Além do Som: A destruição da música brasileira

Além do Som: A destruição da música brasileira

Se tornou viral na web durante a última semana um documentário que apresenta uma teoria de conspiração contra a música brasileira.

MPB – A História que o Brasil Não Conhece conta com a direção de André Moraes, um dos mais requisitados compositores de trilhas sonoras do cinema brasileiro, e apresenta o rumo que tomou a música brasileira, de uma forma cômica e, até mesmo, reflexiva.

O documentário é baseado em um livro polêmico e nos apresenta toda uma conspiração criada em torno da MPB. De acordo com o documentário, a Música Popular Brasileira alcançou um potencial enorme ao se tornar sucesso fora do Brasil graças a nomes como Ari Barroso, Carmen Miranda e Tom Jobim. Graças a todo esse sucesso, agentes de uma corporação secreta teriam sido enviados ao Brasil com o objetivo de destruir a música nacional.

Com narrativa de Caco Ciocler e depoimentos de nomes como Sérgio Mallandro, Jair Oliveira, Iggor Cavalera, Wilson Simoninha e Afonso Nigro, o documentário traz histórias engraçadas envolvendo diversos nomes envolvidos diretamente no cenário musical nacional, casos de Michael Sullivan, Luiz Caldas e Compadre Washington, entre outros.

Com um roteiro bem escrito e boa direção, MPB – A História que o Brasil Não Conhece é um documentário feito para provocar o riso em quem o assiste. Aliás, diria que é obrigatório gastar 17 minutos do seu tempo vendo o documentário.

Por mais que seja humor (e dos bons), o documentário pode nos levar a pensar bem sobre a pergunta principal em torno do vídeo: “O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?”

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Além do Som: Rock solidário

Além do Som: Rock solidário

A Além do Som traz para você uma iniciativa muito boa e bacana, mostrando que se dá para fazer rock ‘n roll e ajudar pessoas necessitadas.

O Projeto Amigo foi criado em Outubro de 2008, por Alexsander Silveira e Vinicius Soares. Com a intenção de fazer um projeto social onde todos podem participar e juntos ver os resultados das suas ações, o projeto começou a operar em novembro daquele ano, pedindo doações de alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal.

De uma forma bem simples e direta, com folhas A4 imprimidas explicando sobre a idéia da ação social, o projeto ganhou as ruas para tentar arrecadar doações para fazer 200 marmitexs para serem entregues aos moradores de rua da região do centro de Belo Horizonte e área hospitalar, além de ajudar o Asilo São Vicente de Paula, que se localiza no bairro Bom Jesus.

Após um ano desta experiência, os criadores do projeto, Alexis Silva e Vinicius Soares, decidiram organizar um show para, além de comemorar o sucesso da ação, arrecadar mantimentos para a realização do ‘Amigo’ em 2009. Essa ideia acabou mudando a concepção do projeto, mas permitiu a consolidação da ação. O objetivo inicial foi mantido: A vivência do trabalho em grupo para a realização de idéias. Mas, além de manter o caráter social, o projeto se transformou em um festival de música independente.

Em 2009, o Amigo teve a sua segunda edição acontecendo no dia 19 de julho. Mais doações foram arrecadadas para o Asilo São Vicente de Paula e o Projeto Reconstruir, no Morro das Pedras. Em novembro daquele ano aconteceu o show Comemorando um ano do projeto, no Matriz.

E nesse ano tem de novo. A quarta edição do Amigo Fest acontece nos dias 07, 08 e 15 de dezembro, mais uma vez no Matriz. Os ingressos estão a venda e custam R$ 15 + doação.

Ficou interessado em como ajudar? Saiba mais sobre o projeto no Facebook:
Pagina no Facebook – Aqui vai encontrar todas as informações sobre o Amigo Fest.
Pagina do Evento – Aqui vai encontrar ás informações de datas e horários do evento.

Confira abaixo todas as informações sobre Amigo Fest:

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Além do Som: Até aonde vão as “invenções” nas premiações musicais?

Além do Som: Até aonde vão as “invenções” nas premiações musicais?

O Premio Multishow 2012 me deu a clara sensação de que as premiações nacionais estão “perdidas”. Mesmo com o seu caráter mais popular, o prêmio apresentado ontem acabou agraciando uma série de artistas que, apesar de sua qualidade, não gozam de uma visibilidade tão grande que as tornem populares.

Cícero e Michel Teló talvez sejam os grandes expoentes do que se viu ontem a noite no canal a cabo. Enquanto o voto popular caia na mão dos nomes já conhecidos do grande público, o juri acabou dando voz a nomes que, para a grande maioria, ainda não representam muita coisa. Fãs do Teló não conhecem o Cícero, mas os do Cícero conhecem o Teló. Entende? No caminho inverso, o VMB não incluiu nenhum cantor sertanejo em suas apresentações ou candidatos aos prêmios. Mas não é um prêmio que visa premiar a música nacional num todo? No fim, tudo isso é capaz de gerar uma boa discussão entre o que é bom e o que é popular, já que as duas coisas necessariamente não andam juntas.

Apesar disso, a motivação desse texto não é essa. Não vim falar se fulano é bom, ciclano é ruim, se o prêmio foi entregue as pessoas certas, se a Ivete Sangaloe o Paulo Gustavo (foto) apresentaram bem a edição 2012 do PMMB ou sobre quantos compositores foram precisos para fazer “Ai se eu te pego”. Isso quem está nas redes sociais já discute a exaustão.

Ontem, ao sentar em frente a TV (porque o Audiograma ainda não é mainstream o suficiente para receber convites de premiações. Quem sabe em 2013, né?), achei engraçado ver que, ano após ano, várias são as premiações que passaram a acreditar na ideia de que “o bom é ser diferente”. Para alguns pode ser, mas pra mim não. Eu, pelo menos, não sentei alí para ver um programa humorístico, não quero um prêmio onde não se pode ”pisar fora da faixa” ou que o meu artista favorito não possa subir no palco para agradecer caso ganhe alguma categoria.

É preciso sim de um formato interessante, aliando a opinião de profissionais e fãs, com participação da web, apresentando categorias novas e capazes de fugir do óbvio, mas algumas coisas vistas ontem mostram que certas alterações só possuem o poder de estragar um prêmio.

Por exemplo, se você não quer deixar o público “comande” a lista de ganhadores, que tal dar um peso X ao voto do público, montar um juri com uns 50 nomes que vivenciam a música diariamente (produtores, jornalistas, blogueiros, entre outros) onde cada um teria um peso Y e, a partir daí, se definir os vencedores. Seria difícil? Gente é o que não falta para fazer parte deste juri. Agora, se o problema é o artista que fala demais nos agradecimentos em cima do palco? Copia o Oscar! Corta o microfone depois de X segundos e sobe uma música de fundo. Digo isso porque estar lá em cima, certamente, deve ser a realização para um artista. Tirar isso dele é quase um crime.

