desagradou aos fieis seguidores que se agruparam em frente ao palco Butantã. Com direito a cover de “Imagine”, de John Lennon, o APC tocou suas faixas mais conhecidas e ainda apresentou uma canção inédita: “By and Down”. Faltou muita coisa, como “Judith”, mas foi o suficiente para quem nunca imaginou poder ver a banda em solo brasileiro.

O Black Keys está na ativa há muitos anos, mas só recentemente virou objeto de desejo dos fãs de música alternativa. Por toda a qualidade técnica dos discos, era de se esperar que a banda fizesse um show superior ao material gravado. A surpresa negativa é que o Black Keys não improvisa tanto quanto o imaginado e ainda sofreu com um problema no som, que deixava a guitarra baixa em alguns momentos. O duo queridinho do momento tocou seus principais sucessos, começou com “Howlin’ for You” (dando a falsa impressão de que o show seria sensacional) e “Next Girl”. O foco do repertório estava concentrado no disco El Camino, que possui algumas das melhores obras da dupla. Deixar “Lonely Boy” como a penúltima faixa pode ser parecido covardia da parte da banda, mas por outro ponto de vista, foi o golpe certeiro que o público estava desejando desde que a banda subiu ao palco. Não se pode confundir qualidade com momento. O Black Keys têm seus méritos, mas achar que a banda tem força para fechar um evento desse tamanho no Brasil foi um grande erro desse lineup maluco do segundo dia.

Pearl Jam (Foto: Cambria Harkey)

A saga: Ato final
Depois de dois dias cansativos, de muita lama, shows, dinheiro voando (eram R$8 em um pacote de PIPOCA), e adolescentes exóticos, a edição 2013 do Lollapalooza Brasil se encerrou no domingo de Páscoa. O Pearl Jam era a atração mais esperada da noite (talvez do evento), e o grande responsável pelo dia 31 ter sido o único com todos os ingressos vendidos, ou seja, haviam 60 mil pessoas aguardando para rever Eddie Vedder e companhia. Mas antes do PJ subir ao palco Cidade Jardim, o público acompanhou as apresentações de vários artistas. O ex-vocalista do Cordel do Fogo Encantado tocou no sol de 14h para os guerreiros que estavam dispostos a enfrentar mais de seis horas até o show principal da noite. Logo depois foi o Foals, que fez um show curtinho em um horário meio ingrato, e que dividiu as opiniões entre os fãs antigos e os mais recentes. O maluco James Maynard Keenan deu as caras novamente, se é que podemos dizer isso. Com um visual completamente diferente, o vocalista do A Perfect Circle apresentou o Puscifer. A apresentação estava bem morna até que Eddie Vedder surgiu no palco e ficou assistindo de camarote. O público “acordou” e começou a prestar mais atenção na banda com performance teatral que fez outro show memorável do Lollapalooza. Percebendo que estava interferindo no show, Vedder se retirou e acompanhou o show inteiro do fundo do palco.

Assim como o Franz Ferdinand, o Kaiser Chiefs sabe divertir seu público. O carismático Ricky Wilson (que parece ter perdido uns 30 kg desde a visita anterior da banda no Terra de 2008) correu de um lado para o outro e se arriscou ao escalar a estrutura do palco em duas oportunidades. Sem querer se fazer de difícil ou tentar empurrar músicas ruins para o seu público, o Kaiser Chiefs preparou um repertório especial e 100% eficiente com os principais sucessos dos quatro discos da banda. Foi mais uma prova de que uma boa apresentação não depende exclusivamente da qualidade das canções, e sim da capacidade do vocalista em tentar seduzir o seu público. O The Hives até tentou imitar o Kaiser Chiefs, mas o vocalista Pelle Almqvist exagerou na dose e ao invés de ser apenas um sujeito maluco hiperativo se tornou em um maluco hiperativo carente e encarnação de Alex Delarge, de Laranja Mecânica. Apesar das tentativas excessivas de ganhar o público do Pearl Jam (ele até conseguiu algum sucesso, exceto quando extrapolou ao pedir para as pessoas se agacharem), o The Hives fez uma apresentação empolgada e que teria sido bem melhor se não fosse pelos exageros de Almqvist.

A última visita do Pearl Jam ao Brasil foi em novembro de 2011. Se compararmos as duas apresentações apenas pelo repertório não é fácil escolher a melhor, mas considerando o que Eddie Vedder e companhia apresentaram fica bem fácil afirmar que o show que encerrou o Lollapalooza 2013 não chegou aos pés daquelas noites inspiradas do Pearl Jam. Com mais de duas horas duração, o destaque da noite ficou por conta do trabalho do guitarrista Mike McCready, em uma noite infernal e com solos inspiradíssimos. Como se trata de uma banda com mais de 20 anos de estrada, é claro que uma ou outra música ficaria de fora do repertório sempre imprevisível do Pearl Jam. Felizmente, as principais estavam lá e deixaram o público satisfeito. Houve espaço para covers de Ramones e The Who, antes do encerramento com “Yellow Ledbetter”. Educado e consciente, Vedder desejou feliz Páscoa para o público e também comentou sobre questões envolvendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vez ou outra, ele perguntava se estava tudo bem com o público e que estavam gravando o sucessor de Backspacer, de 2009.

O show não foi transmitido para a televisão devido a uma picuinha que banda criou com a rede AT&T durante o Lollapalooza de 2007. Na ocasião, Vedder criticou o ex-presidente norte-americano George W. Bush e foi censurado pela rede. Desde então o Pearl Jam se recusou a liberar as transmissões de seus shows. A banda de Seattle saiu do palco pouco antes das 23h encerrando a maratona de três dias da segunda edição do Lollapalooza Brasil. A edição de 2014 já está garantida. Alguém aposta em alguma banda para ser headliner? Meu palpite tem três palavras: Nine Inch Nails.

