Dicionário de Artistas: Odair José

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Consagrado no estilo brega, Odair José teve um começo de carreira muito diferente. Nascido em Morrinhos, Goiás, aos 17 trabalhava como crooner de banda na adolescência, até conhecer Roberto Carlos, em 1967 aos 18 anos, nos bastidores de um baile em que ambos cantaram.

Estimulado pelo ídolo, que é uma de suas principais referências assumidas (ao lado de Altemar Dutra, Anísio Silva e Peter Frampton), mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como cantor de boates suburbanas, circos e como guitarrista de inferninhos na Lapa.

Nos Anos 70 sua música teve influências da música caipira americana. Excursionou pelo country de raiz de Hank Williams e Johnny Cash em seus primeiros discos. Em 1972, sua música “Cristo quem é você”, foi gravada pelo próprio Odair José, com arranjos de Zé Rodrix, tendo a participação do grupo Som Imaginário. Logo passada a fase da influencia de Roberto Carlos, fez uma ópera-rock na música “O Filho de José e Maria” (com a qual foi vaiado com Caetano Veloso em um show, o Phono 73). Foi neste período que recebeu o rotulo de “Bob Dylan Brasileiro”.

Apesar de não ter seu devido reconhecimento na musica nacional, Odair José não era apenas um Ph.D. em comportamento e sentimento populares, ele era freqüentador assíduo nas pastas da censura militar, segundo o historiador Paulo César de Araújo, autor do livro “Eu não Sou Cachorro, não”, sobre os vetos dos militares aos compositores rotulados de bregas e que trata Odair como transgressor.

Em um momento de repressão, ele não teve papas na língua. Suas letras foram vetadas por tratar de sexo (“Em Qualquer Lugar” – A gente ama até demais/e quando tem um grande amor/a gente faz em qualquer lugar), de drogas (“Viagem” – Venha comigo em minha viagem/não se preocupe/eu tenho as passagens), homossexualidade (“Forma de Sentir” – Sei que és entendido e vais entender/que eu entendo e aceito tua forma de amor) e religião (“Cristo, Quem É Você?” – Lhe procurei/fui à sua casa/mas lá não lhe encontrei). Porem, nenhuma canção de seu repertório repercutiu tanto quanto “Uma Vida Só” ou “Pare de Tomar a Pílula” (Pare de tomar a pílula/porque ela não deixa nosso filho nascer). A letra caiu na boca do povo, mas chegou a ser proibida por algum tempo, por contrariar o governo. “O regime militar patrocinava a entidade Bemfam, que desenvolvia campanha de controle de natalidade nas famílias de baixa renda, e se empenhava na farta distribuição de anticoncepcionais”, escreve Araújo

Odair liderou a lenta transfomação do pudor brasileiro nos anos 70 (acompanhado pelas pornochanchadas, pelo jornal Pasquim, e por Leila Diniz), ao mesmo tempo que dominava as ondas do rádio e lhe imputavam o título de “cantor das empregadas domésticas”, como ele mesmo explica. “O que eu canto, eu vi acontecer muito naqueles bares. Eu percebi na época que já existiam vários segmentos musicais estabelecidos. O Roberto Carlos já tinha seu estilo. Ele cantava o amor do portão, do namoradinho, o beijo roubado, ‘eu te darei o céu’. Quando, na verdade, os namorados já estavam indo para a cama, não estavam mais ficando no portão. O amor já tinha ficado adulto, e eu entrei para cantar esse amor adulto.”, revela o músico.

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Fontes: Clique Music e Revista Época (“Do brega às cabeças”, Cléber Eduardo, Junho de 2005)

Sobre o autor

Samilla Santos

Mineira, estudante de Veterinária, apaixonada por porcos e música.

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Comentários
  1. 2t

    11 / 7 / 2011 20:27

    PARE DE TOMAR A PILULA é sensacional. Outro dia cantei EU VOU TIRAR VOCE DESSE LUGAR, que foi a primeira música que eu conheci desse excelente cantor.

  2. 2t

    11 / 7 / 2011 20:28

    vale ressaltar que cantei isso num karaoke muito fim de carreira. e que era um dia onde o meu sangue estava em desvantagem com as heinekens da vida.

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