Pego ontem como exemplo, mas pode-se colocar na panela também o VMB, o VMA, o EMA, o Brit Awards, o Prêmio da Música Brasileira e por aí vai. A impressão que fica é que ninguém sabe o que fazer, como fazer, o que explorar ou como alinhar tudo em uma edição de qualidade dos prêmios existentes mundo afora.

Aí fico com algumas perguntas na cabeça: Qual será a próxima invenção das premiações? Vão proibir o artista de agradecer ao prêmio? Vão limitar as apresentações musicais a um determinado tempo? Vão contratar um monte de comediantes pra fazer stand-up no palco?

Talvez o VMB possa me responder isso amanhã…

Além do Som: Lollapalooza – a salvação dos festivais no Brasil em termos Rock?

Além do Som: Lollapalooza – a salvação dos festivais no Brasil em termos Rock?

Recém-nascido no Brasil, o Lollapalooza já se encaminha para a 2ª edição com uma credibilidade bastante favorável aos organizadores do festival.  Apesar do foco de seus organizadores é de sempre contar com o Rock e seus adeptos, o Lolla também contou na edição 2012 com artistas rap’s e pop’s – o que acontece na maioria das vezes com alguns festivais.. Mas não é por isso que podemos crucificar Perry Farrell & Cia, afinal 85% do line-up é formado por artistas que tem o gênero rock n’ roll em seu currículo e que transmitem uma boa qualidade de música para os ouvintes.

Para depois prosseguirmos, vamos relembrar:

- Na edição de 2012, o festival contou com alguns grandes nomes da música atual: Foo Fighters(uma das melhores bandas da cena atual do rock  – se não a melhor  ), Arctic Monkeys, O Rappa, Plebe Rude, Gogol Bordello e Marcelo Nova.

Continuando…

Avaliando alguns nomes que estavam presentes no line-up da 1ª edição, podemos esperar sem dúvidas uma 2ª edição bem melhor – tanto que nome como Pearl Jam estão quase confirmados. Mas se este ‘’bem melhor’’ se realmente concretizar, teremos que agradecer a grande organização que cerca os bastidores do Lollapalooza, que fizeram da edição no Brasil um espetáculo.

”Mas…só por isso seria o Lolla seria a salvação dos festivais no Brasil?”

Acho que ‘’só’’ por isso não, mas  por uma série de fatores em que é cabível citar: respeito ao público e organização nos bastidores.

E não está sendo preciso quase 1 dezena de edições pra provar isso, em apenas uma já conseguiu deixar isso bem claro.

Além do Som: Os mistérios de Glory Box

Além do Som: Os mistérios de Glory Box

O que você pensa quando ouve Glory Box do Portishead?

Apropriando-me indevidamente do conto do musico/escritor e colega Marlos Reis, “… um emanando de volúpia, suor e cheiro de látex…”. Hoje eu sinto cheiro de copia e você também sentirá.

Pois bem, há um tempo estava ouvindo o primeiro Cd do Racionais, “Sobrevivendo no inferno”, que é verdadeiramente uma obra de arte do Rap. Mas nesses downloads corrompidos da vida faltava uma musica, ela nunca me fez falta até o dia em que resolvi por baixa-la, “Jorge da Capadócia”.

E nela estava a minha grande descoberta, por quê?

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“Sobrevivendo no inferno” foi lançado em 1997, “Glory Box” estava no álbum “Dummy”, que até onde eu sabia foi lançado em 1994. Todas as provas naquele momento levavam me acreditar, que Racionais tinha se apropriado do sample de Glory Box. Coisa que definitivamente eu duvidei muito, então fui atrás da verdade, googlear era a solução.
Depois de horas a frente do computador descobri coisas inusitadas. Vamos à sucessão dos fatos:

A musica “Jorge da Capadócia” é uma releitura de uma música do Jorge Ben Jor, que recebe o mesmo nome, de um disco de 1975, “Solta o pavão”. E o melhor, que “Jorge da Capadócia” do Jorge Ben Jor, que na época ainda era Jor Ben, é também uma releitura da Oração a São Jorge.

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Portishead fora influenciado por Jorge Ben e apropriado do sample? Eu não via relação, acho que você também não. Assim, foram mais tantas outras horas em frente ao computador, logo, outras revelações.

O mesmo sample que canta o amor ao som de Portishead, superava obstáculos de um de negro e pobre nos Racionais e representava a convicção religiosa  por Jor Ben, estava em “Walk On By” do Isaac Hayes de 1969. E sim era ele o influenciador supremo de toda essa historia, achei que, ali tinha terminado o mistério. Estava eu feliz como minhas “meias- verdades”.

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Mas essa história não acabaria por aqui, a caminho para o mais que aguardado e sonhado show do Bob Dylan, revelei minha descoberta para um amigo, foi quando ele me contou que a música “Walk On By” do Isaac Hayes é um cover da Dionne Warwick 1965.

Foi quando voltei a googlear e descobri um site, que revela quem sampleou quem, quem copiou quem, que fez cover de quem, nesse mundão de “meu Deus”.

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E a maior surpresa de todas e quase que ridícula que esse site me permitiu descobrir é, que o sample que influenciou todas essas bandas não veio de “Walk On By”, mas sim de “a Ike’s Rap II”, outra musica do Isaac Hayes, simplesmente ele usou sample de uma musica que eles mesmo cantava.

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Mas o site me revelou a ultima cadeia hierárquica dessa historia, que passou por Glory Box – Portishead/Jorge da Capadócia – Jor Ben – Racionais MC’s/Walk On By -Dionne Warwick / Ike’s Rap II – Isaac Hayes. É que a Ike’s Rap II na verdade foi sampleada da musica “Daydream” de uma banda belga do inicio dos anos 60, chamada Wallace Collection.

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Então, meu caro, até onde eu sei e o Google pode me afirmar, a historia desse sample começou com Wallace Collection em 1969, cruzou 43 anos, e permanece como o “toquinho” repetitivo, grudento e excitante de “Glory Box”.

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Além do Som: Por que o enlatado é mais gostoso?

Além do Som: Por que o enlatado é mais gostoso?

Em meio a calendários, festividades e compromissos de um dia agitado, me veio um pensamento. Os festivais que estamos importando não seriam mais do mesmo? Sim quando falo de festivais digo Lollapalooza, Sónar entre outros espalhados por São Paulo, o reduto dos festivais. São grandes festivais que acontecem – no caso do Lollapalooza nos EUA e Sonar na Europa, mais precisamente na Espanha – que surgem como descobridores de novas tendências e experiências das mais diversas.