Foto: Raul Aragão / I Hate Flash

A minha lista de shows favoritos:

5 – Of Monsters and Men
4 – Pearl Jam
3 – Kaiser Chiefs
2 – Franz Ferdinand
1- A Perfect Circle

Humberto Gessinger @ Belo Horizonte – 23/03/2013

Humberto Gessinger @ Belo Horizonte – 23/03/2013

Definitivamente, Belo Horizonte ganhou nessa sexta feira e sábado (23 e 24) um presente e tanto.

O Granfinos recebeu um representante de peso da música nacional: Humberto Gessinger mostrou à uma plateia fanática, emocionada e cheia de disposição as músicas do show de pré estreia de sua turnê solo.

Vale ressaltar o DJ que agitava, na sexta feira, quem por ali chegasse antes da apresentação do músico. Sequência que contou com Legião Urbana, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Bon Jovi, Nando Reis, Michael Jackson, Biquini Cavadão, dentre outros gigantes do bom e velho cenário rock n’ roll.

Já com os ânimos exaltados pelas vozes que entoavam clássicos musicais da década de 80, o público pôde, enfim, se encontrar com o artista mais esperado da noite. Com quinze minutos de atraso o show se iniciou com ‘Toda Forma de Poder” e seguiu com “Banco”, “A Montanha” e “Até o Fim”. Sim, inicio intenso.

Mulheres, não tem jeito: O cabelo do cara é de dar inveja. E todos acompanharam sua balançadinha de cabeça e seu ritmo no palco – que são contagiantes. Em meio a gaitas, baixo, teclado e microfone, Gessinger provou que essa proximidade do meio século não interfere em nada em sua produção e realização sonora. Aliás, podemos dizer que só ajuda.

A apresentação contou com shows diversos: do próprio Humberto e seus muitos instrumentos; do guitarrista Tavares, que tocou dignamente os solos marcantes da trajetória dos Engenheiros do Hawaii e do baterista Bisogno, peça também fundamental no todo. Claro que com os três juntos teria-se uma mega apresentação.

O cantor já disse por aí que quando ele toca, pensa, claro, em quem o está ouvindo, mas que ele pensa mesmo é em seus ídolos. “Eu toco pro Dylan, pro Caetano… Quer dizer, a gente toca pra dialogar com as pessoas que a gente acha que estão mais perto do núcleo duro da realidade. Gente que andou mais que a gente.” É. Esse público da capital mineira anda bem junto com ele. Não é a toa que ele veio à cidade fazer este “teste” da nova turnê, com dois dias de show e garantia da casa lotada em ambos.

Enquanto a madrugada chegava, no palco rolavam “3×4”, “Piano Bar”, “Alivio Imediato”, “Refrão De Bolero” e, não deixando o duo Pouca Vogal de lado, “O Vôo Do Besouro”. Com duas horas de show, fãs cantaram todas as músicas em alto e bom som. Não teve jeito. Quem precisava recarregar as energias, saiu da Casa com o nível máximo.

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Set List
01. Toda Forma De Poder
02. Banco
03. A Montanha
04. Até O Fim
05. A Revolta Dos Dândis
06. Armas Químicas E Poemas
07. Freud Flintstone
08. O Sonho É Popular
09. Tchau Radar
10. Eu Que Não Amo Você
11. A Violência Travestida Faz Seu Trottoir / Ilusão De Ótica
12. Ninguém É Igual A Ninguém
13. Terra De Gigantes
14. Surfando Karmas & DNA
15. 3×4
16. O Vôo Do Besouro
17. Piano Bar
18. Alivio Imediato
19. Dom Quixote
20. Refrão De Bolero
21. De Fé
22. Somos Quem Podemos Ser
23. Ilex Paraguariensis
24. Pra Ser Sincero
25. O Exercito De Um Homem Só
BIS
26. Tudo Esta Parado
27. Infinita Highway
28. Seguir Viagem
29. Era Um Garoto Que Como Eu

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Foto: Polly Rodrigues

Aproveite e veja as fotos da apresentação de sábado:

Jonas Brothers @ Belo Horizonte – 08/03/2013

Jonas Brothers @ Belo Horizonte – 08/03/2013

Assim como já aconteceu com o Restart, a Demi Lovato ou o Cine, não me imaginava dentro de uma atmosfera onde a atração principal seria o Jonas Brothers e seria fácil escrever este texto carregado de pré-conceitos ou, simplesmente, apontar falhas ou erros. Seria, se isso tivesse acontecido.

Para um Chevrolet Hall parcialmente cheio (provavelmente com metade de sua capacidade), a noite começou com o som da Deleasa, projeto capitaneado pelo cunhado de Kevin Jonas, Mikey. Nepotismo familiar a parte, o Deleasa tem um som muito bom de se ouvir, surpreendente até. Poucas vezes uma banda de abertura me chamou tanto a atenção e isso parecia uma prévia do que estava por vir.

Eram 21:50 daquela sexta quando a histeria tomou conta do Chevrolet. Nick (foto), Joe e Kevin subiram ao palco acompanhados de sua competente banda de apoio e só se ouviam gritos. Desde a abertura do show, com “Paranoid”, até o bis de “Burnin’ Up”, o que se viu foi o público tentando suprir a quantidade com qualidade. Cada uma das músicas presentes no setlist eram cantadas como se não houvesse amanhã. Além das citadas, “Lovebug”, “When You Look Me In The Eyes”, “SOS” e versões de “Just In Love”, “Gotta Find You” e “Who I Am”, extraídas dos álbuns solos de Joe e Nick foram pontos altos da apresentação.

Ver o Jonas Brothers ao vivo me fez confirmar algo que já carregava comigo desde as aventuras solos de seus integrantes. Nick Jonas é a cabeça (mais) pensante do trio. A sua qualidade musical fica provada não só pelo trabalho solo lançado com o suporte do The Administration, mas por sua postura no palco e sua grande habilidade com instrumentos.

Imagem de Amostra do You TubeVídeo feito pela Cibele Rocha

Ontem uma seguidora no Twitter me perguntou sobre “shows teens” e o que tinha achado dos que vi. É difícil comparar cada um deles, até porque foram vistos em tempos diferentes e sob aspectos diferentes, mas posso dizer que o show do Jonas Brothers que vi sexta me surpreendeu positivamente. Esperava algo completamente diferente do que vi e, felizmente, foi uma surpresa positiva.

