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Além do Som: Um trintão (e sua expectativa) no Lollapalooza Brasil

Das maiores certezas da vida é que o tempo não para. O tempo é um corno eunuco disposto a se vingar dos casais no carnaval.

Aos 30 anos, posso dizer com certeza absoluta que não sou fã da maioria das atrações atuais que estão sondadas para o Lollapalooza Brasil 2017. Minha situação é tão crítica que me empolguei com o possível anúncio do The Strokes, banda que tem um show incrível, mas que não acho grandes coisas, e Metallica, que já vi no Rock in Rio e é pesada demais para o que espero ver no Lolla.

Mas como prometi para uma amiga que a acompanharia na edição 2017 do Festival, decidi que seria melhor me atualizar com três músicas de cada uma das possíveis atrações – já que existe uma tendência de acreditar que jornalista tem mais poder que os produtores do evento. Enquanto o festival não confirma seus primeiros nomes, não sobrou outra opção senão me aventurar no fantástico mundo dos boatos.

Então, vamos lá, para todos os tios rabugentos de 30 anos que gostam de indie rock e ficam putos de ver o Lolla virando um Terra piorado depois de ter nascido como um SWU turbinado, essa lista é para vocês!

Foto: I Hate Flash

Years & Years

O que é: Trio britânico de eletropop que lançou seu primeiro disco, Communion, em 2015. A banda cita Sigur Rós e Radiohead entre as suas principais influências. O resultado é um som bem dançante e animado.

Já conhecia? Porra nenhuma.

Músicas ouvidas: “Take Shelter”; “Desire”; “Shine”; “King”

Opinião: Achei o som gostoso para dançar depois de umas boas cervejas – mas o Lollapalooza Brasil não trabalha com cerveja, apenas chá. Definitivamente não é ruim. “Take Shelter” é a minha favorita. Gostei de “King” porque ela tem uma coisa otimista e o refrão é muito forte. Senti que já conhecia, mas sinto que algumas bandas “novas” são muito iguais e não sei diferenciar.

Vou ver o show? Se não tiver alguma coisa com guitarras, baixos e distorções na hora, provavelmente pretendo sacar esse trio inglês. Deve ser uma boa opção de show para quando o sol começar a se pôr.

The 1975

O que é: Quarteto britânico de rock em turnê de divulgação do segundo disco de estúdio, I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful yet So Unaware of It, e com uma sonoridade mais depressiva para curar a insônia das pessoas. Ou causar mortes.

Já conhecia: Porra nenhuma.

Músicas ouvidas: “Somebody Else”, “Robbers”, “Girls”, “Chocolate”, “Sex”

Opinião: Fui ler sobre a banda e vi que era de rock. Daí escuto “Somebody Else” e é mais uma porra de rock eletrônico, limpinho de roqueiro de cabelo penteado e cueca Calvin Klein; “Robbers” tem uma riff introdutória legal, bem melhor que a da faixa anterior, mas ainda não bateu; depois de duas canções mais arrastadas e tristes, me deparo com “Girls” e estou na dúvida se trata-se da mesma banda. Swing gostoso, mas que guitarra havaiana cara de pau, hein? Prefiro a vibe depressiva; “Chocolate” lembra “Girls”, mas me faz perguntar porque o Lolla não escala o Jason Mraz de uma vez no lineup… Dei chance para mais uma música para eu não ficar como o chato velho cujos ouvidos vivem nos anos 2000. Escolhi “Sex”, porque uma música chamada “sexo” não podia ser ruim, certo? Parecia cover de “All My Friends”, do LCD Soundsystem. Ok. Essa é boa, mas não sei se por méritos da banda…

Vou ver o show? Exceto se eu me apaixonar por essa banda nos próximos meses, a única chance de eu assistir ao The 1975 é se eles tocarem no domingo e eu estiver cansado demais para andar de um palco para o outro.

The Weeknd

O que é: Atração que mistura soul, eletrônico e pop, o The Weeknd entrou recentemente no Livro dos Recordes depois de ter o disco mais ouvido nos serviços de streaming no período de um ano, o que rendeu 45 semanas consecutivas no top 10 do ranking de singles.

Já conhecia: Vagamente. Alguém alguma vez mandou eu ouvir Chet Faker (e eu ouvi o Baker) e Weeknd. Coloquei uma música ou outra pra rolar, mas não bateu…

Músicas ouvidas: “The Hills”, “Can’t Feel My Face”, “Earned It”, “Often”

Opinião: Essa “The Hills” é familiar. Devo ter ouvido em alguma playlist de músicas de sexo aqui no Audiograma. Ou na minha cama. Não estava prestando muita atenção nas músicas realmente. Acontece. O refrão me deixa com tesão. Finalmente alguma coisa boa!; “Can’t Feel My Face” eu já conhecia. Não estou vivendo numa bolha dos anos 2000, ao contrário do que o nosso querido editor disse num chat privado. Mas conheço apenas porque é uma música sobre uma garota assentando no rosto de alguém, né? Tenho que conhecer essas coisas; “Earned It”, tá na trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza e isso não é necessariamente algo bom de se dizer, mas a faixa é muito sensual. Dá para eleger The Weeknd como minha nova atração favorita para trilha sonora de sexo; “Often” é mais uma garantia de que o show do The Weeknd é para se dançar e pegar com quem estiver dando mole pertinho de você. Não dá para perder.

Vou ver o show? Na minha cabeça, “The Hills” virou música de striptease e sedução. Quero o show desses caras só para iniciar um flashmob de gente dançando sensualmente e tirando a roupa. Se organizar direitinho…

The XX

O que é: Prestes a lançar o seu terceiro disco, o The XX seria uma das atrações de “respeito” no Festival. Não se trata de uma banda nova no mercado, independente de ser pouco familiar do grande público. Estavam sumidos, mas nada melhor que um grande festival para divulgar o trabalho e testar o público.

Já conhecia: desde que me enviaram “VCR” anos atrás, mas não é uma atração que me faria sair de casa.

Músicas ouvidas: “Angels”, “VCR”, “Chained”, “Fiction”

Opinião: É um som introspectivo de qualidade. São muitas músicas boas e é uma atração com um público apaixonado. Ter o The XX no lineup do Lolla é um nome de respeito que garante a qualidade do evento e nos mostra que será uma edição bem curiosa.

Vou ver o show? Fuck yeah! Não perderia a chance de ouvir o show deles e desejar que “Intro” fosse tocada num loop infinito para deixar todo mundo muito louco.

Essa é a primeira parte da minha jornada e a conclusão é que sou velho demais para essas coisas, mas teimoso como uma mula para preferir ficar em casa e perder o calor humano de mais uma edição do Lollapalooza Brasil. Assim que novos nomes forem considerados como “certos” pelos boateiros de plantão, estaremos aqui para mais uma audição em busca de motivos sonoros para curtir o Lolla 2017.

Depois do meu protesto em 2016 com esse lineup medíocre, torço para 2017 ser um ano melhor para quem sente falta de eventos dedicados ao rock.

Tá pensando em ir ao Lollapalooza Brasil? Então veja valores, data de início das vendas e as atrações especuladas para a edição 2017, que acontece nos dias 25 e 26 de março.