Estes festivais têm sua importância sim, na área do entretenimento, mas surge uma questão que muito me intriga: O line-up é muito parecido com os festivais feitos aqui e que, por sinal, sempre metemos o pau. Será que nos falta status ou é uma super valorização do que trazemos de fora?

Quando produtoras locais formam festivais, somos os primeiros a criticar ou ridicularizar tais iniciativas, fazendo com que os mesmos não tenham uma longa vida por aqui. Achamos caro pagar por artistas que com muito custo e luta são trazidos para nossa terra, porém gastamos loucuras e passagens para ver “o importado”, tudo em nome do status.

Entre os dois festivais citados, na minha modesta opinião ficaria com o Sónar. Este festival traz um produto agregado junto aos grandes shows. Chamado de Festival Internacional de Música Avançada e New Media de Barcelona, ele traz consigo elementos experimentais de música e novas tecnologias, aliado ao line-up de artistas que possuem esta característica.

Já o Lollapalooza é um festival mais clássico que reúne artistas do rock mais tradicional até o alternativo e novas bandas, passando também pelo Rap e Hip-Hop. Comparando o line-up, fica claro que o boom do rock alternativo está presente em ambos, até mais no Lollapalooza que no Sónar, mesmo por que as temáticas são diferentes. Porém, percebe-se que estas bandas não estão tão distantes do nosso MP3. Oraganizações como Queremos entre outras iniciativas já realizaram os sonhos de vários fãs sedentos do rock alternativo.

No Brasil não faltam produtores e guerreiros, que apesar de toda dificuldade e falta de retorno, seja financeiro ou mesmo de público, tentar realizar e trazer shows e entretenimento para todos. Festivais como Eletronika, Abril pro Rock, Goiana Noise entre outros que temos aqui e não deixam de dar sua contribuição para a música e promoção da mesma. Mesmo iniciativas nacionais como o Grito do Rock, festivais ligados ao Fora do Eixo ou a organizações de festivais independentes deixam de ser prestigiados. O muito que pagamos é com nossa presença, pois o de graça sai caro. E quando sai é barrado por movimentos de comerciantes e moradores. Muitos reclamam que são caros, pouco atrativos e costumam ridicularizar, sendo que nem na porta passam. Ou muitos costumam ler uma nota pequena no jornal e dizer que são os famosos quem, sendo que os festivais importados, fazem mais do mesmo.

Artistas que surgiram ontem são as grandes estrelas do nosso festival importado de hoje. Não faço um discurso patriota, pela causa da nação, mas é triste ver o que nossos produtores passam, trazendo bandas e criando festivais. O retorno não é o mesmo ou é ainda pior, são cobrados por não trazer determinado artista que está em outro estado. Mas enquanto isso em outros locais, experiências das mais diversas serão relatadas através das mídias sociais, celulares irão registrar cada momento e compartilhar com todo o mundo as imagens, posts e comentários de seus deliríos e surdez temporárias, tudo em nome do novo velho importado.

Agradecemos em primeiro lugar a Lula, Dilma e equipe econômica pela nossa moeda forte e econômia valorizada frente ao dólar e outras moedas, pois se não fosse isso e outros detalhes não teriamos está importação musical presente hoje. Como diz o ex-presidente Lula “Nunca antes na historia deste País” tivemos tantos shows internacionais e festivais importados. Porém, não passa a ser mais do mesmo.

Além do Som: Qual a boa do Lollapalooza?

Além do Som: Qual a boa do Lollapalooza?

Demorou mais de 10 anos para o Foo Fighters voltar ao Brasil. A banda liderada por Dave Grohl foi a atração principal do Festival Lollapalooza, evento criado por Perry Farrel, vocalista do Jane’s Addiction, durante os anos 90. Ainda que tenha deixado muito a desejar em comparação com as edições de Chicago e Santiago, o Lollapalooza revelou um forte potencial para se tornar o maior Festival de música do país, batendo de frente com o Terra (ainda melhor), SWU e Rock in Rio. O grande problema foi que, assim como no clipe de “Everlong”, do Foo Fighters, o sonho não foi totalmente agradável e houve o risco dele se transformar em um grande pesadelo.

Uma das principais receitas de sobrevivência em um Festival em terras tupiniquins é chegar cedo, comprar todas as fichas de bebidas e evitar as intermináveis filas. Quem conferiu o evento em Chicago revelou que as filas não costumavam durar nem mesmo cinco minutos e que parte dos funcionários dos caixas eram voluntários. Aqui no Brasil, além de você perder um show inteiro para conseguir comprar a sua ficha e ser atendido, ainda corre o risco de lidar com a mesma cena acontecida durante o Rock in Rio IV, quando vários atendentes “fugiram” após o começo dos shows. O Lollapalooza não escapou deste, que é um dos principais problemas dos grandes eventos no país. A organização também errou no desenho da estrutura do festival: havia apenas um espaço para o público descansar e ele ficou lotado quando a chuva caiu durante o domingo; a Tenda do Perry ficava praticamente colada no palco Butantã e uma apresentação abafava a outra, tornando impossível assistir aos shows naquele lugar. Um erro grotesco, para se dizer o mínimo. Os organizadores só “perceberam” o deslize na hora da última apresentação do Lolla, quando atrasaram a apresentação do Racionais Mc’s para evitar o conflito sonoro. O público, principal interessado em conferir os shows, não foi avisado da alteração, embora naquela altura a maioria estivesse mais interessada em ir embora para casa e descansar após a maratona de dois dias. Ainda mais incômodo que as filas para os caixas, a primeira edição do Lollapalooza Brasil ignorou um dos únicos acertos do último Rock in Rio e manteve os banheiros químicos. O Festival criado por Roberto Medina ofereceu um grande mictório para evitar as longas filas e resolveu parcialmente o problema, pelo menos do lado masculino.

Mais grave ainda foi o caos para sair do evento. Boa parte das 70 mil pessoas que foram ao Lollapalooza precisava utilizar um transporte público para voltar para casa. Aliás, havia um grande incentivo por parte dos organizadores para que o público deixasse o carro em casa e optasse por usar o metrô (considerando que os shows estavam previstos para acabarem às 23h) ou ônibus. O resultado foi o completo despreparo das autoridades em lidar com a massa que se espremia e lutava para entrar no metrô. Se para encontrar um táxi livre era preciso andar até depois da Marginal Pinheiros, a situação não era nada fácil para quem esperava a PM liberar a estação Butantã. O caos não diminuiu nem mesmo no segundo dia, quando mesmo com 15 mil pessoas a menos, houve nova confusão, inclusive com relatos de violência por parte do público e também da polícia.