Durante cerca de uma hora e meia, foram 20 músicas que fizeram todos os fãs presentes felizes, arrancou gritos, lágrimas, juras de amor eterno e sorrisos que, provavelmente, ainda estão saindo da boca de cada um deles. Não digo que nunca mais, mas dificilmente voltarei a um show do trio nessa longa estrada da vida, mas fico com uma boa impressão de tudo o que presenciei naquela noite.

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Setlist:
Paranoid
Still In Love With You
BB Good
Last Time Around
Give Love a Try
Turn Right
Gotta Find You
Fly With Me
Just In Love
Who I Am
That’s Just The Way We Roll
Play My Music
Lovebug
Diamonds/A Little Bit Longer
Pushing Me Away
Hello Beautiful/We Are Young
Wedding Bells
When You Look Me In The Eyes
S.O.S
Burnin’ Up

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Veja as fotos do show feitas por John Pereira:

Marisa Monte @ Belo Horizonte – 02/03/2013

Marisa Monte @ Belo Horizonte – 02/03/2013

A cada pausa entre uma turnê e outra, os fãs de Marisa Monte se perguntam e imaginam como será o próximo trabalho da cantora. O bom disso tudo é que geralmente os pensamentos são os melhores possíveis e a certeza de que ela vai voltar cheia de novidades é sempre confirmada.

Depois do sucesso da fantástica turnê de Universo Particular, eis que Marisa volta aos palcos com um show que mexe com a audição e, principalmente, com a visão o tempo todo e é cheio de surpresas. Com efeitos visuais surpreendentes, uma banda impecável, uma Marisa mais solta e uma plateia apaixonada, o último show da turnê em BH lotou o Chevrolet Hall e foi inesquecível.

Ao cantar os primeiros versos de Blanco, com a arena ainda de luzes apagadas, a cantora fez o público vibrar e logo já emendou com O que você quer saber de verdade que deu luz e projeções ao palco que eram exibidas em tiras de tecido preto que separavam Marisa da proximidade com os fãs. Logo após veio Descalço no parque e a cantora foi cumprimentar o público sendo ovacionada com longas palmas e gritos.

A partir daí, o show ficou repleto de ótimos números como o de Amar alguém, Infinito Particular, Diariamente, Beija Eu e Verdade Uma Ilusão. Este último, que foi um dos momentos mais belos e hipnotizantes do show, foi marcado por Marisa interpretando a canção enquanto uma projeção era refletida em seu vestido branco.

A cantora também apresentou E.C.T, canção que até então era inédita na sua voz e foi sucesso na voz de Cássia Eller. A composição é uma parceria com Nando Reis e Carlinhos Brown e em uma versão com uma pegada de tango, Marisa dançava pelo palco e mais uma vez as projeções faziam um show a parte e até invadiam a área externa do palco, chegando na plateia.

Ao finalizar a música, ela falou sobre a sua amizade com Cássia, da falta que ela fazia e em homenagem a cantora disse uma linda frase:  “Sentir saudade, não é sentir falta de alguém, é sentir a presença de alguém”.

Um dos grandes sucessos de sua carreira, Amor I Love You, não ficou de fora e foi cantada no bis com Marisa sozinha no palco, tocando cavaquinho e o público dando suporte de backing vocals. A cantoria rendeu elogios de Marisa e até a fez repetir um dos versos do refrão só para ouvir os fãs cantando.

A última música do set foi a animada Seja feliz, que tirou o público da inquietude de seus lugares para interagir mais de perto com a cantora. Ao agradecer a plateia pela noite que, segundo ela, havia sido inesquecível, Marisa começou a cantar “Bem que se quis” e quando se formou um intenso coro do público, ela foi saindo do palco lentamente e nem por isso fez as pessoas param de cantar.

Os versos da música ecoaram em toda a casa por duas vezes, com a cantora já longe do microfone, e foi finalizado com uma intensa salva de palmas da plateia, o que em seguida deu espaço para os créditos da turnê aparecerem no telão do palco encerrando de vez a apresentação.

Verdade uma ilusão é um show marcado pela energia vocal e visual que Marisa expressa no palco. Se alguém não sai impressionado pelas músicas e simpatia da cantora – o que é muito difícil – sai pelo menos satisfeito pelo espetáculo altamente tecnológico colocado diante dos olhos da plateia.

 

Set List

1. Blanco
2. O Que Você Quer Saber de Verdade
3. Descalço no Parque
4. Arrepio
5. Ilusão (Ilusión)
6. Depois
7. Amar Alguém
8. Diariamente
9. Infinito Particular
10. E.C.T.
11. De Mais Ninguém
12. Beija Eu
13. Eu Sei (Na Mira)
14. Sono Come Tu Mi Vuoi
15. Ainda Bem
16. Velha Infância
17. A Sua
18. Verdade Uma Ilusão
19. Gentileza
20. Tema de Amor
21. Não Vá Embora

Bis:
22. Amor I Love You
23. Seja Feliz
24. Bem Que Se Quis

Fotos: Diego Concesso

Barão Vermelho @ Belo Horizonte – 22/02/2013

Barão Vermelho @ Belo Horizonte – 22/02/2013

E Belo Horizonte recebeu na última sexta feira a banda Barão Vermelho e sua turnê “+ 1 Dose”.

Com o Chevrolet Hall completamente lotado, o grupo formado por Roberto Frejat (guitarra e voz), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Santos (baixo), Guto Goffi (bateria), Peninha (percussão) e, com participação especial de Maurício Barros (teclados), mostrou que 30 anos na estrada só fez bem.

Não teve jeito. Quem ajudou a esgotar os ingressos, não se decepcionou. Um show que permitiu dizer que 2013 começou, e muito bem, musicalmente. Apesar do atraso – convenhamos normal – a subiu aos palcos e já mandou “Por Que A Gente É Assim?”, “Ponto Fraco”, “Pense Dance” e “Cuidado”.

