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Essa Me Lembra Você: Kiss – Forever

Numa edição passada comentei sobre a quantidade de pessoas por quem tive uma paixão meteórica ao longo desse ano. Amor platônicos e loucuras românticas me interessam. Hoje é dia de contar sobre como um match no Tinder transformou “Forever” numa canção inesquecível.

Segundo single do disco Hot in the Shade, de 1989, “Forever” é uma baladinha poderosa que dizem ter sido gravada com Bruce Kulick assumindo também a linha de baixo, deixando o linguarudo Gene Simmons por conta da voz. É um dos grandes sucessos do KISS e é uma daquelas faixas garantidas em qualquer coletânea de rock dos anos 1980.

Enquanto zapeava no Tinder (acontece) encontrei essa garota. Ela dizia ter 1,65 cm de pura vontade de tomar Heineken. Mereceu o meu like. Por um milagre divino, ela também havia me curtido. Lembro que o papo demorou pra engrenar porque ela não falava muito e trabalhava/estudava com coisas fora do meu campo de interesse/conhecimento. Num dia combinamos de sair para uma dessas baladas noturnas com gente tocando cover e ganhando dinheiro. Nesse dia em especial, o pessoal da Riviera iria cuidar da abertura. Achei que poderia ser um rolê legal.

O que rolou foi que a Riviera acabou o show e nada da garota. Nada dela responder mensagem ou me ligar. Rolou o convite para ir para outra balada ver apresentação cover do Foo Fighters e eu estava quase aceitando quando descobri que eu tinha 1,74 de pura vontade de beijar aquela garota. Durante as poucas mensagens trocadas, tive um feeling bom de que ele poderia ser mais que um encontro de uma noite apenas. Pensei que ao vivo poderia ser mais fácil, né? Ainda mais envolvendo cerveja.

Mas aí começou a dar tudo errado. Lá não tinha Heineken. Só aquela bosta doce de Budweiser. Ela disse que “era chá e conseguia beber umas vinte antes de ficar tonta”. Primeiro fiquei preocupado com a saúde dela. Tão pequena e tão alcoólatra? Depois achei que seria mais difícil deixá-la confortável. O terceiro lance que deu errado foi que comecei a beber Corona sem saber que ela era praticamente o dobro da Bud… Enfim.

Papo vai, papo vem e nada do papo engrenar. OK. A banda não estava ajudando muito e minhas piadinhas sem graça não surtiram efeito algum. Comecei a acreditar que sequer beijaria a garota até que senti o cheiro dela. Não era apenas o perfume ou o shampoo, sabe? Mas o cheiro da pessoa. Me senti (inexplicavelmente) mais confiante. Continuei com as piadas ruins, mais Corona, e de repente começo a sentir uma mão no meu cabelo. “Opa! Parece que o jogo mudou”… e então percebi um grupo de garotas com mais álcool no sangue do que o guitarrista de metal tinha de distorção no seu som atrás de mim. Elas começaram a abusar dos meus cabelos e eu estava meio bêbado demais para esboçar alguma reação diferente de achar aquilo esquisito e mega engraçado.

Depois de rir e me livrar das garotas dizendo “a minha namorada tem 1,65 cm de muito ciúmes”, voltei a tentar brilhar como as músicas do Bon Jovi que a banda cover tocava. Tocaram “Livin On a Prayer” e eu tenho esse lance bizarro que me impede de não GRITAR o pré-refrão sempre. Devo ter deixado a minha companhia surda ou ainda mais entretida na conversa paralela com a prima (sim, ela levou alguém para o caso de eu ser um mala). Felizmente, a tal prima era bem divertida. Me diverti horrores com ela contando suas histórias e da sua saga tentando a atenção de um garçom do recinto. Eis que começa a tocar “Forever”. Eu não tinha reconhecido como uma música do KISS. Na minha cabeça era apenas uma balada. “Baladas foram feitas para as pessoas salivarem, oras!”.

Deu certo. O restante do passeio só ficou melhor porque meu feeling estava certo, pelo menos da minha parte. Nos despedimos dizendo que iriamos nos encontrar de novo. Bem, às vezes a pessoa está sendo só educada. Ela não saiu mais comigo, descobri que ela tinha um lance que havia acabado meio recentemente, e bem, não era pra ser.

Acho que eu fui meio creepy sem noção. Assustei a garota. Ou então ela só achou que não tinha nada a ver mesmo. Ou então é só a lembrança fantasmagórica de um ex cuzão empatando a minha vida – de novo. Qualquer que seja a resposta, o lance é que essa música me lembra você e seus 1,65 de vontade de tomar Heineken.

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