Como se não bastasse a tradicional reclamação das filas e estrutura, o Lolla também começou com o pé esquerdo quando a primeira atração internacional do evento subiu ao palco. Os malucos do Cage The Elephant fizeram um show visceral para o público com menos de 20 anos e que estava ocupado demais com os moshs e stage dives do vocalista Matt Schultz para prestar atenção na péssima qualidade do som da apresentação. O volume estava baixo demais e para uma banda com um vocalista que prefere fazer bagunça do que cantar, o resultado não foi positivo. Toda a pegada presente nos discos da banda foi apagada e ficou a impressão de que o som estava preso em algum lugar bem distante dali. Felizmente, Schultz usou tudo que aprendeu assistindo aos shows do Pixies e Nirvana e fez um show à parte, inclusive com direito a dois stage dives, sendo o último no final do show.

O Rappa subiu ao palco do Lollapalooza apenas para garantir a presença na edição norte-americana do show. Muita gente estava cantando os versos de “Rodo Cotidiano” e “Minha Alma”, mas o melhor momento do show foi quando Falcão e sua trupe deixaram o público ouvindo “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Quando o melhor momento do seu show é motivado por conta de uma música de outra banda, é melhor repensar o que você fez de errado. O Band of Horses fez uma das apresentações mais elogiadas do Festival (com direito até a um pocket show acústico surpresa), enquanto o Tv on the Radio dividiu opiniões, chegando a ser chamado até mesmo de “Infinity on the Radio” por alguns fãs mais ansiosos pelo show do Foo Fighters. Dave Navarro, guitarrista do Jane’s Addiction, deu as caras para tocar “Waiting Room“, do Fugazi. Engraçado notar que pela segunda vez no dia, o melhor momento do show de uma banda foi consequência de uma cover. Pelo menos a banda preferiu tocar a música, ao invés de imitar O Rappa e deixar o som mecânico fazer o trabalho “duro”. Joan Jett se apresentou no palco Butantã, enquanto a maioria do público se espremia para chegar o mais próximo possível do palco principal Cidade Jardim e assistir ao show do Foo Fighters, que assim como todos os outros shows, começou pontualmente às 20h30.

A primeira nota de “All My Life” foi o suficiente para ganhar o público, que gritava e se apertava cada vez mais. Foi assim durante as primeiras músicas, o que dificultava muito a visão do palco. Os “baixinhos” não tinham nem como recorrer aos telões, já que a produção também falhou ao deixa-los baixos demais. Sem muitas surpresas no repertório (“Generator”, “Hey Johnny Park”, “For All The Cows”), o Foo Fighters fez uma apresentação para realizar os sonhos de todos os fãs. Dave Grohl chegou até mesmo a tocar bateria em “Cold Day in the Sun”, tornando aquele momento ainda mais inesquecível, mas o grande problema do show foi o fato dele ser uma vítima da tecnologia e não ter conseguido fugir do óbvio. Grohl criou um personagem extremamente carismático, mas que repete as mesmas frases e interações com o público. Quem acompanhou a transmissão do show do Chile e das duas apresentações na Argentina não se surpreendeu nadinha com o repertório e nem mesmo achou graça nas piadas, mas valeu pela experiência de estar diante tudo aquilo e a certeza de que o Foo Fighters é uma das maiores bandas da atualidade, independente das críticas. A cantora Joan Jett subiu ao palco para tocar duas músicas (“Bad Reputation” e “I Love Rock n’ Roll” – após um belo discurso homenageando Perry Farrel por sua importância no mundo da música e de como o Lollapalooza é uma marca de respeito e orgulho para as bandas alternativas) e logo depois foi o momento de “Everlong” encerrar o show. Grohl prometeu retornar em breve. Só resta esperar.

O segundo dia começou ainda mais quente e com uma concentração bem maior de pessoas para conferir aos primeiros shows do dia, especialmente do punk cigano insano do Gogol Bordello. Eugene Hutz se apresentou com a mesma empolgação (e roupa) do show realizado na sexta-feira, no O Beco, em São Paulo, e deixou todo mundo se perguntando o motivo que fez a produção escalar a banda logo no começo do domingo, deixando artistas como Thievery Corporation e Manchester Orchestra (que encerrou o show no momento em que a chuva começava a apertar e as pessoas fugiam para a tenda coberta) em horários melhores. Um dos grandes conflitos do domingo foi decidir entre assistir ao rock n’ roll incendiário dos goianos do Black Drawing Chalks ou aos movimentos pélvicos do vocalista do Friendly Fires. O MGMT fez um show que agradou apenas aos seus leais fãs, embora “Time to Pretend” e “Kids” sejam (as únicas) músicas divertidas e que fizeram muito barulho. Já o Foster the People surpreendeu muito positivamente, tanto pelo público que cantava tão animado como os fãs do Foo Fighters quanto pela própria performance da banda. Se o disco de estreia da banda era “certinho” demais e desprovido de pegada, o show é exatamente o contrário e ainda que o som seja extremamente organizado, tudo é tão bem trabalhado que é apenas mais um motivo para se admirar e acompanhar a trajetória da banda.

O Jane’s Addiction começou o seu show com um trecho de uma canção do Pink Floyd e uma performance de um grupo de acrobatas. Ainda que tenha tocado para um público novo demais para lembrar do clipe de “Been Caught Stealing”, existiam aqueles curiosos em conhecer o som da banda que Dave Grohl chegou a comparar como o Led Zeppelin de sua geração. Ainda que saibam perfeitamente como construir arranjos e um show de rock para fã nenhum botar defeito, Farrel e sua bizarra semelhança com Dinho Ouro-Preto fizeram o básico e não inventaram demais na apresentação, que foi perdendo força na medida em que se aproximava a hora do Arctic Monkeys “encerrar” o Lollapalooza.

A banda liderada por Alex Turner tocou boa parte do disco Suck it and See, deixando de lado muitas canções dos discos anteriores. Os fãs não se importaram, especialmente por estarem diante uma banda bem mais madura do que a que havia se apresentado no Tim Festival de 2007. Turner está mais simpático e evoluiu muito como vocalista e guitarrista. Enquanto não deixava escancarada a influência de Josh Homme, do Queens of the Stone Age e produtor do disco Humbug, na sua forma de cantar e tocar guitarra, o líder do Arctic Monkeys se divertia fazendo caras e bocas para o público.

Não é exagero dizer que a apresentação rápida e rasteira (e sem enrolação) foi a melhor dessa primeira edição do Lollapalooza Brasil, que deixará os fãs na expectativa para a confirmação (ou não) do evento no ano que vem.

Além do Som: Vida que segue!

Além do Som: Vida que segue!