Com uma sequência musical e solos de guitarras de deixar qualquer fã enlouquecido, a plateia pulou e cantou canções eternizadas como “Billy Negão”, “Por Você”, “Bilhetinho Azul”, “Pedra, Flor e Espinho”, além da recente achada “Sorte e Azar”. A verdade é que muitos estavam em “Puro Êxtase” – com o perdão do trocadilho. O grupo seguiu com uma batida de fazer, quem estava sentado, se levantar e curtir “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo”, seguida de “Bete Balanço”, “Chave da Porta da Frente”, “Quando o Sol Bater Na Janela do Seu Quarto”, “Declare Guerra” e “Maior Abandonado”.

No público, um mix de casais, adolescentes, pais e mães e grupos de amigos. Com quase duas horas de muito rock, todos muito a fim de mais uma dose, e mais uma, e outra.

Sem muitas interrupções entre as músicas, Frejat e companhia lançaram um “bis” repleto de sucessos. Atenderam aos pedidos daqueles fãs incontroláveis de Raul, que solicitavam uma canção do cara. Sim, “Tente Outra Vez” foi entoada a todo vapor. Para fechar com chave de ouro e levar o publico ao delírio, “(I Can’t Get No) Satisfaction”.

Há quem tenha ficado na esperança da banda adicionar ao set list as músicas “Nosso Mundo”, “Enquanto Ela Não Chegar” ou alguma outra canção preferida. Mas a verdade é que, apesar de não tocá-las, o show valeu e muito.

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Setlist:
1. “Por Que A Gente É Assim?”
2. “Ponto Fraco”
3. “Pense Dance”
4. “Cuidado”
5. “Menina Mimada”
6. “Billy Negão”
7. “Carne de Pescoço”
8. “Meus Bons Amigos”
9. “Política Voz”
10.“Tão Longe De Tudo”
11.”Por Você”
12.”O Poeta Está Vivo”
13.”Bilhetinho Azul”
14.”Sorte e Azar”
15.”Pedra, Flor e Espinho”
16.”Vem Quente Que Eu Estou Fervendo” 17.”Bete Balanço”
18.“Chave da Porta da Frente”
19.”Puro Êxtase”
20.”Quando o Sol Bater Na Janela do Seu Quarto”
21.”Declare Guerra”
22.”Maior Abandonado”
BIS
23.”Down Em Mim”
24.”O Tempo Não Para”
25.”Tente Outra Vez”
26.”Pro Dia Nascer Feliz”
27.”Codinome Beija-Flor”
28.“(I Can’t Get No) Satisfaction”

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Veja as fotos do show feitas pelo John Pereira: 

Madonna @ São Paulo – 04/12/2012

Madonna @ São Paulo – 04/12/2012

Quando se fala em shows que são verdadeiros espetáculos de som, imagens e efeitos, Madonna certamente é citada.  A cada turnê que passa ela se torna ainda melhor e em sua terceira passagem pelo Brasil não foi diferente. A cantora passou por São Paulo e trouxe a sua MDNA Tour, no último dia 4, para o Estádio do Morumbi.

Como de costume, quando sua turnê é realizada em estádios, Madonna faz a passagem de som com o público já dentro dos espaços. Em São Paulo, a cantora subiu ao palco no fim da tarde para delírio dos presentes no Morumbi e ensaiou vários números do show por volta de quarenta minutos. No “esquenta para mais tarde”, Madonna cantou músicas como “Girl Gone Wild”, “Vogue”, ” Turn Up The Radio” e “I Don’t Give A”.

Depois do ensaio, os fãs levaram um belo chá de cadeira – sem a cadeira – até que subiu ao palco o DJ Gui Boratto que tentou levantar o ânimo do público numa apresentação dispensável que não agradou e no fim levou vaias, talvez por ter sido um tanto morno e também pela espera interminável e exaustiva que todos os fãs estavam pela estrela da noite.

Madonna pisou ao palco com alguns já famosos minutos de atraso e ao som de “Girl Gone Wild”, no  cenário de uma catedral, colocou o estádio em histeria.  Logo após, o show passeou por bons momentos como a performance sangrenta de “Gang Bang”, a sessão provocação de “Express Yourself”, as dezenas de balões em formatos de coração erguidos pela plateia em “Open Your Heart”, o erótico número de “Human Nature” e a sempre performática” Vogue”.

No segundo bloco, Madonna apresentou “Give Me All Your Luvin”, música que mudou totalmente da sonoridade e letra grudenta do álbum MDNA para uma performance eletrizante e, sem dúvidas, um dos melhores momentos do show. Madonna dançou vestida de líder de torcida, enquanto seus bailarinos a acompanharam tocando tambores, alguns deles ficaram suspensos por cabos de aço no teto do palco.

Para tentar interagir mais com o público, a cantora tratou de aprender algumas palavras em português, que iam do clássico “obrigado” a “periguete”, “gostosa” e “caralho”.

As performances ao piano de “Like a Virgin” e “Love Spent” ficaram de fora do show para decepção de muitos, pois eram duas das músicas mais esperadas no repertório, principalmente a segunda que não fazia parte do set no início da turnê e algum tempo depois foi inclusa por insistência dos fãs.

Em “Like A Prayer”, Madonna colocou o estádio abaixo ao cantar os primeiros versos da canção, o que indicava que aquele seria o ponto alto da noite. Nessa hora, aqueles que provavelmente não estavam satisfeitos com o repertório “muito atual” se animaram e um enorme e intenso coro se formou no estádio.

A plateia cantava tão alto que pouco se ouvia a voz de Madonna que pareceu muito feliz e dançou no fim da canção com uma bandeira do Brasil. Logo após Like a prayer sinos soaram no palco, o que indicavam que o show estava próximo de acabar e foi aí que Madonna novamente colocou todo mundo para dançar ao som de “Celebration” e nesse clima “dance” ela se despediu de São Paulo.

