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De Olho na Cena: Engradado lança Vulgar Sem Ser Sexy na Casa do Jornalista

“Festa é assim mesmo”, já diz há bastante tempo a galera da banda Engradado. E que festa, meus amigos.

Após um ano de produção, o primeiro álbum de estúdio, Vulgar Sem Ser Sexy, chegou para mostrar ao público de que se trata o tal do ROCK N’ ROLL ETÍLICO, como a banda é definida pelos fãs.

Produzido por Augusto Oliveira, guitarrista da banda, o álbum independente traz grandes hits, alguns já conhecidos da galera do underground como “Mais Um Engradado e a Saideira”, “Queimando Pneu” e “Caos Honesto”, este último com um ótimo videoclipe com dezenas de milhares de visualizações no YouTube.

Conheço a banda há muitos anos e acompanhei o nascimento dessa obra prima do underground mineiro. Portanto, fui com muita expectativa para esse show de lançamento. O que posso dizer é que todo show da Engradado é um evento festivo. É encontrar com o amigo num bar para tomar algumas cervejas. É dançar, subir ao palco, pular e gritar junto com a banda, cantando os refrões de pura energia, com letras recheadas de ironia. E Vulgar Sem Ser Sexy consegue captar bem essa essência. Situações cotidianas como acordar de ressaca e perder o ônibus (“Beber Pra Esquecer”), viram arte nas mãos de Tavos Machado (bateria), Arthur Alkimim (baixo), Augusto Oliveira (guitarra), Gabriel Oliveira (Voz).

A festa, que contou com várias participações especiais, começou com o show da dupla Jota Quércia, que já mostrou logo de cara que a zoeira seria o ponto alto da celebração. Foi meu primeiro show do Jota, que eu já conhecia nas redes sociais e plataformas de streaming. Enquanto André Persechini “Pepo” e Paulo Ricardo “Malibu” se revezavam para tocar ora bateria, ora guitarra, fiquei encantado ao observar como apenas dois caras podem fazer uma baita sonzeira. Simplesmente fantástico. Serviu para ilustrar bem as palavras que um pianista virtuoso e grande amigo, Tiago Salgado, me disse há um tempo atrás: “fazendo um bom trabalho, o simples pode ficar muito melhor que o super complexo”. E ontem vi dois caras fazendo isso, 2 caras fazendo um som digno de uma banda com muitos e muitos integrantes. Excelente show! Ah, e como eu disse antes, a zoeira já começou forte. Como dito na descrição da banda: “algo de errado está acontecendo”. E daí tivemos muita irreverência e presença de palco, junto com as ótimas “Eymael e Seus Democratas Cristãos” e “Luciano Huck Eu Te Amo”.

Bom, daí teve uma participação, para mim mais que especial por motivos pessoais, da Sound Supernova. Minha banda. Fomos convidados para participar pela turma do Engradado. Enfim, desse show não vou falar. Se você viu, viu. Se não viu, em breve tem mais.

E então, chegou o ponto alto da noite. Quando o Engradado sobe no palco, você entende a grande diferença entre “tocar” e “fazer um show”. O Engradado faz um show.

A interação com o público vai da primeira à última música. O figurino é pensado em cada detalhe. No microfone do Gabriel “Papito” Oliveira, uma bandeira da Alemanha pendurada. Referência a uma das grandes músicas da banda, “7×1 foi pouco”, que infelizmente ficou de fora desse disco. Aliás, abro aqui um parênteses para falar sobre essa música. Em um show no Beco do Rock, conhecido ponto roqueiro de Sabará (MG), estava eu mais uma vez para um show da Engradado, quando o Papito me disse: “Cara, vamos fazer uma música agora em 5 minutos e tocar como inédita”.  E embora algum desavisado que não conheça a banda possa pensar que era uma avacalhação, a música é ótima. Prova definitiva da competência e da irreverência da banda. Como dito acima, o simples fica muito bom se for bem feito.

Tocaram o Vulgar Sem Ser Sexy na íntegra. Com direito a participações especiais. De cara, “Mais Um Engradado e a Saideira” e em seguida “Beber Pra Esquecer” já aqueceram a galera. “Caos Honesto”, com o Nathan Augusto da banda The Mcminers (que depois subiria ao palco para participar na faixa “Estradas”) nas guitarras foi um show a parte. Primeira vez que eu vi a banda tocando com dois guitarristas. Achei ótimo. Deixo aqui a sugestão de manter a ideia (onde mando o curriculum, galera, vou me candidatar a músico de apoio).

Eu, particularmente gosto muito de “Queimando Pneu”. Mais um grande exemplo do bom e novo rock n’ roll etílico. “Pego a autoestrada, como o meu amor/ Cerveja nunca falta, nem o ronco do motor”. Me senti num filme dos anos 80 (meus preferidos). Ferris Bueller ficaria orgulhoso. A propósito, SAVE FERRIS!

Passando por todo o álbum, ainda tivemos “No Virote” (“vira, vira, vira, que o boteco é seu lugar”), “Vingança” e “Banda Ruim”, uma brincadeira surgida há um tempo atrás após um comentário de um seguidor (perseguidor?) em uma rede social da banda.

Das músicas mais novas que não entraram no disco, o Engradado tocou “Reaça N’ Roll”. Essa, se você ainda não conhece, corre lá para ver e ouvir nesse link aqui. Uma das grandes do Underground Mineiro. Eu soube que teve até RockStar brasileiro comentando (e reclamando).

E no final, o bis de “Caos Honesto” com a galera do público invadindo o palco para cantar com a banda, fato tradicional nos shows do Engradado, mostrando de vez o que a banda vive falando: FESTA É ASSIM MESMO. E que festa!

Fotos: Pode Flutuar