“Hoje é o dia mundial de abandonar o contrabaixo”. Essas foram as palavras de Rodrigo Tavares, via Twitter após comunicado oficial de saída da Fresno. É com um misto de raiva com esperança, tristeza com alegria, ou na verdade não sei o que, que escrevo essa matéria para nosso espaço laranja.

Hoje, quinta-feira 29 de março de 2012 que Rodrigo da Fonseca Tavares deixa a banda Fresno. Sem muitas delongas, todos os atuais integrantes deixaram um comunicado no facebook oficial da banda, a noticia. Mas venhamos e convenhamos, a banda já teve vários outros integrantes. E a saída de cada um deles, deixou uma marca irreparável, mas jamais trouxe o fim da banda.

Desde que o Tavares assumiu o lugar de Lezo, a banda cresceu e tomou caminhos jamais antes conhecidos. E com isso, muitos novos fãs, que pouco sabiam sobre o ex-integrante (Lezo), que também era um profissional excepcional no contrabaixo.

Todos os fãs (hoje) tem seus motivos para chorar, gritar, e agirem como bem entenderem sobre um futuro próximo. Mas amanhã com certeza, após tal baque, podem pensar que o projeto solo (Esteban) também trará grandes felicidades. Pois sabemos que como compositor, Rodrigo Tavares é “mestre” (como carinhosamente é tratado pelos fãs).

Então se você se considera um ídolo de verdade dessa banda que vos digo, jamais digam que ela acabou por que um integrante a deixou. Todos nós temos liberdade de escolha, e o Rodrigo fez isso. Resolveu dar maior atenção a um projeto solo que lhe trará novos frutos. Sejamos complacentes e aceitemos isso. Por que acima de tudo, somos fãs de um trabalho. E por trás desse trabalho, há pessoas que lutam para fazer dar certo.

Em breve a banda lançará novo EP com musicas inéditas, e possivelmente um DVD, que foi prometido para 2012. E no próximo sábado vai ao ar, o Altas Horas na Globo, com a última participação do Tavares na formação da banda. Fica aqui, a minha torcida e espero que a de vocês fãs também. No mais, sucesso ao Lucas, Gustavo, Bell, Mario e Tavares.

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Se você ainda não conhece o projeto solo do Tavares, essa é uma boa opotunidade de saber o que é o Esteban.

Além do Som: Até que ponto vai a criatividade?

Além do Som: Até que ponto vai a criatividade?

Para uma estudante de publicidade, às vezes me sinto muito cética em relação ao novo. Novas campanhas, novas músicas, novos filmes… enfim. Às vezes penso que nada mais pode ser inventado, apenas reproduzido em formatos diferentes.

E é justamente nesses momentos que precisamos de algo pra nos tirar deste ceticismo. Eis que surge uma banda incrivelmente criativa, que pode até não ser tão conhecida pela sua música, mas que todo mundo já ouviu falar pelo menos uma vez sobre aquele clipe de quatro malucos dançando em esteiras.
Estou falando do Ok Go, uma banda que além de ser musicalmente boa, e acho que pouco divulgada, possui um talento e criatividade invejáveis.

Com os avanços da tecnologia e facilidades para criar efeitos sonoros, em 3D, animações, entre outros, eles abordam um outro tipo de conceito, baseado majoritariamente na produção.

Com cenários mega elaborados e outros simplórios, a banda consegue criar os mais diferenciados clipes que me fazem assistir incansáveis vezes e divulgar em todas as redes sociais que participo. Uma divulgação mais que merecida.

Gostaria de deixar registrado aqui alguns dos vários clipes que eles fizeram, com destaque para o seu mais novo lançamento. Após quatro meses de trabalho, o vídeo de “Needing/Getting” foi lançado no dia 5 de Fevereiro em parceria com a Chevrolet para promover seu novo carro, o Sonic. À bordo deste carro, totalmente customizado, o grupo percorre um longo trajeto tocando em diversos instrumentos que compõem a melodia da música, do lado de dentro, apenas as vozes, um violão, batidas na porta e teto do carro.

Vale a pena conferir.

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Além do Som: Digitalia – A música on line em questão

11 de fevereiro de 2012 Além do Som 2 comentários
Além do Som: Digitalia – A música on line em questão

O Audiograma esteve presente no Digitalia Festival/Conferência de Música e Cultura Digital que aconteceu em Salvador-Bahia entre os dias 1° e 5 de fevereiro. Em meio ao motim da polícia baiana, a conferência discutiu os 10 anos da música on line e suas consequências no mundo da música e da cultura digital.

Em meio as sonoridades de vielas, Pelourinho, praias e monumentos ocorreram discussões das mais diversas desde de modos de distribuição do conteúdo digital, pirataria, utilização de softwares livre e mídias sociais. Entre vários debates alguns chamaram mais a atenção:

  • A busca de visibilidade de produtores e artistas que estão a margem das grandes mídias e encontram na web o seu grande palco. Bandas e artistas se tornam visíveis ao público tendo um retorno imediato do seu trabalho.
  • A temporalidade causada na web, onde tudo está disponível a qualquer momento, se tornando uma grande linha do tempo, onde tudo está ligado a apenas um link.
  • A economia que se forma na grande rede, com trocas de experiências e dinâmicas, pautadas em políticas próprias de coletivos, grupos e sociedades organizadas.
  • Estações de músicas que possuímos conosco e carregamos para todos os lugares, nas quais compartilhamos nossas experiências musicais.
  • As tecnologias sejam softwares livres  ou equipamentos que possibilitam  seus usuários se tornarem ouvintes, produtores, servidores da cultura.

O Digitalia trouxe a reflexão a forma na qual consumimos a música em meio a cultura digital, as mídias sociais e a mobilidade proporcionada por meio de equipamentos ou aplicativos.

Em meio aos sons que emergem de Salvador, presenciamos uma erupção da cultura, um verdadeiro contraste da cultura enraizada na cidade desde sua fundação à tecnologias de tocadores de MP3 e celulares. Batuques e tambores se misturam a compactação e cartões de memoria.

O contraste está em cada esquina, em cada viela em cada cidadão comum que viu ao passar do tempo seu cotidiano sendo alterado com o tempo. Um recorte podemos fazer está em uma loja de esquina. A loja de música que também é uma livraria, está anexada ao museu da música. Que por sinal está próxima a escola do Olodum e o que está loja tem de especial? Seu acervo é de dar inveja, LP’s dos mais raros com gravações clássicas e artistas dos mais diversos. E entre livros e LP’s encontramos no fundo da loja CD’s de artistas consagrados e independentes, coletâneas e gravações dos grandes festivais. E o que mais me chamou a atenção foi um PC e nele estava ligado o iTunes e seu grande acervo online. Musicas e mais músicas todas separadas a um toque. E em outra aba aplicativos como Rdio.