A chuva que ameaçava cair de acordo com a previsão, por sorte não aconteceu e permitiu que o espetáculo acontecesse sem nenhuma surpresa desagradável. MDNA Tour é um show que como qualquer outro de Madonna sempre conta histórias e provoca polêmicas, mas no entanto não é um show de sucessos, como o ultimo também apresentado no país, mas não decepciona nem um pouco.

Madonna tem a habilidade de dominar cada centímetro da enorme estrutura de seus palcos e a cada turnê traz suas músicas totalmente reinventadas, tanto nos arranjos quanto nas coreografias. O show vai das trevas às luzes sem entediar e prova que Madonna ainda reina e pelo visto não pretende sair do seu posto tão cedo.

Fotos: Flávio Moraes e Rafael Augustto

 

1. Act of Contrition / Girl Gone Wild
2. Revolver
3. Gang Bang
4. Papa Don’t Preach
5. Hung Up
6. I Don’t Give A
7. Best Friend / Heartbeat
8. Best Friend
9. Express Yourself
10. Give Me All Your Luvin’
11. Turn Up The Radio
12. Open Your Heart
13. Masterpiece
14. Justify My Love
15. Vogue
16. Candy Shop
17. Human Nature / Erotica
18. Nobody Knows Me
19. I’m Addicted
20. I’m A Sinner
21. Like A Prayer
22. Celebration

Mallu Magalhães @ Belo Horizonte – 29/11/2012

Mallu Magalhães @ Belo Horizonte – 29/11/2012

Alguns meses depois de sua passagem por BH, a paulista Mallu Magalhães resolveu “bater o cartão” novamente na capital mineira com a turnê de seu mais recente álbum, Pitanga.

Se apresentando no Granfinos, Mallu fez um show muito parecido com o que realizou em agosto, integrando o Festival Nômade, e do qual escrevi algumas palavras aqui pelo Audiograma. E posso dizer que nada mudou na minha opinião de agosto para cá.

O senso comum de que a cantora amadureceu e “virou mulher” torna-se cada vez mais acertado em um momento em que Mallu vai se consolidando entre seus fãs e atraindo novos admiradores. Eram muitos os que estavam no Granfinos a vendo pela primeira vez, da mesma forma que tinhamos fãs que, desde 2008, são presença confirmada em todas as aparições da cantora pela capital mineira.

Mallu está a cada dia mais segura de si e do que pode oferecer ao cenário musical brasileiro. Se mostra cada vez mais confortável no palco, ao expor suas letras pessoais, e expontânea na sua relação com o público, ainda que fique um pouco desconfortável e sem graça com os elogios… de uma forma bonita, como diz a nossa fotógrafa Polly Rodrigues.

Talvez, por já ter escrito sobre o show a pouco mais de três meses e não ter muita novidade, este será o texto mais curto que já escrevi para o “De Olho nos Palcos”, mas certamente não é reflexo do que se vê no palco. Por isso digo que se tem alguém que ainda pode ver algum show da turnê do Pitanga – que está caminhando para o final; que compre o seu ingresso, encare uma fila e veja esse show de perto.

Conhecendo ou não o trabalho dela como um bom fã conhece, essa é uma experiência que realmente vale a pena.

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Fotos: Rafael Vilela/ SouBH

Nando Reis @ Belo Horizonte – 23/11/2012

Nando Reis @ Belo Horizonte – 23/11/2012

O calor e o trânsito infernal enfrentado por quem seguia com a intenção de conseguir chegar no Chevrolet Hall na noite desta sexta-feira, 23 de novembro, foram recompensadores.

Com a casa praticamente lotada, os fãs de Nando Reis pararam o trânsito da região da Savassi e se espremeram para poder ver de perto o cantor, que recentemente lançou o disco Seis, e veio divulgar o novo trabalho na capital mineira. O curioso é que o cantor resolveu imitar o Radiohead e deixou nas mãos do público a decisão sobre o valor dos discos. O famoso: “você paga quanto quiser”. O preço da semana era de R$ 21, que é absolutamente justo para o bolso dos fãs.

Eram pouco mais de 22h quando as luzes do Chevrolet Hall se apagaram e a plateia (formada especialmente por casais e grupos de adolescentes) começou a fazer muito barulho, na expectativa pela abertura do show. A banda foi entrando no palco tranquilamente, até a chegada do ruivo Nando Reis e seu inseparável violão. A primeira faixa foi “Pré-Sal”, que está no disco Seis. A banda é formada por um baixista, um guitarrista (o eficiente Walter Villaça), baterista, tecladista (que no final de “Luz dos Olhos” pulou para a frente do palco e fez uma jam com os outros integrantes – tudo isso com o teclado na mão), e mais duas cantoras de apoio, que criaram um interessante ar de música gospel nos arranjos vocais das faixas executadas ao longo do show. A terceira música “Sou Dela”, foi o primeiro momento em que o público mais se animou e cantou junto do ruivo.

O visual do cantor chama a atenção. Como se não bastasse lembrar um irlandês beberrão, quem sabe uma versão nacional do Damien Rice?, ao abrir as pernas e deixar o violão em pé, bem próximo do corpo, foi impossível não lembrar imediatamente do magrelo Eugene Hutz, vocalista do Gogol Bordello. As comparações poderiam continuar, citando ainda a maneira como Nando se move no palco, mas foram pequenas assimilações em que nada alteram o resultado do show. Recentemente, Reis se apresentou com um problema na garganta na Bahia, mas sua voz não comprometeu em nada a apresentação. Inclusive, o ruivo chegou a dar belos gritos, como no momento em que cantou versos de “Don`t Let Me Down”, dos Beatles.

