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Além do som: Siouxsie Sioux, a hora da estrela

Mais uma vez estou aqui para homenagear Siouxsie Sioux. Espero que isso se torne uma tradição, pois pra mim é sempre uma honra imensurável escrever a respeito dessa grande personalidade que me inspira há alguns anos.

Não é uma tarefa difícil descrever porque Siouxsie sempre foi tão brilhante. Em suma, nossa querida vocalista conquistou todos os seus notáveis feitos porque um de seus traços sempre foi a coragem, virtude esta que a levou a romper com todos os paradigmas que a incomodavam e que considerava desnecessários de serem seguidos. Assim, distanciando-se de tudo o que era insignificante e construindo uma vida nova a partir do que lhe agradava, Siouxsie deu um passo a frente em relação à maior parte de seus contemporâneos.

Posso garantir que não é fácil ter essa imensa coragem que Siouxsie sempre carregou consigo. Se desvincular do mundo externo, descartar certas coisas e arquitetar sua própria realidade, são atitudes que exigem muito empenho, originalidade disciplina e ousadia – sabemos que poucos seguem esse caminho. Nenhum obstáculo nunca pareceu tão penoso para ela. Siouxsie, de maneira espontânea, sempre conseguiu concretizar seus projetos e, como consequência, sua imagem passou a simbolizar o arquétipo da mulher forte, inteligente e independente.

Siouxsie, ao logo do tempo, assumiu uma personalidade, hora dionisíaca, hora apolínea, hora, ambas. Enfim, foi aquilo que se propôs a ser. O importante para ela, era progredir, escrever história – e que fique claro: a SUA história. Para isso, agia como almejava agir. Com erros e acertos, com desvios morais, incomodando o conservadorismo e pisoteando o senso comum, ela deixou sua marca e isso jamais irá se alterar, independentemente do tempo e do espaço em que o mundo se encontre.

Uma vez, uma jornalista europeia escreveu algo muito bacana sobre a Siouxsie… não lembro o nome dela, e não me recordo exatamente como era a frase em inglês, mas era mais ou menos assim: “Sioux não fez sua carreira através de um rostinho bonito ou usamos seu corpo, ela moldou sua história usando seu cérebro”. Eu só posso concordar, afinal, de fato, a arte dessa mulher, além de não ser clichê, é essencialmente inteligente, dialoga com o intelecto. É arte de artista de verdade. Siouxsie não precisou de um decote e ou riminhas enlatadas para chegar aonde chegou.

Por todas as razões citadas acima e por inúmeras outras, Siouxsie nos deixou uma herança magnífica pela qual compartilha conosco os traços de sua aguçada genialidade e de seu raro e especial talento. Desejo a ela um feliz aniversário. Que ela esteja feliz, aonde quer que esteja (acho que está numa tal cidadezinha francesa, enfim, não é um detalhe tão relevante). Sucesso para o Wolves!