Na aparente loja de música, na verdade era um verdadeiro museu da música. Em poucos passos percorre estágios da música e suas aplicações. As possibilidades e encontros que ela proporciona, há  e antes que me esqueça o jovem vendedor era Dj nas horas vagas.

Além do Som: A Britney faz aniversário e eu dancei com ela!

Além do Som: A Britney faz aniversário e eu dancei com ela!

Há 30 anos nascia Britney Spears. Ela é considerada a princesa do pop, já passou por altos e baixos e continua revolucionando a música e conquistando fãs por onde passa.

Para mim fica até complicado escrever sobre ela, pois tenho medo de não conseguir economizar elogios, já que acompanho a carreira dela desde 1998, quando vi pela primeira vez o clipe “Baby One More Time”.

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Depois disso foram mais de quinze CD’s comprados, DVD’s de shows e clipes, programas na MTV (quando sua programação ainda era totalmente musical), camisetas, revistas, posters, livros, perfumes, ufa!

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E como perdi o show dela no Rock In Rio 2001, finalmente tive a oportunidade de vê-la de perto em sua última passagem pelo Brasil, no último dia 18 de novembro, no Anhembi.

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Mas como seria uma chance única na vida, por que não fazer uma loucura? Me inscrevi em diversas promoções para conhecê-la, tirar foto e até dançar com ela no palco da turnê. Feito. Gravei vídeos, tirei fotos, mandei frases… E não é que fui sorteada em uma delas? Sim! Eu ia subir no mesmo palco que Britney Spears durante a Femme Fatale Tour!

O nervosismo tomou conta de mim e minha vontade era subir no palco e agarrá-la. Mas logo lembrei da fase “tensa”, quando ela raspou o cabelo, se envolveu em escândalos e foi perseguida por paparazzis.

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Já no dia da apresentação show, encontrei a produção dela que ia me orientar sobre o momento em que iria subir no palco e também me entregar uma pulseira de acesso (que guardei como se fosse a minha vida!). As recomendações foram claras e objetivas: nada de gracinhas, sem tentar contato com ela e apenas ficar parada no lugar marcado e dançar.

Finalmente o tão aguardado momento chegou e lá estava eu, na ponta do palco só esperando o OK para subir. A música “I Wanna Go” começou e recebi uma piscada dela. Pouco tempo depois, um dançarino me chamou e lá fui eu. Nervosa, tremendo e com a emoção a flor da pele.

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Foi incrível. Apesar de não interagir tanto com o público, foram os melhores 2 minutos da minha vida. E tive algumas vantagens… Fiquei exatamente ao lado dela, olhei no olho e ainda ganhei um sorriso quando tentei abraçá-la, mesmo sabendo que não podia e levando um “hadouken” do bailarino.

E ela parece uma boneca por ter o rosto tão bonito e assimétrico. Ela é uma menina mulher que de inocente se transformou em escrava da música, mãe e hoje é a princesa do pop. Todos a amam (e a odeiam).

Feliz aniversário Britney!

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Além do Som: Autotune way of life

Além do Som: Autotune way of life

De todas as premiações musicais, não existe dúvidas (pelo menos pra mim) de que o Grammy é aquela que é vista como a de maior reconhecimento e prestígio, seja pela crítica, pelos artistas e também por seus fãs. A mais recente das listas de indicados, liberada nesta semana, chamou a minha atenção para um “pequeno” detalhe, também conhecido como Foo Fighters (foto).

Em uma era onde Autotune, Pro-Tools e outros itens tecnológicos dominam boa parte da cena musical, é raro encontrar um artista que se utiliza dos velhos meios de gravação e edição para criar uma música ou álbum. Com o avanço da tecnologia, ficou cada vez mais fácil gravar um bom álbum ou atingir o sucesso. São inúmeros os exemplos na história recente da música que se encaixam em um desses pontos e, por isso, posso poupar as citações, certo?

As grandes questões (na minha humilde opinião) de todo esse debate são: Até que ponto os recursos tecnológicos são capazes de mascarar a qualidade musical de determinado artista? Quem se arriscaria hoje em dia em usar meios analógicos de gravação?

O Foo Fighters arriscou. Apostou na sua qualidade musical, na força de suas composições e fez nascer o Wasting Light. Sem Autotune, sem Pró-Tools, só com os instrumentos, vozes, habilidades, um estúdio na garagem de Dave Grohl e os métodos “antigos” a disposição, a banda confiou em tudo isso, arriscou e entregou (novamente, na minha humilde opinião) o melhor álbum do ano o melhor álbum da banda na sua história o melhor álbum lançado por qualquer artista nos últimos 10 anos. E, mesmo que isso não seja reconhecido pelas premiações, a banda conseguiu algo mais importante. Conseguiu (ainda mais) respeito.

Podemos fazer um exercício e apontar nomes que se arriscariam como o Foo Fighters se arriscou. E eu já antecipo, são poucos. Atualmente, vale mais entregar um álbum “perfeitinho”, mas corrigido pelos recursos tecnológicos, do que entregar um álbum onde teve que se colocar a mão na massa e fazer todo o trabalho, inclusive corrigir os possíveis erros. O que antes se levava (longos) meses para se ficar pronto, agora leva na prática apenas algumas semanas. E, mais uma vez, são inúmeros os exemplos de artistas que gravaram um novo álbum em 15, 20 dias. E isso me faz lembrar da prática do Los Hermanos, que se isolava do mundo por um longo período e só saia de lá com o álbum pronto.

Antes que alguém diga, não vou ser hipócrita a ponto de relegar o Autotune e demais itens as profundezas do inferno. Assim como muitos, eu apenas acredito que o músico deve confiar muito mais no seu trabalho, na sua vocação e na sua qualidade para produzir uma música ou álbum do que nesse tipo de tecnologia.

Uma coisa é você corrigir imperfeições, outra é ser coadjuvante deste tipo de técnica. Por isso, digo que hoje ficou muito mais fácil fazer sucesso e, por causa disso, virei um profundo defensor da famosa frase de Fausto Silva: “Quem sabe faz ao vivo”. E, mais uma vez, nem é preciso gastar muito tempo para lembrar de nomes do cenário atual que usam os recursos tecnológicos como “muleta” para os seus trabalhos e como isso faz diferença no “ao vivo”. Isso só torna mais difícil separar “o joio do trigo”, se é que você me entende.

Pensando nisso, encerro este texto refazendo uma pergunta: Quem teria coragem, hoje em dia, de se arriscar sem utilizar esses recursos?