Os fãs dos Titãs (ouso dizer que eram minoria absoluta) tiveram que se contentar com uma versão pouco modificada de “Igreja” e do clássico “Marvin”, que encerrou o show em grande estilo. A decisão de não pautar o repertório dos seus shows com as músicas da antiga banda é bem pertinente, afinal Nando Reis possui canções o suficiente para bolar um set list de respeito sem precisar revisitar os Titãs. No entanto, a impressão é que o repertório do show poderia ter sido melhor distribuído. Houveram momentos em que a reação do público foi bem morna por até duas músicas em sequência (outro agravante foi a longa demora de uma música para outra – por três vezes, o cantor resolveu interagir com o público. Sempre muito simpático, claro, mas com um papo maluco sobre a noite ser mais especial que as outras noites especiais – depois explicaram que era aniversário do baterista), enquanto a parte final do show contou com um clássico atrás do outro. Talvez o melhor fosse dividir os sucessos com as inéditas, mas acabou que “All-Star”, “Luz dos Olhos” (com um andamento reduzido e que deixou algumas pessoas perdidas para acompanhar a música. Também contou com um belo solo do baixista), “Para Você Guardei o Amor” (Nando Reis levou a música sozinho até a entrada da banda nas partes finais), “O Segundo Sol”, “Por Onde Andei”, “Do Seu Lado” (o momento em que o público mais se animou, previsivelmente) e “Relicário” foram parte de uma sequência matadora e arrancaram lágrimas das pessoas, além de um ensurdecedor coro que abafou a voz do cantor em diversos momentos.

Nando Reis fez o que sabe fazer melhor: conquistou o público com seu carisma e suas belas composições, especialmente aquelas gravadas por Cássia Eller, que até hoje parece entristecer demais o ex-baixista dos Titãs. Os mineiros voltaram para a casa com a certeza de terem visto um dos principais nomes da música nacional em ação, e mesmo que a apresentação não tenha sido perfeita, o simples fato de tem presenciado aquilo torna tudo especial e os erros viram pequenos detalhes.

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Foto: Rafael Vilela / SouBH

Maná @ Belo Horizonte – 28/10/2012

Maná @ Belo Horizonte – 28/10/2012

Os mexicanos do Maná desembarcaram em Belo Horizonte pela primeira vez na sua história para um show especial. No último domingo (28), a banda apresentou aos mineiros a turnê Drama Y Luz, que vem arrancando elogios por onde passa.

Passeando por seus grandes sucessos, o grupo formado por Fher Olvera (voz, guitarra e gaita), Juan Calleros (baixo), Alex “el Animal” González (bateria, percussão e voz) e Sergio Vallín (guitarra e voz) já conquistou o público presente no Chevrolet Hall desde a primeira música, “Oye Mi Amor”. Antes, uma entrada no palco com a 5ª Sinfonia de Beethoven, simples mas quase triunfante.

Com boa lotação, a casa correspondeu as expectativas e cantou a maioria das músicas tocadas, com destaques para “Mariposa Traicionera”, “Latinoamerica”, “El Muelle de San Blas” e os hits “Vivir Sin Aire”, “Rayando El Sol” e “Corazón Espinado”, que fechou a apresentação.

Destaque também para os solos feitos por Sergio Vallin e pelo baterista Alex González, que foi o ponto alto da noite, junto com a animação característica do publico. A banda parecia deveras a vontade no palco e correspondia a todo o carinho com elogios e brincadeiras, como no momento em que Fher brindou o público com uma dose de tequila e revelou sua recente adoração por cachaça.

Durante o set acústico, uma fã foi levada para o palco e ficou sentada no melhor lugar que poderia ter para acompanhar as versões desplugadas de músicas como em “Cuando Los Angeles Lloran”, homenagem da banda ao brasileiro Chico Mendes.

Nem o clima mais abafado que o normal do Chevrolet Hall foi capaz de impedir que casais transformassem a pista e as arquibancadas em um grande baile ao som de “Vivir Sin Aire”, “El Muelle de San Blás” e, principalmente, “Corazon Espinado”.

O Maná é hoje uma das bandas latinas mais respeitadas em todo o mundo e sabe como justificar todo esse respeito em cima do palco. Ainda que eu quisesse ter ouvido algumas músicas que ficaram de fora do setlist como “Desapariciones”, “Falta Amor” ou “Se Me Olvido Otra Vez”, saí do Chevrolet Hall satisfeito com o que pude ver de perto.

Setlist:
1. Oye mi Amor
2. Déjame Entrar
3. De Pies a Cabeza
4. Lluvia al Corazón
5. Eres Mi Religion
6. Mariposa Traicionera
(Guitar Solo)
7. Manda una Señal
8. Latinoamérica
9. Clavado en un Bar
10. Me Vale
(Drum Solo)
11. Medley Acustico
12. Vivir Sin Aire
13. El Muelle de San Blas
14. Rayando el Sol
Encore:
15. Labios Compartidos
16. Corazón Espinado

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Fotos: Polly Rodrigues

Fresno @ Belo Horizonte – 26/10/12

Fresno @ Belo Horizonte – 26/10/12

Depois de 2 anos sem se apresentar na capital mineira, a banda Fresno veio a Belo Horizonte para uma apresentação única no Music Hall na última sexta (26).

O público, animadíssimo com a volta da banda, já esperava muito do show e principalmente ter a chance de ouvir ao vivo o novo single “Infinito”, que faz parte do novo CD que será lançado no dia primeiro de novembro.

Conversando com os integrantes, eles acreditam que esta seja a melhor fase da banda. ”A gente sempre acredita nisso, acho que é um momento de um desafio muito grande, porque com esse disco todas as escolhas foram nossas. A gente escolheu a capa, a gente escolheu o acabamento da capa, a imagem da capa, escolhemos quem ia nos ajudar na engenharia do som, escolheu o estúdio, escolheu tudo. Então tudo que estiver ali vai ser uma responsabilidade nossa”, disse o vocalista e guitarrista Lucas Silveira.

O músico fez também uma comparação sobre ser independente agora e no início de carreira. “Essa liberdade da independência depois que já se é uma banda estabelecida no mainstream vira uma responsa. Toda experimentação que fizer, qualquer coisa que fizer vai trazer um resultado. As pessoas querem ouvir, querem saber. Hoje em dia, a mídia tem um interesse em saber o que vai sair nosso, seja pra falar bem ou pra falar mal. Então, ser independente agora é muito diferente do que ser independente de quando você tem 17 anos e foda-se o que vai acontecer”, disse Lucas.