Além do Som: Vem aí o Planeta Brasil

Além do Som: Vem aí o Planeta Brasil

Para quem não conhece, o Planeta Brasil é um evento cultural que teve sua primeira edição em 2009. O considero cultural porque possui um caráter de responsabilidade socioambiental, incentivo à cultura, educação e é ainda um grande festival de música.

Nesses três anos de história, o festival trouxe para a capital mineira grandes nomes como Pato Fu, Skank, O Rappa e Jorge Ben Jor, entre outros. Esse ano não poderia ser diferente, aliás, promete ser ainda melhor com a participação de artistas internacionais compondo o line up.

Na última terça-feira, 26 de Outubro, a equipe do Audiograma junto com outros sites e blogs de diversos segmentos, foram convidados para uma reunião com os organizadores do Planeta Brasil no Celtic Pub, em Belo Horizonte.

Ficamos muito felizes com o convite enviado pela Rede Comunicação de Resultado e fomos lá (eu e o John Pereira) conferir. Com uma reunião bem descontraída, conversamos sobre as bandas que vão se apresentar, expectativas, público e vários tópicos referentes ao tema. Para completar, recebemos um press kit super criativo com direito a uma caixinha de som portátil em paper craft.

O Planeta Brasil 2011 já divulgou suas atrações deste ano e o Slightly Stoopid é uma delas. Os californianos têm influências musicais bem variadas resultando numa mistura de rock, blues, reggae, hip hop e punk. Será a primeira apresentação deles aqui no Brasil. Ainda nas atrações internacionais, o Planeta Brasil contará com a presença de Donavon Frankenreiter – amigo e parceiro de Jack Johnson, que volta à cidade após o sucesso de seu ultimo show – e ainda o Playing for The Change, famosos pelo hit “Stand by Me”.

Além deles, grandes cantores nacionais também farão parte do evento. A começar por Seu Jorge, que promete um show bem diferente com seus maiores sucessos, os hits do novo álbum Músicas para churrasco – Volume 1 e a participação especial de Gabriel, o Pensador. Também apresentando seu último trabalho, Nando Reis – que segundo enquete no site do festival é a segunda atração mais esperada pelo público – volta a Belo Horizonte após se apresentar por aqui em março.

Por fim, O Teatro Mágico. A trupe que, sempre que vem à Belo Horizonte, conquista cada vez mais fãs, tem nova passagem marcada por aqui. E o retorno tão rápido não é por acaso, já que das atrações do festival ela parece ser a mais aguardada,  de acordo com votação no site oficial do evento.

Em nome da equipe do Audiograma, gostaria de agradecer o convite e dizer que estamos torcendo pelo sucesso do festival. Para mais informações sobre tudo o que envolve o Planeta Brasil e saber como garantir o seu ingresso, acesse o site oficial do evento.

Especial Rock In Rio: Um resumo de sua história

Especial Rock In Rio: Um resumo de sua história

Após o sucesso do Rock In Rio IV, que tal relembrarmos a historia do evento que marcou nossa juventude e de muitos outros por onde passou.

A primeira edição do evento teve base na antiga Cidade do Rock, localizada em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Começou no dia 11 de janeiro de 1985 e durou nada mais nada menos que 10 dias e reuniu um total de 1 milhão e 380 mil espectadores.

O evento contou com as presenças de Queen, Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne, entre outros ilustres convidados.

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A segunda edição do evento aconteceu também no Rio de Janeiro, mas dessa vez no Maracanã, e aconteceu entre os dias 18 e 26 de Janeiro de 1991. O gramado foi adaptado para receber 700mil pessoas nos 9 dias do evento. Desta vez contou com as presenças de Guns N´Roses, Faith No More, Titãs, A-ha, Engenheiros do Hawai, George Michael, entre outros.

Após uma longa espera de 10 anos, chegamos à edição de numero 3 do Rock In Rio. Aconteceu entre os dias 12 a 14, e 18 a 21 de janeiro de 2001. E, para que o evento acontecesse, os organizadores resolveram fazer uma nova “Cidade do Rock” voltando as origens mas desta vez com maior capacidade de publico, 250 mil espectadores, contando também com tendas alternativas (eletrônica, Brasil, Raízes e Mundo Melhor) além do palco principal.

O evento levou o nome de “Por um mundo melhor” e contou com um ato simbólico que levou o publico que ali estava, 3 mil rádios e 522 TV´s ao silêncio absoluto durante 5 minutos antes do evento. Legal não! O inicio e o termino do ato, foram marcados por toques de sinos e libertação de pombas brancas na representação de um pedido pela paz mundial. Nesta edição tocaram Iron Maiden, Sepultura, Guns N´Roses, R.E.M, Red Hot Chili Peppers, Silverchair, Cassia Eller, Oasis, Britney Spears, entre outros.

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Chegada a hora de zarpar rumo à Lisboa e, em 6 dias de evento, Portugal reuniu 386.300 pessoas em 2004 na grandiosa “Cidade do Rock” localizada no Parque Bela Vista e que também contou com palco principal e tendas alternativas, como feito na terceira edição do evento no Brasil.

O evento foi assistido por cerca de 60 países, incluindo o Brasil, que teve cerca de 70 milhões de espectadores pela televisão. Entre as 70 atrações do evento estavam Alejandro Sanz, Alicia Keys, Evanescence, Incubus, Metallica, Paul McCartney e Slipknot.

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A segunda edição internacional do evento ocorreu em 2006 e também teve como sede a cidade de Lisboa. Mostrando uma estrutura diferente daquela apresentada em 2004, o Parque Bela Vista recebeu 350 mil pessoas e muitos elogios a respeito da estrutura que contava com o palco mundo, Hot Stage e tenda eletrônica, além de uma pista com neve verdadeira no parque. O evento durou 5 dias e teve como destaque as bandas Red Hot Chili Peppers, Shakira, Jota Quest, Marcelo D2 e Pitty.

A terceira edição em Lisboa, foi em 2008 e também teve 5 dias de duração. O publico de 354 mil pessoas superou as expectativas dos produtores do evento e esgotou seus ingressos em dois desses 5 dias de evento. Uma das novidades foi a criação de um novo conceito para o “palco Sanset”, no fim de tarde, bandas se encontravam nesse palco e realizavam shows únicos, misturas que só aconteceriam ali. Clã & Pato Fu, João Gil, Tito Paris & Marisa Pinto, Sam the Kid & Cool Hipnoise marcaram algumas dessas apresentações.

Nessa edição também houve desfiles em um espaço dedicado a moda que mostrava a moda do publico rock. Uma diferença das outras edições, foi a instalação sanitária que melhor preparada para tal publico. Entre as atrações estavam Linkin Park, Amy Winehouse, Bom Jovi, Muse, Metallica, Tokio Hotel, Skank, entre outros.

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E chegamos a edição Rock In Rio Madrid, que também aconteceu em 2008, entre os dias 27 a 28 de junho e 4 a 6 de julho. Contou com a presença de Amy Winehouse, Alanis Morissette, Ivete Sangalo, The Police, DJ Tiësto, Bob Dylan entre outros.

Depois dessa passagem por Lisboa e Madrid, era hora de voltar pra casa. Chegamos a quarta edição do evento no Brasil, realizada nos dias 23 a 30 de setembro e 1 e 2 de outubro de 2011, no Parque olímpico Cidade do Rock, localizado na Barra da Tijuca – Rio de Janeiro. Tudo sobre essa edição você pode conferir em nosso especial aqui no Audiograma.

Se você não foi a nenhuma dessas edições, com certeza deve conhecer alguém que tem histórias para contar do festival. Mas todo mundo já tem novas oportunidades na agenda, já que as próximas edições do evento já possuem datas marcadas e aconteceram em maio de 2012 em Lisboa e em Madrid e, em setembro de 2013, teremos uma nova edição no Brasil.

Especial Rock In Rio: O outro lado da música

Especial Rock In Rio: O outro lado da música

Por um mundo melhor. É essa a chamada pra quem quer “mergulhar” em um dia de muita música, muita diversão e que com certeza vai ficar para história dos festivais mundiais. É a chamada que te leva a parar pra pensar que um festival como o Rock in Rio vai muito além da própria música.

Quando se anuncia um evento de tal porte, o que mais se espera são as grandes atrações internacionais ou um line up fantástico ou ainda um show que por mais que às vezes não seja tão grande assim, é o seu sonho de ver ao vivo. Pensa-se em música, se pensa em som, pelo óbvio de que é esse o objetivo de se reunir cerca de 100 mil pessoas (por dia) na tão contemplada Cidade do Rock.

Já que a música é o motivo principal e conseqüentemente dezenas de críticas sairão sobre cada uma das bandas do festival, porque não parar pra pensar que o Rock in Rio trata-se também de pessoas, trata-se de misturas, trata-se de inúmeras culturas que juntas ali se tornam uma só. Pessoas de todas as raças, sexo, religiões. Pessoas de várias cidades, de vários países. Línguas diferentes, culturas diferentes, gostos musicais diferentes. Em uma gigantesca mistura de 100 mil pessoas, diferença é a palavra que se transforma em algum momento em igualdade.

Tanta gente diferente, que ao mesmo tempo tornam-se felizes, dividem a mesma diversão, se conhecem, se relacionam e estão ali pelo amor a música, independente da banda ou do estilo musical. É incrível pensar que a “crença” musical pode ser bem maior do que o próprio som.

A primeira impressão da Cidade do Rock, é de que tudo que acontece ali dentro durante cada dia, é realmente como se fosse um mundo melhor. Fazer parte das coisas la dentro é se desligar do “mundo do lado de fora” e acreditar que a música está ali não só para o entretenimento, mas também para fazer com que toda essa “mistura” seja um dos maiores momentos da sua vida.

Especial Rock In Rio: O que foi o Guns em 2001?

Especial Rock In Rio: O que foi o Guns em 2001?

Já que as páginas laranjas estão em clima de good times (ou o mais próximo disso), não podemos deixar de mencionar o concorrido e tão antecipado show do Guns N’ Roses no encerramento do primeiro final de semana do RiR3. A abertura animada (e megalomaníaca) mostrava um Axl Rose magrelo e completamente diferente daquela criatura que subiria ao palco minutos depois. Faz parte do show, nós sabemos, mas será que o Axl também sabe?

Nós também sabiamos que Duff McKagan e Slash não faziam mais parte do Guns N’ Roses e que aquele era apenas o último suspiro de uma banda moribunda e de um cantor decadente. Mas como é que poderíamos nos preparar para o primeiro show “ao vivo” daquela que cultivava o título de maior banda de hard rock do mundo? Quem estava tocando não fez a menor diferença quando Axl Rose começou a entoar os primeiros versos de “Welcome to the Jungle” e a parafernália técnica iniciou o seu showzinho de imagens. Aquele era o primeiro grande show do Rock in Rio 3 e mesmo pela televisão, era possível sentir a energia. O jogo estava vencido sem o menor suor, mas vocês conhecem o vocalista do Guns e ele nunca foi de se contentar.

Até mesmo aqueles detratores do Guns N’ Roses tiveram que colocar o rabinho entre as pernas e aceitar a verdade: aquele gordo achando que estava numa maratona sabia o que estava fazendo, sabia como ganhar o público e o pior: ele sabia que o legado de sua banda era algo intocável e poderoso. Ninguém se importava por assistir um show apenas de músicas velhas. “Oh My God”, das poucas canções “inéditas”, deixou o público sem reação. Dava quase para gritar: “Toque algo que a gente conheça” e não demorou muito para a banda começar “You Could Be Mine”, música que faz parte da trilha sonora de O Exterminador do Futuro 2, de James Cameron.

Encontrar grandes clássicos não era uma coisa difícil no repertório do Guns N’ Roses, mas mesmo assim, a banda tentava mostrar serviço e agradar o público. O guitarrista Robin Finck tocou uma cover safada de “Sossego”, de Tim Maia, e foi ovacionado. Parecia que o ego da banda estava quase abafando a animação do público, que vibrava com a dobradinha “Sweet Child o Mine” e “Knocking on Heavens Door”. Vamos combinar que é complicado imaginar ouvir a introdução de “Sweet Child O Mine” e não se arrepiar. Estou dizendo, o show poderia ser uma verdadeira porcaria (o que não foi) e todo mundo aplaudiria de pé por vários minutos. O amor dos fãs é uma coisa muito louca e incompreensível. Axl Rose, mestre do show business, sabe como ninguém utilizar isso ao seu favor, tanto que está aí até hoje.

Axl ainda encontrou tempo para reclamar das pessoas que ficaram acusando a banda de ter chegado ao fundo do poço e elogiou uma amiga brasileira que ficou cuidando dele em sua pior fase. Parecia o momento de redenção de um monstro do rock e com a plateia na Cidade do Rock (e em casa) em extase, ninguém se preocupou em refletir sobre o quanto aquele momento foi piegas. Aquele era o ponto alto da terceira edição do Rock in Rio e a sensação era boa, a mensagem de paz do evento penetrou na alma de todo o mundo que parou para acompanhar aquelas apresentações e o Guns N’ Roses mostrou que ainda era capaz de oferecer entretenimento de primeira para qualquer pessoa, independente de gostar ou não da banda.

Se eles serão capazes de repetir a façanha no encerramento da quarta edição do RiR, só mesmo estando lá para saber. Você vai querer descobrir?