“Esse peso da uma sensação de responsa muito grande, mas também é o que toda banda que começa a tocar rock no mundo sempre quis, que é ter um publico que acredita na tua musica, que acredita em ti como pessoa, que ta ansioso para ouvir aquilo e que tu realmente teve liberdade total no estúdio para fazer aquilo da maneira que tu quiser já tendo passado por gravadora, já tendo passado basicamente por vários mercados sabendo como funcionam as coisas, sabendo cada vez mais. Então é um momento em que a gente se acha cada vez mais maduro e ainda consegue ver uma estrada enorme pra seguir e tem um monte de coisa pra conquistar. Agora, é realmente sobre as nossas próprias pernas. É um momento muito nervoso mas legal”, finalizou o vocalista.

A banda entrou no palco exatamente 21:15 e fez um show com quase duas horas de duração, fazendo o público pular, cantar e se emocionar junto com canções do primeiro ao último CD.

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Setlist:
1 – Quebre as Correntes
2 – Deixa o Tempo
3 – Redenção
4 – Desde Quando Você Se Foi
5 – Cada Poça Dessa Rua Um Pouco de Minhas Lágrimas
6 – Alguém Que Te Faz Sorrir
7 – Crocodilia
8 – Eu Sei
9 – Uma Música
10 – Duas Lágrimas
11 – Stonehenge
12 – Relato de Um Homem de Bom Coração
13 – Milonga
14 – A Minha História Não Acaba Aqui
15 – Não Leve a Mal
16 – Carta
17 – Evaporar
18 – Onde Está
19 – Infinito
20 – A Gente Morre Sozinho
21 – Porto Alegre
22 – Polo
23 – Revanche

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Fotos: John Pereira

Kings Of Leon @ São Paulo – 20/10/2012

Kings Of Leon @ São Paulo – 20/10/2012

Uma série de imprevistos não permitiram que eu fosse aos dois shows feitos anteriormente, pelo Kings of Leon no Brasil, por isso, ao ver que a banda da família Followill estava confirmada no Planeta Terra 2012 não pensei duas vezes e corri para comprar o meu ingresso. Ainda mais depois de achar que nunca mais os veria ao vivo, após a banda ter interrompido sua turnê, cancelando metade dos shows que ainda faltavam, no ano passado, devido a problemas com o vocalista Caleb.

A pausa forçada não fez mal à banda, pelo contrário. Era visível que eles estavam felizes de estarem novamente sobre um palco. O vocalista pediu desculpas por sua voz um pouco enferrujada, mas emendou um sucesso atrás do outro, sorrindo, enquanto todos davam um show nos instrumentos e eram seguidos por um coro de milhares de vozes cantando todos os sucessos. E, como sempre, não faltaram solos de guitarra muito bem executados por Caleb e Matthew e as já famosas distorções, principalmente em Closer.

A ansiedade era imensa e quando os primeiros acordes de Molly’s Chambers soaram no palco ainda escuro, foi como se mais um grande momento estivesse prestes a se desenrolar diante dos meus olhos. E eu não poderia estar mais certa, apesar de o som estar um pouco baixo durante as primeiras músicas.

O set list não foi muito diferente dos últimos apresentados pela banda, antes da pausa. Mas isso não diminui em nada a força do show. As novidades ficaram por algumas músicas do último álbum Come Around Sundown, como “The Immortals”, “My Money” e “Pyro” e pelo acréscimo de “Notion” e “Manhattan”, raramente tocadas. Destaques para “Closer”, pedida em coro pelo público, “Use Somebody” e “Sex on Fire”, que sempre incendeiam a plateia em qualquer show da banda.

Após o show li e ouvi alguns comentários de que havia sido um show morno e que a banda parecia um pouco burocrática ao se apresentar. Mas sou obrigada a discordar. Realmente o Kings não é uma banda inovadora em cima do palco, que surpreende a cada apresentação, com shows pirotécnicos (o que em um festival nem é muito o caso mesmo) e o Caleb não tem o perfil de ficar correndo e gritando pelo palco, mas isso não significa que eles sejam frios. Para mim é uma banda que, em festival ou em show próprio, faz shows para os seus fãs, para pessoas que estão ali para curtir suas músicas favoritas, para ver seus ídolos. Pode não ter sido o melhor do ano ou do festival, fazendo uma alusão à fala do próprio Caleb que disse que aquele fora o melhor público deles no ano, mas foi fiel ao estilo da banda, dos hits do início da carreira aos grandes sucessos, mas acima de tudo, um show emocionante, para a banda e para os fãs. E, quanto a estes, tenho certeza de que eles saíram muito felizes do Jockey na noite do dia 20.

Fique com um dos momentos mais emocionantes do show do Kings na noite de sábado, no Planeta Terra 2012:

Imagem de Amostra do You Tube

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Setlist:
Molly’s Chambers
Taper Jean Girl
Four Kicks
The Immortals
Fans
Back Down South
Crawl
No Money
Radioactive
Notion
Be Somebody
Closer
Pyro
On Call
Knocked Up
Sex on Fire

Bis:
The Bucket
Manhattan
Use Somebody
Black Thumbnail

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Fotos: Ricardo Matsukawa/Terra

Fábio Jr. @ Belo Horizonte – 20/10/2012

Fábio Jr. @ Belo Horizonte – 20/10/2012

Alguns estavam vendo o Robert Plant em Belo Horizonte. Outros estavam se divertindo ao som do Garbage ou do Kings Of Leon no Planeta Terra, em São Paulo.

Eu e a Polly Rodrigues nos juntamos a um grupo de senhoras apaixonadas, trajando faixas na cabeça, parecendo adolescentes de 15 anos com os seus respectivos maridos e fomos ver de perto o Fábio Jr.

O cantor trouxe mais uma vez para Belo Horizonte a turnê referente ao álbum Íntimo, lançado em abril de 2011. Juntando sucessos de sua carreira com versões de músicas conhecidas do cenário nacional, Fábio ainda mantém acesa nos fãs (e para os fãs) aquela fama de galã conquistada nos anos 80.

Músicas como “Alma Gêmea”, “Senta Aqui” e “Felicidade” são capazes de levar o público feminino – grande maioria naquela noite de sábado no Chevrolet Hall – as lágrimas e a declarações mais do que apaixonadas aos namorados e maridos que por lá estavam. E talvez esse seja o ponto alto do show. Mais do que agradar as fãs, o show parece ser algo feito para embalar o clima de romance entre os casais presentes, sejam eles recentes ou com mais de 30 anos de trajetória.

Com um cenário especial e uma banda bem afinada – sobretudo os backing vocals, Fábio ainda é capaz de levar seu público ao delírio a cada música, causar emoção e ainda proporcionar momentos bem especiais, como quando divide o palco com sua filha Tainá, que também está entrando no mercado musical.

Fábio canta, deixa o público cantar, brinca e, acima de tudo, se diverte em cima do palco e, apesar do show tecnicamente curto, tenho certeza de que quem é fã saiu de alma lavada do Chevolet Hall, esperando ansiosamente pela próxima apresentação.

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Fotos: Polly Rodrigues

Planeta Terra @ São Paulo – 20/10/2012

Planeta Terra @ São Paulo – 20/10/2012

Apesar de todos os anos o Planeta Terra trazer bandas que eu pagaria para ver se o show acontecesse em minha cidade, nunca antes tinha me animado a viajar para curtir o Festival. Até este ano quando a mistura de Suede, Garbage (foto), Kings of Leon e alguns amigos me animaram a colocar a mochila nas costas e ir ver o que o famoso Planeta Terra tinha para oferecer.

E posso dizer, com certeza, que não me arrependo nem um pouco. Já tinha ouvido falar sobre a organização e o público diferenciado, mas uma coisa é ouvir falar outra é ver com os próprios olhos. Shows começando no horário certo, palcos pertos – mas não o suficiente para que o som vazasse de um para o outro -, banheiros, postos de atendimento, caixas e stands de comida e bebida bem localizados e suficientes, pessoas da organização para prestar qualquer tipo de assistência, lojinhas e lanchonetes aceitando cartões, poucas filas… E o público? Educação realmente define. Nada daquele empurra-empurra, nada de pessoas colocando a câmera na sua cara e te atrapalhando a ver o show. As pessoas realmente estavam ali para assistir e curtir os shows de suas bandas preferidas. O que, convenhamos, deveria ser o normal em qualquer show!

Bem, por causa de alguns imprevistos pessoais, acabei chegando ao Jockey no final do show da Mallu Magalhães, mas com tempo suficiente para ver o quanto ela estava curtindo estar de volta ao festival e o quanto ela amadureceu musicalmente. Aliás, o curtir foi algo visível na maioria das bandas. Parecia mais uma reunião de amigos, onde aquele grupo formado pela turma do colégio faz um som. Eu realmente fiquei com vontade de ter chegado mais cedo para poder assistir o show completo.

Já que Mallu estava no fim, demos uma passeada pelo jockey, vendo o que o Terra tinha para nos oferecer e fomos curtir o Little Boots. Impossível ficar parado com a animação da vocalista Ivana. Um show para fãs, já que o Little Boots não emplaca um grande sucesso há um tempinho.

O início do show do Beast Coast nos levou novamente para o palco principal. E o show claramente pode ser dividido entre antes e depois do sol. Depois de muita chuva, o sol escolheu justo o momento da banda californiana para surgir, deixando a vocalista super animada, mudando o tom do show. Com um que de rock dos anos 90, a banda conseguiu envolver o público. Show com cara de uma tarde de festival e uma grata surpresa. Para mim, que não conhecia a banda, foi a grande surpresa do festival, a banda que me fez chegar em casa e ir procurar algumas músicas para poder ouvir e conhecer mais.

Vi pouco do Maccabees, já que aproveitamos o momento para descansar e carregar as energias, afinal faltava pouco para as bandas que eu mais queria ver.

Os britânicos do Suede (foto) não decepcionaram os fãs que optaram por ficar em frente ao palco principal ao invés de irem para o Indie ver a Azealia Banks, que, segundo alguns amigos, também fez um showzaço. Emendando um sucesso no outro, a banda veterana pouco falou, mas o vocalista ainda arriscou alguns ‘obrigado’ entre uma música e outra. Sem perder o pique nem uma vez, a banda fez parecer que estávamos novamente nos anos 90, em uma casa de shows da Inglaterra.

Se houve um consenso no Planeta Terra este é de que o Garbage foi o melhor show do Festival. Em sua primeira passagem pelo Brasil, Shirley Manson e companhia se mostraram super simpáticos e pareceram querer compensar o tempo perdido. Como havia prometido, o grupo não deixou de fora seus antigos sucessos, como “Stupid Girl”, e “Only Happy When it Rains”, nem canções do novo disco como “Control”. Se o Garbage não decepcionou, o público também fez seu papel, cantando e interagindo com a banda do início ao fim.

Ao fim do show do Garbage, muitas pessoas se dirigiram para o palco Indie para a apresentação do Gossip, banda que já cancelara duas vezes suas apresentações no Brasil e ainda deu um susto na produção ao saír mais tarde do que o previsto de Buenos Aires, onde havia se apresentado antes. Mas eu só sairia da frente daquele palco após ver a volta aos palcos dos irmãos e primo Followill. Depois de não ter podido ir aos dois shows anteriores do Kings of Leon no Brasil, ali estava eu, finalmente. E apesar de muitas pessoas terem dito que o show foi morno, ver o Kings ao vivo e ainda por cima tocando “Notion”,“Pyro” e “Closer”, foi o fechamento, com chave-de-ouro de uma tarde/noite incrível.

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Veja o Garbage cantando “Only Happy When it Rains”:

Imagem de Amostra do You Tube

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Fotos: Ricardo Matsukawa/Terra (Garbage e Suede) ||  Daniel Ramalho/Terra (Destaque)